Disciplina: Castigo ou Correção

 
 
 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo
 

II – DISCIPLINA: CASTIGO OU CORREÇÃO

Hebreus 12:4-13

 

 

VERSÍCULO 4

“Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue”

…SANGUE…  conforme  Apocalipse 2:10 “Não temas as coisas que tens de sofrer.

 Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. “Se fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” Aos leitores da carta aos Hebreus é apontada a possibilidade de serem martirizados pela fidelidade a Jesus Cristo.  

VERSÍCULOS 5-7

“E estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menospreze a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como a filhos), pois que filho há a quem o pai não corrige?”

            …CORREÇÃO…(treino, educação para a vida, castigo). A correção e responsabilidade futuras na maturidade, conforme Hebreus 5:13 a 6:3 “Ora, todo aquele que se alimenta de leite, é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando de novo a base do arrependimento de obras mortas; e da fé em Deus, e o ensino do batismo e da imposição das mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno. Isso faremos, se Deus permitir”.

VERSÍCULO 8

            “Mas se estais sem correção, de que todos se têm tornados participantes, logo sois bastardos, e não filhos”.

            …Todos…Participantes…A filiação inclui provação (Atos 14:22 “fortalecendo as almas dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus”). Bastardos– Quem não é filho de Deus não recebe disciplina do Pai Celeste.

VERSÍCULO 9

“Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai dos espíritos, e então viveremos?”

Respeitávamos…Submissão… Nestas duas palavras encontramos a idéia bíblica do “temor ao Senhor” (II Coríntios 7:1 ‘’Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” Provérbios 9:10 “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência”. …

…PAI DOS ESPÍRITOS… (de homens, não anjos). Conforme Números 16:22 “Mas eles se prostraram sobre os seus rostos e disseram: Ó Deus, Autor e Conservador de toda vida, acaso por pecar um só homem, indignar-se-ás contra toda esta congregação?” Eclesiastes 12:7 “ e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus que o deu” Zacarias 12:1.; “Fala o SENHOR, o que estendeu o céu, fundou a terra e formou o espírito do homem dentro dele”. Deus é o Criador do espírito humano enquanto o pai humano é da carne.

…VIVEREMOS… A salvação completa está em vista (Tiago 1:21 “Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas”)

VERSÍCULO 10

“Pois todos eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia. Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade”.

…MEHOR…LHES PARECIA… Em contraste com a disciplina em ignorância humana, o Pai celestial corrige com perfeito amor e sabedoria.

…Santidade… Ganhamos esta posição pelo sacrifício de Cristo (Hebreus 9:13 “Portanto, se o sangue de bode e de touros, e a cinza de uma novilha, aspergida sobre os contaminados, os santifica, quanto à purificação da carne”. Hebreus 10:10 “Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”  Hebreus 10:14 “Porque com uma única oferta aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hebreus 10:29). “De quanto mais severo castigo julgai vós será considerado digno aquele que calcou os pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado e ultrajou o Espírito da graça?”). Mas a santidade vem pela tribulação (conforme I Pedro 4:1 “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado” Romanos 5:3 e 4 “e não somente isto, mas também nos gloriemos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança”) e zelo espiritual (Hebreus 12:14) “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus”

VERSÍCULO 11

“Toda disciplina com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça”.

…FRUTO PRÓPRIO…JUSTIÇA… Seria uma reação de submissão e alegria do cristão frente toda provação da fé (I Pedro 1:6,7 “Nisso exultais, embora, no presente, por revê tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que o valor da vossa fé, uma vez confirmado, muito mais precioso do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” Tiago 1:2 “Meus irmãos, tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações”).

VERSÍCULOS 12,13

“Por isso restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazeis caminhos retos para os vossos pés, para que não se extravie o que é manco, antes seja curado”. É uma exortação à parte mais sadia da igreja para não causar tropeço aos mais fracos na fé.

…MÃOS DESCAÍDAS – São as mãos dos desanimados na luta.

…EXTRAVIE… pode ter o significado de “deslocado”.

Interpretação do texto  (versículo por versículo)

VERSÍCULO 4

            É verdade que suas propriedades tinham sido confisca das; que alguns deles tinham sido aprisionados; que tinham sido ridicularizados e zombados, sendo cortados da comum idade religiosa judaica como hereges (ver Hebreus 10: 32-34). Mas tinham sofrido uma perseguição incruenta; ninguém fora espancado ou martirizado. Portanto é evidente que a perseguição incruenta; ninguém fora espancado ou martirizado. Portanto é evidente que a perseguição que tinham sofrido não assumira as proporções radicais daquela levada a efeito contra Jesus. Se Cristo suportou a perseguição maior, eles deveriam suportar a perseguição menor. E isso, incidentalmente, exclui: “Roma” como o lugar do destino deste tratado, a menos que tenha sido escrito muito tempo depois das perseguições de Nero. Muitos daqueles heróis da fé, descritos no capítulo 11, como Jesus, foram martirizados por causa de sua fé. Até ali, porém, os leitores originais desta carta tinham sido poupados de maiores terrores, impostos por homens iníquos; entretanto, aquela bem mais leve perseguição os deixara desanimados e prestes a abandonarem a fé. A disciplina que deveria ter surgido das tribulações sofridas, não se concretizam (ver Atos 14:22).

…LUTA CONTRA O PEC ADO… O pecado é personificado e corretamente visto como um inimigo. É o pecado que procura destruir-nos, que nos faz amarga oposição, pois é inimigo de nossas almas (ver I Pedro 2:11). Deus ainda não exigira daqueles crentes judeus o sacrifício final; mas qualquer sacrifício a que fossem convocados a fazer, visava o seu próprio bem-estar espiritual.

“O atleta que já viu seu próprio sangue, embora derrubado por seu oponente, nem por isso, levanta-se ainda mais resoluto, e entra na luta com a maior esperança” (Sêneca). O autor sagrado, mediante o uso de metáforas atléticas e militares, desejava que seus leitores soubessem que esta vida não tem o propósito de ser fácil, e que não há vitória sem luta, e nem prêmio sem agonia.

VERSÍCULO 5

            Enquanto nos encontramos nesta peregrinação terrena, haverá necessidade de disciplina que nos vem mediante a dor e a disciplina. Deus permite tais adversidades, mas faz tudo para nosso próprio bem. Quanto mais se alarga nossa visão, tanto maior se torna a nossa coragem; e a espiritualidade mais alta é comprada a troco de grandes dores.

            A fim de ilustrar o problema da dor, que é encarada como uma forma de disciplina, o autor sagrado evoca o trecho de Provérbios 3:11,12, que fala da disciplina paterna. Sabemos, por experiência própria, que quando somos severos com nossos filhos é que temos razões para isso; e essa razão se alicerça sobre o fato de que sentimos que isso é melhor para eles. Supormos, pois, que Deus, ao governar o mundo, e sobretudo, ao tratar com os crentes, permite que isso lhes aconteça; mas isso não é menos razoável, tendo o propósito de fazer-nos emergir dos sofrimentos aprimorados, o que mostra que tal medida é benigna e benéfica para nós.

…Filho Meu… Deus nos trata como seus filhinhos. Os níveis m ais elevados da salvação se realizavam em nossa condição de filhos de Deus, de tal modo que a filiação é um sinônimo virtual da salvação, nas páginas do Novo Testamento (ver Hebreus 2:10 e Romanos 8:29). O próprio Jesus, sendo o Filho de Deus, ao assumir a posição de homem, precisou passar por sofrimentos para ser aperfeiçoado (ver Hebreus 4:7-9); quanto mais nós, os filhos de Deus, precisamos dessa experiência!

…Não Desprezes… é tradução do grego “oligoreo”, “menosprezar”. É palavra derivada de “oligos”, pouco”. É grandioso sabermos que somos filhos de Deus, que por Ele estão sendo treinados. Não percamos o senso da “dimensão eterna” de nossos sofrimentos.

…Nem Desmaies… Alguns, em atitude de rebeldia, podem menosprezar ou mesmo desenvolver atitudes amargas para com a correção divina. Os mais fracos simplesmente desmaiarão, porquanto pensarão que a misericórdia divina os abandonou. No livro de Provérbios, é a Sabedoria personificada que fala. Portanto, que cada um de nós seja sábio e aprenda as lições que está recebendo através das tribulações que sofre, não se rebelando nem desmaiando. O autor sagrado dizia, em outras palavras, que a vontade de Deus é um fato, que a criação é teísta, que Deus mantém contato com os homens, que Ele faz intervenção na história humana, recompensando e castigando, e que Seus propósitos são benignos e benéficos, a despeito das dificuldades que tiver de passar.

…CORREÇÃO… No grego é Paidéia”, que significa, essencialmente, “treinamento infantil, a disciplina que faz parte da educação das crianças. É desastroso pensarmos que sofrimento é algo fora do controle divino, como se sempre fosse sem sentido e deletério (que destrói, que corrompe, nocivo à saúde, danoso, desmoralizador). Antes, apesar de serem inevitáveis, são Necessários esses sofrimentos como lições que nos são ministradas por nosso Pai celeste. Ao as lições que aprendemos na dura escola da vida, mas que nos são necessárias, porquanto apontam para um melhor futuro reservado aos filhos de Deus que amadurecem por terem aprendido bem suas lições.

            Homens sem disciplina, naturalmente, terão uma atitude incorreta para com a disciplina; sentem aversão pela correção, considerando-a como algo indigno para Deus e para eles mesmos; ou então desmaiarão, ficarão desencorajados e abandonarão o caminho. Mas temos a promessa de que não seremos testados além das nossas forças (ver I Coríntios 10:13); presumivelmente, pois, podemos tolerar todas as dificuldades por que passamos, e delas podemos tirar proveito.

A “graça divina” nos é suficiente (ver II Coríntios 12:9), contanto que busquemos ao Senhor, para receber graça. A idéia de treinamento infantil está contida, no original grego, nos versículos 5,7-10 deste capítulo, e isso estabelece o tom da passagem inteira. Deus nos submete à Sua escola, que é severa bastante, sem dúvida, mas que tem por desígnios beneficiar-nos, e não destruir-nos. Alguns, sob a adversidade, rebelam-se contra a vontade de Deus, e outros se desanimam; os filhos de Deus não devem tomar nem uma atitude e nem outra. As adversidades com que nos defrontamos ocorrem somente por decreto de Deus, visando remover as manchas que aderem ao crente, exercitando-o na paciência.

“Se o açoite de Deus testifica de Seu amor para conosco, é uma vergonha que o reputemos com desprazer ou com ódio. Pois aqueles que não toleram ser castigados por Deus, para sua própria salvação, sim, que rejeitam a prova de Sua bondade paternal, sem dúvida são extremamente ingratos” (Calvino).

VERSÍCULO 6

            “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho” – Tem prosseguimento aqui a citação do trecho de Provérbios 3:11,12, embora não acompanhe exatamente o original hebraico, porquanto o autor sagrado seguia a versão da Septuaginta. Ao invés das palavras “…e açoita a todo filho a quem recebe…” o hebraico diz: “…tal como um pai ao filho, em quem se deleita”, o hebraico diz: “…tal como um pai ao filho, em quem se deleita”. Supõe-se que os tradutores da Septuaginta (setenta sábios que traduziram a Bíblia do hebraico) confundiram um termo hebraico por outro similar.  Mas também é possível que Septuaginta retenha o original hebraico, atualmente perdido nos manuscritos existentes, e os Papiros do Mar Morto têm mostrado que isto ocorre vez por outra, ainda que tenhamos nessa idéia apenas uma conjetura. Na verdade, o sentido se modifica um pouco, mas não distorce a mensagem do livro de Provérbios.

…Corrige…Tal como os pais naturalmente amam a seus filhos e buscam o seu bem, m as têm de puni-los e treiná-los severamente, a fim de que seu caráter seja bem formado. Deus age por esse modo, ainda que nem sempre encontremos a “razão” daquilo que sofremos. O amor consiste em cuidarmos dos outros como faríamos por nós mesmos; é desejar o bem bem-estar alheio conforme desejamos para nós mesmos;  – é uma atitude altruísta (ver Gálatas 5:22, quanto ao amor como um dos aspectos do “fruto do Espírito” ver Jô 14:21 e 15:10 quanto ao amor como norma orientadora na família de Deus, o elemento que deve governar todas as ações ali efetuadas). A disciplina, pois, é pintada como uma extensão do amor de Deus, o amor em ação. Essa é a fé que o autor da epístola aos Hebreus nos exortava a ter, acerca do dificílimo “problema da dor”. O versículo 10 do nosso estudo, mostra-nos que uma das principais razões para essa disciplina é que sejamos purificados, e assim cheguemos a compartilhar da própria santidade de Deus. Notemos que a disciplina vem de Deus; e seu propósito é sermos tão santos quanto o próprio Pai celeste, para que recebamos Sua natureza moral, porque nenhuma outra formação poderá levar-nos até á Sua presença (Romanos 3:2). Sem a santificação, ninguém jamais verá a deus (Hebreus 12:14).

            Mas essa deve ser a “santidade positiva”, a sua justiça e bondade, e não apenas a “ausência de pecados graves” conforme tantas pessoas definem a santidade. Antes, consiste em recebermos da plenitude moral de Deus, para que sejamos seres morais como Ele o É.

…AÇOITA A TODO FILHO… Tal como um pai terreno não hesita em aplicar severa disciplina a seu filho, quando ele disso precisa. Mas isso se deve ao fato que o recebe como filho, que aceita a sua pessoa, e que, assim sendo, preocupa-se bastante com ele para ensinar-lhe lições rigorosas, mas necessárias.

…RECEBE… Isto é, admite seu filho a privilégios filiais, tanto agora como na eternidade. Deus reconhece a criatura humana redimida e disciplinada, que vem a compartilhar de Sua própria santidade, como filho Seu, como membro real da família divina. A disciplina, pois, é um fator preponderante na criação da “comunhão de natureza” que é o desígnio mesmo do evangelho (Hebreus 2:10 e seguintes).

“Ele acolhe como seu filho legítimo, recebendo-o em seu coração e estimando-o” (Alford).

“Quando os fiéis percebem que Deus intervém, castigando-os, percebem um sinal seguro de Seu amor, pois, a menos que fossem amados por Ele, não haveria solicitude pela salvação deles. Portanto o apóstolo conclui que Deus se apresenta como Pai para todos quantos por Ele são corrigidos. Pois aqueles que escoiceiam como cavalos fogosos, ou que resistem, obstinadamente, não pertencem a essa classe de homens. Em suma, pois, ele ensina-nos que a correção de Deus só é paternal ao nos submetermos a ela” (Calvino).

            “Essa é uma lição difícil que os filhos de Deus precisam aprender e compreender” (ver Hebreus 5:7 acerca de Jesus).

            Nos escritos de alguns autores romanos contemporâneos aos apóstolos, transparece uma atitude amarga em relação a supostas disciplinas divinas, como se isso evidenciassem caos e falta de propósito no mundo. Para esses, os chamados deuses seriam dados á vindita bem antipaternal contra os homens. O autor sagrado, porém, nos conclama a uma atitude bem contrária desse amargor.

Todavia, Sêneca, com seu incomum discernimento, tomou praticamente a mesma posição do ator sagrado. O rabino AKIBA instruiu o rabino ELIEZER, em seu leito de dor, referindo-se aos castigos de Deus como preciosos”, ao passo que outros tinham-no apenas louvado devido à sua piedade em meio ao sofrimento. FILO,argumentou que a disciplina vinda das mãos de Deus, é melhor que ser abandonado à loucura e ao pecado; e isso reverbera o sentimento de PLATÃO, o qual dizia que a pior coisa que pode suceder a uma pessoa é que um mal feito seu não seja descoberto e punido; isso ensinaria a alma a ser pecaminosa e rebelde. E os judeus falavam sobre os “castigos do amor”, em contraste com os juízos divinos que seriam puramente vingativos

VERSÍCULO 7

            Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; por que, que filho há a quem o pai não corrija?”  EPICURO tentou remover do povo o temor aos deuses, já que tinham um pavor escravizante de seus castigos.  Para isso, criou ele o conceito de “deísmo”, que ensina que algum poder ou poderes criadores, existem, mas que desde há muito abandonara o mundo, não tendo nenhum contacto com ele. Portanto, o  que acontece aqui não seria intervenção e nem punição dos deuses (ver Atos 17:27). Porém, ao assim remover o temor à divindade, também removeu qualquer conforto que as pessoas poderiam derivar da “idéia divina”; e, equivocado como estava, removeu também a dimensão eterna da vida humana.

Fez com que a vida humana se tornasse mais uma oportunidade para meramente satisfazer os sentidos. “Nosso tempo é uma sombra que passa. Portanto, desfrutemos das boas coisas do presente. Coroemos dos botões de rosas antes delas murcharem. Que nenhum de nós deixe de gozar da voluptuosidade” (atitude epicurista).

            LUCRÉCIO, o poeta romano (96-55 A.C.), era um consumado ateu, temendo até mesmo que sobrevivesse à morte. Ele apreciava o ponto de vista de Epicuro sobre as coisas. Disse Lucrecio:

Quando esta nossa vida jaz esmagada sob os olhos dos homens,

Debaixo do jugo da Fé, a qual, vinda do alto;

Com horripilante aspecto assusta os corações mortais,

Foi um grego, ele mesmo um ser mortal,

Quem primeiro teve a coragem de elevar os olhos.

E enfrentá-la face a face. Relatos sobre deuses

E raios dos céus, com todas as suas ameaças,

Foram impotentes para fazê-lo estacar.

Assim, finalmente,

A Fé, por sua vez, jaz pisada sob nossos pés,

E dessa maneira temos triunfado sobre os Céus.

            Em contraste com esse “ateísmo prático”, o qual, finalmente, conduz o indivíduo ao desespero – pois o ateísmo de nada vale na hora da morte – o autor sagrado pregou uma doutrina de um Deus vivo, beneficente e interessado em nós, o qual não somente criou, mas continua tendo contacto com Seus filhos. Essa é a posição do teísmo. Quão mais elevada e nobre é essa atitude do que as filosofias céticas e atéias. O cristianismo procura interpretar a vida humana do ponto de vista da eternidade e da permanência, descobrindo razões nos sofrimentos presentes, e não somente caos, futilidade e chance..

…DISCÍPULOS… está em foco, o treinamento de crianças,  tal como se vê nos versículos 5, e 7 a10 deste capítulo, em forma verbal ou nominal. O propósito dos testes e das tribulações é a nossa disciplina; e a disciplina forma filhos dignos da família divina. Nada há de fútil ou de arbitrário nessa questão.HOMERO dizia:

Sê sábio, e que teus vinhos fluam claros,

E saudarás cada ano tão passageiro

E moderarás o jogo ilusório da esperança:

Enquanto falamos, nossa vida se esvai;

Desfruta dos momentos, enquanto voam;

E não confies nos dias distantes.

            Mas a resposta dada a isso pelo autor sagrado é: Confia nos dias distantes, e sabe que a vida é importante como uma escola de treinamento, como um curso disciplinador. Reveste-te de um correto ponto de vista sobre essa disciplina, e conserva uma atitude correta. A promessa da fé não pode falhar.

…COMO FILHOS… Essa é a chave que nos permite entender a secção inteira. O que acontece é o amoroso cuidado do Pai celeste, o qual sabe o que é melhor para os Seus filhos. A disciplina ajuda-nos a transformar-nos segundo a imagem do Filho, para que participemos de Sua natureza (ver II Coríntios 3:18 e Romanos 8:29), pelo que também ela não deve ser repelida, pois faz parte necessária de nossa salvação.

…QUE FILHO HÁ A QUEM O PAI NÃO CORRIGE… A disciplina paterna é sinal e confirmação da filiação, um acompanhamento necessário das relações entre pai e filho. Cada pai disciplina a seus próprios filhos; outros pais disciplinam seus filhos, e eu disciplino os meus. Se somos disciplinados por nosso Pai Celeste, isso evidencia que somos Seus filhos (ver João 8:42 e Romanos 8:15).

VERSÍCULO 8

            “Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos”. Se os leitores da epístola quisessem fazê-lo, poderiam retornar ao redil fácil da sinagoga. Assim evitariam as críticas e hostilidade de seus ex-amigos, que se tinham voltado contra eles por se terem tornado cristãos. Em suma, poderiam evitar toda a sorte de dificuldades e tribulações que sua nova fé lhes impusera. Porém, cessada a tribulação, diz o autor sagrado, que seus leitores entendessem que tinham perdido sua filiação, pelo que não mais eram alvo da correção paterna.  O autor sagrado, portanto enfatiza o fato que “todos” os verdadeiros filhos de Deus participam da disciplina, que é sinônimo de sofrimento e tribulação; e isso nos permite supor que tais experiências funcionam como medidas disciplinadoras.

…BASTARDOS… No grego tem,os o termo nothos, um filho que é produto de uma relação adúltera, um filho ilegítimo. A prova da legitimidade se acha no fato que o crente está sendo sujeito ao sofrimento e à disciplina. Alguns, poderiam imaginar, totalmente, que os verdadeiros filhos de Deus são isentos das dificuldades.

Mas o autor sagrado responde com um incisivo ! Não”. Antes, o que o corre é exatamente o contrário. Aqueles que não são atribulados são os que não trazem as marcas de serem filhos de Deus.

            “A liberdade de disciplina, de que participam, a qual Deus impõe uniformemente a Seus filhos, comprova que não são filhos de Deus”.

            O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que ama, cedo o disciplina” (Provérbios 13:24). “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas  a ponto de matá-lo” (Provérbios 19:18). “Não retires da criança a disciplina, pois se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Provérbios 29:15).

“Visto que não ser disciplinado é prova de que esse alguém é filho bastardo, devemo-nos regozijar debaixo da correção, como sinal de nossa genuína filiação” (Crisóstomo).

            É um fato sociológico que as crianças ilegítimas, em que não se sabe quem é o pai, com freqüência são criadas sem disciplina, tendendo a crescer como delinqüentes, voltando-se muitas vezes para o crime como meio de vida.  O pai consciente, portanto, disciplinará seu filho, a fim de que lhe evite as armadilhas do pecado e da degradação.

VERSÍCULO 9

            “Além de que tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?” O autor sagrado mostrara que a disciplina e o treinamento infantil (tribulações, tristezas, acontecimentos negativos, provas, acompanham, naturalmente, a relação entre pai e filho; e isso é abundantemente demonstrado pelas relações terrenas. Agora ele passa a mostrar que se há valor e razão na disciplina paternal terrena, muito mais deve haver na celestial; e os versículos 9 e 10 deste capítulo comparam e contrastam a disciplina dos pais terrenos com a disciplina de nosso Pai celeste. Um pai terreno, mesmo que seja normalmente consciente, algumas vezes pode ser exagerado na severidade egoísta. Contudo, se usualmente ele é honesto no trato com seus filhos, estes o respeitarão a despeito de suas falhas. Em contraste com isso, nosso Pai celeste nunca é exagerado e nem egoísta. Portanto, quando deveríamos respeitá-lo? Algumas vezes um pai terreno faz uma coisa meramente porque quer fazê-la ou quer agradar a si mesmo, sem nenhuma consideração pelo bem-estar de seu filho; mas o Pai celeste jamais age desse modo, pois Ele é a essência do amor, bem como a fonte originária de todo o amor autêntico que se manifesta no mundo (ver I João 4:8).

…QUE NOS CORRIGIAMOS, E OS RESPEITÁVAMOS…  O autor sagrado dá a entender que a tendência dos leitores era desviarem-se, caindo na indiferença, na rebeldia ou na apostasia, por causa das tribulações que lhes sobrevêm como crentes, e também não respeitarem ao Pai celeste. E mesmo que assim não fosse, tinham entendido totalmente errado as razões para suas tribulações, não vendo nelas a mão de Deus. Um filho razoável não abandona seu lar, não perde o respeito por seu pai, pois sabe que a disciplina paterna visa seu próprio bem.

“A comparação é entre o respeito dado a um pai humano e falível, e que se origina de uma relação natural ou que se origina do temor, e a completa sujeição ao nosso Pai divino”.

…PAI DOS ESPÍRITOS… Isso é dito para fazer contraste com os homens que são pais segundo a carne. Ao homem se pode atribuir a existência terrena; e, por causa disso, aos pais se confere certa autoridade a que os seus filhos se devem sujeitar. Mas a Deus se atribui a porção espiritual do homem, pois ele é nosso Criador e Pai. Em outras palavras, Deus mantém a relação de pai-filho para com os espíritos por Ele criados. É nesse nível “espiritual” que entramos em contacto com Deus e com Ele temos estacionamento, quer dizer, relacionamento; e visto que a alma é eterna, e essa relação é mais importante e duradoura que as relações físicas que mantemos com nossos pais terrenos, isso exige muito maior respeito de nossa parte a Deus do que a nossos pais na carne.

Repelir a disciplina divina, à vista disso, desprezarmos a mesma e nos rebelarmos contra ela, é mostrar desrespeito para com o nosso Pai que está nos céus.

VERSÍCULO 10

            “Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade”. Um bom pai, quando muito, pode treinar seus filhos por tempo bem limitado, e somente de acordo com a fraquíssima sabedoria humana.

Algumas vezes essa sabedoria falha, e um homem pode disciplinar a um filho seu de maneira egoísta e imperfeita, sem qualquer razão ou amos. Mas isso jamais pode ocorrer no caso dAquele que nos corrige lá dos céus, porquanto não conhece limites de tempo e nem lhe falta sabedoria, e nem jamais é motivado por fatores que não tenham o amor como seu centro.

…POR POUCO TEMPO… Isso serve para fazer contraste coma idéia do versículo 9, que diz que temos um Pai espiritual e eterno que cuida de nós. Sua sabedoria, ou melhor, Sua disciplina tem uma significação eterna. A sujeição a Deus e a v ida eterna são inseparáveis companheiras. Em contraste com isso, a disciplina de um pai terreno é tanto temporal como envolve, essencialmente, questões terrenas.

Um pai terreno recebe autoridade sobre seus filhos durante o período de sua meninice e juventude. Ao atingirem eles certa idade, legalmente, embora o filho continue sendo seu, toda a ajuda que um pai pode dar se resume a conselhos e sugestões, e não a “imposições, de um superior a um submisso. Todavia, a disciplina correta, embora por pouco tempo, tem seu valor; e os homens geralmente reconhecem esse fato. Não há neste versículo qualquer idéia que esse “tempo curto” se aplica à disciplina de Deus. Pois, segundo certo ponto de vista, a disciplina divina sempre será a disciplina orientadora que nos será aplicada, pois não haverá fim possível no progresso espiritual (ver Efésios 3:19), ainda que, na eternidade futura, podemos supor, essa disciplina não nos será aplicada, pois não haverá fim possível no progresso espiritual (ver Efésios 3:19), ainda que, na eternidade futura, podemos supor, essa disciplina não nos será aplicada através de tribulações e provações, e, sim, mediante lições positivas de desenvolvimento espiritual, OBTIDO MEDIANTE o serviço espiritualmente prestado.

…SEGUNDO MELHOR LHES PARECIA… Essa tradução dá o máximo crédito aos pais terrenos. Dá a entender que um pai terreno pode incorrer em erros, mas, pelo menos, aplica a correção segundo a sabedoria que possui, devendo ser respeitado por essa razão. Mas há versões que dizem “a seu talante”, ou tradução similar, a qual indica que um pai às vezes age egoisticamente, por arbitrariedade.

Seja como for, Deus é visto como um pai infinitamente melhor, com propósitos muito superiores à Sua disciplina. Sua sabedoria não conhece limites, e nem Ele age jamais de modo arbitrário ou injusto. O grego fornece a primeira dessas idéias, mas, mesmo assim é evidente que aquilo que “às vezes parece bem para um pai terreno, nem sempre o é necessariamente. Ele pode cair em faltas. Mas o nosso Pai celeste jamais se enganará.

…PARA APROVEITAMENTO…  Isso é contrastado com a frase, “segundo melhor lhes parecia”. O que parece melhor para um pai terreno, não é necessariamente o “melhor” para o filho, embora tenha esse desejo. Porém, à disciplina aplicada por Deus jamais faltará o elemento da “vantagem” para Seus filhos. O “proveito” em foco é, essencialmente, espiritual e eterno, segundo o versículo 9, ao ser dito que nos conduz  à “vida”. Porém, também podemos estar certos de que Deus cuida de nossos interesses terrenos. Certamente nosso progresso espiritual, neste mundo, está em foco; mas isso é apenas aquilo que nos leva ao bem-estar eterno.

…A FIM  DE SERMOS PARTICIPANTES DA SUA SANTIDADE…   Agora aprendemos que uma das principais funções da disciplina de Deus (que nos é dada mediante tribulações e sofrimentos) é a purificação.

Outrossim, ela também visa a formação das qualidades morais positivas de Deus em nós. Isso é feito quando o Senhor “queima” a escória que há em nossas vidas, mediante o sofrimento. E assim, o c rente recebe as lições necessárias, na sua própria vivência, para que venha a possuir as virtudes espirituais. A santidade consiste em muito mais do que da “ausência do pecado”, embora tantos reduzem-na a somente isso. Pois também consiste em sermos justos e bons como Deus é.

O Espírito Santo, ao transformar-nos segundo a imagem de Cristo, primeiramente nos transforma no aspecto moral; e essa transformação realmente altera no aspecto moral; e essa transformação realmente altera a essência de que se compõe a nossa natureza, até chegarmos a possuir o tipo de vida e a natureza do próprio Senhor Jesus. É nisso que consiste a salvação. O trecho de Romanos 3:21 mostra-nos que somente a possessão do tipo de justiça de Deus, é que conduz um homem à presença de Deus.  O Senhor Jesus, em Mateus 5:48, ordenou que tivéssemos a “perfeição” na santidade. O trecho de Hebreus 12:14, mostra-nos que, sem essa santidade perfeita, ninguém jamais poderá ver a Deus ou habitar em Sua presença. Por conseguinte, calcule-se a importância da disciplina! Esse é um dos fatores primários, que nos infundem a própria natureza moral de Deus. A passagem de Gálatas 5:22,23, mostra-nos que é a operação do Espírito Santo que nos propicia a natureza moral de Cristo; e essa natureza moral é igual à natureza moral de Deus Pai.  Ele mostra-nos como é a natureza moral do Pai, e como é possível a um homem remido vir a compartilhar da natureza moral de Deus. “O que isso significa está além da capacidade de imaginação da mente – sim, está além dos desejos do coração (referindo-se à participação na santidade de Deus). A verdadeira fé acha-se nisso – confiarmos em Deus de que Ele será fiel, até à morte – sim, está além dos desejos do coração (referindo-se à participação na santidade de Deus). A verdadeira fé acha-se nisso – confiarmos em Deus de que Ele será fiel, até à morte; sabendo que as questões da vida e da morte estão em Suas mãos, nas mãos d’Aquele que prometeu: !…dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10).

VERSÍCULO 11

            “E na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela”.

            O autor sagrado não afirma que a disciplina seja agradável; mas a verdade é que o prazer não é o alvo da vida, segundo pensam os hedonistas, e segundo demonstra a maioria das pessoas, com o tipo de vida que têm. O autor sagrado não prometeu a seus leitores uma ornada fácil e agradável, na inquirição espiritual.  Antes, indicara que o caminho fácil indicaria que na realidade não seríamos filhos do nosso PAI celeste. A aspereza do caminho visa o nosso próprio bem, ainda que não o nosso aprazimento. O viajor que se dirige a uma cidade distante e rica talvez encontre muitas dificuldades e tristezas no caminho, que o farão sofrer e entristecer-se. Ao invés de dar-lhe prazer; mas há, realmente um prazer celestial em morar nos lugares celestiais, que compensará infinitamente a agonia da viagem (ver Romanos 8:18).

…Momento… isto é, a ocasião em que a disciplina tem lugar, e não o momento desta vida breve. Haverá muitos momentos de agonia, que não nos dará prazer – podemos ter a certeza disso.

…Mas de tristeza… È falsa aquela doutrina que diz que quem aceita a Cristo como seu Salvador tem resolvido todos os seus problemas, nada mais impedindo a sua perene felicidade na terra. A experiência humana demonstra abundantemente a falsidade de tal conceito. A história da vida de certos crentes consiste em pouco mais do que uma crônica de acontecimentos entristecedores. Isso envolve o problema da dor e o problema do mal.

Não há explanações fáceis e satisfatórias para alguns acontecimentos difíceis e tristes. Cremos apenas que podem cooperar para o nosso bem, e que um Deus amoroso não deixa de dar atenção ao que nos sucede. Bem pelo contrário, Ele tem um propósito para tudo quanto permite que nos aconteça. Alguns acontecimentos entristecedores são “retributivos”. Somos levados a saldar nossas dívidas, devido à vida descuidada e pecaminosa, quer nesta vida terrena, quer nas esferas anteriores à presente existência. Alguns outros acontecimentos são estritamente “instrutivos”, e não se devem a qualquer dívida moral que precisamos saldar.

…FRUTO PACÍFICO…FRUTO DE JUSTIÇA…  Temos aqui a reiteração das idéias do versículo 10 – a disciplina confere-nos a santidade de Deus. Neste ponto a santidade é encarada como um fruto pacífico (como também se dá no caso das qualidades morais aludidas em Gálatas 5:22,23). Possuímos juridicamente a santidade, isto é, mediante o decreto de Deus, o qual declara que estamos perfeitos em Cristo. Mas é obra do Espírito Santo insuflar em nós essa mesma retidão, que nos transforma moralmente. O “fruto” é produto da vida e do desenvolvimento; pelo que, espiritualmente falando, nosso avanço na espiritualidade se deriva da vida do Espírito Santo vivida em nós, o que nos propicia a vida do próprio Deus.

            Esse fruto nos confere a “paz”, em contraste com o conflito inerente nas tribulações e tristezas da vida. E, segundo nos afirma o autor sagrado, a paz finalmente reina. A intranqüilidade e a dor serão substituídas pela calma de uma correta relação com Deus. Eventualmente, a santidade aquieta as águas turbulentas da vida humana, pondo os salvos em harmonia com a santidade de Deus. Os céus são caracterizados pela paz e harmonia porque ali se faz ausente a discórdia da imperfeição e do mal, “… é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tiago 3:18). Os verdadeiros pacificadores são aqueles que propagam a retidão; por detrás da tribulação, do conflito e da violência sempre haverá alguma injustiça, algum egoísmo, algum pecado.

…POR ELA EXERCITADOS… A disciplina e a tribulação fazem com que a escória do pecado se queime.  O crente precisa ser disciplinado pela santidade; e o resultado disso é a paz de alma e a reconciliação com Deus (ver Colossenses 1:20). Até mesmo em meio a este mundo atribulado, a alma pode desfrutar de paz, pois isso depende de uma correta condição da alma, e não das circunstâncias. A paz é um dos aspectos (graças) do desenvolvimento espiritual, produzido pela comunhão espiritual com o Ser divino (ver João 14:27 e 16:33), sobre o tema da “paz.

É provável que ao usar a palavra exercitar,tivesse em mente a figura do atletismo. O atleta bem-sucedido é aquele que se exercita amplamente, que está bem preparado e treinado. A vida espiritual também é um exercício; e isso, só haverá fraqueza e incapacidade. Grande parte desse exercício consiste na “disciplina” necessária, mediante as tribulações e as tristezas, que fazem parte integrante da experiência da inquirição espiritual. Nos jogos atléticos da antigüidade, era posta uma grinalda de ramos de oliveira, emblema tanto da paz como da vitória, sobre a cabeça dos vitoriosos. Assim também o crente, santificado mediante o exercício da disciplina, finalmente vem a repousar em espírito, primeiramente aqui, e então na eternidade. O conflito resulta em paz; mas aqueles que se recusam a combater dificilmente poderão conseguir paz.

VERSÍCULO 12

            “Portanto tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados”.

…POR ISSO… Porque a disciplina, por meio do sofrimento, é uma necessidade; e também porque serve introduzir-nos à santidade e à transformação segundo a imagem de Cristo. Sim, convém que ergamos as mãos descaídas e fortaleçamos os joelhos enfraquecidos, mediante o desenvolvimento espiritual positivo, o que nos conduzirá através da crise de dúvida e desvio.

…RESTABELECEI AS MÃOS DESCAÍDAS…  O verbo grego é anorthoo, que significa “reconstruir”, “erigir”. O mesmo vocábulo grego é usado em relação Às mãos e aos joelhos. As mãos aparecem descaídas porque a pessoa envolvida foi de tal maneira dominada pela fraqueza que não é capaz de erguer os braços.

O ator sagrado, pois, como que exorta: “Insuflai forças em vós mesmos. Não andeis como fracalhões, que quase não podem mexer o corpo. Buscai o poder de Deus para essa crise de desvio e indiferença. E fortalecei vossos joelhos fracos, que tremem”. A metáfora baseada na fisiologia, pois, pinta um  corpo dominado por tremenda fraqueza. Tal pessoa precisa de ajuda, para recuperar as forças. Essas forças espirituais e morais nos são conferidas através da santidade; pois esta  restaura a saúde da alma, a qual se torna espiritualmente forte, capaz de resistir aos ataques do adversário. A solução que o autor sagrado oferece para o problema da fraqueza espiritual, segundo se vê na passagem de Hebreus 5:11 e seguintes, era que sacudissem de si seu embotamento e sua letargia espirituais, através do progresso no aprendizado e nas experiências cristãos, deixando os primeiros princípios dos oráculos de deus e prosseguindo em seu desenvolvimento espiritual. Convinha que viessem a participar do “alimento sólido”, deixando de se alimentarem exclusivamente de “leite”.

Trata-se apenas de outra maneira de se dizer que o crente deve desenvolver-se no conhecimento das realidades espirituais, utilizando-se dos meios disponíveis do estudo das Escrituras, da meditação, da oração e da busca pelo Espírito Santo e por seus dons e influências orientadoras. Isso será medicamento de potência suficiente para contrabalançar a fraqueza espiritual.

            Evidentemente essa exortação se baseia sobre o trecho do profeta Isaías 35:3,4, que consiste de palavras encorajadoras, dirigidas à nação de Israel, para que enfrentassem as perseguições movidas por seus inimigos, e confiassem no livramento divino. Profeticamente, essa passagem parece aplicar-se às bênçãos do reino, que serão propiciadas ao povo de Israel, novamente reunido.

Então o coxo saltará como um veado adulto, a língua do mudo entoará cânticos, a terra ressecada se transformará em mananciais de águas, os olhos dos cegos verão, e ribeiros correrão no deserto. Será a restauração espiritual em sua forma mais ativa. Os soldados da cruz não podem ser tão fracos que seus joelhos se

Verguem e que suas mãos pendam de exaustão. Antes, precisam proteção, e então para que sejam úteis aos seus semelhantes.

– Consideremos pessoas santificadas como Frances Ridley Havergal, que nunca viu um bom dia, mas cuja devoção ao Senhor encheu a Igreja!

Houve uma mulher assim em Chicago, a senhora FRED SOUKUP, que agora está com Cristo. Por muitos e muitos anos ela esteve num leito, incapaz até mesmo de levantar a mão para alimentar-se! Mas vinham crentes de todos os lugares para ouvir suas palavras de louvor, e contemplar seu rosto celestial!

(NEWELL que salienta que um crente, mesmo que possua um corpo fraco, pode ser poderoso em espírito, de modo a cumprir a exortação constante deste versículo).

Movimentai-vos entre as fileiras, lembrai-vos

Dos errantes, refrigerai aos exaustos…

Preenchei os hiatos em nossas fileiras,

Fortalecei a linha que cambaleia,

Firmai-vos, continuai a vossa marcha,

Continuai até a fronteira do desperdício,

Continuai, até a cidade de deus. (MATHEW ARNOLD).

            Um crente não deve preocupar-se com seu fortalecimento espiritual somente, mas também deve ser um elemento saudável na igreja, que sirva para fortalecer a outros crentes.

VERSÍCULO 13

“E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente, antes seja sarado”.

            O autor sagrado cita Provérbios 4:26, na Septuaginta (tradução do hebraico original do Antigo Testamento, para o grego, feita por setenta sábios, antes da era apostólica). O texto hebraico diz “cortar através”, como que atravessando uma vereda, mas a versão grega diz “fazer veredas retas”, em contraste com veredas tortuosas, embora alguns entendam como “veredas direitas” em contraste com “veredas erradas” ou “obscuras”. Por implicação, isso pode incluir a idéia de veredas “suaves”, pelas quais se possa caminhar facilmente, por serem destituídas de obstáculos e curvas perigosas.

…PARA OS VOSSOS PÉS  Que os crentes fizessem veredas retas e suaves para seus pés, e não haveria ocasião para tropeçarem ou se desviarem do caminho certo. Os “mancos”, ou seja, os espiritualmente fracos, ou que possuem menos conhecimento e experiência, são hesitantes; mas, fortalecendo-se, seriam capazes de palmilhar o caminho sem quedas, dúvidas e temores. Os mancos, se continuassem andando habitualmente no caminho reto, teriam corrigido os seus defeitos, fortalecendo-se. E então caminhariam com confiança e forças. Porém, tudo dependeria de como o caminho foi preparado para eles. Isso fala do treinamento de crentes mais fracos, em que devemos ter o cuidado de não por obstáculos em seu caminho, espiritualmente falando.

…SE EXTRAVIE… Isso pode significar “tirar da junta”. Aqueles membros mancos, se encontrassem obstáculos difíceis, teriam piorado sua situação e ficariam como que “deslocados”, isto é, sua situação se agravaria e ficariam ainda menos capazes do que antes de andar corretamente.

A FIGURA DO ANDAR, como descrição da experiência espiritual, é tremendamente comum nos escritos sagrados e profanos da antiguidade. O ato de andar consiste de uma progressão, passo a passo, e o andar é dirigido em uma certa direção, através de um caminho. Além disso, há o alvo a ser atingido, um lugar onde se quer chegar. Todos esses elementos sugerem-nos lições espirituais.

O andar é facilitado pela saúde, e é entravado pela fraqueza. Uma boa vereda precisa ser preparada: é preciso o indivíduo ter objetivos corretos, ter verdadeiros princípios espirituais para seguir. Para atingir o alvo, a pessoa precisa progredir mediante a melhoria gradual. A própria viagem exige atenção, propósito e a permanência na vereda certa.

            “Fazei veredas suaves e uniformes, de modo que os membros dos mancos não sejam deslocados em buracos e abismos.  Fazei tudo para evitar agravar as fraquezas dos irmãos na fé. Antes, procurai curá-las. O ´cholom´ (manco), pode referir-se a algum indivíduo ou a uma seção da igreja local, que se mostrava fraca e vacilante” (Vincent).

            A palavra “manco” indica a posição da igreja que hesitava entre o cristianismo e o judaísmo; que corresponde aos romanos “fracos”. Deveríamos notar que o escritor sagrado continuava com a idéia de uma carreira na mente. A preparação de uma vereda reta, diante de todos, visava não se desviarem do caminho e nem perderem, o prêmio” (ALFORD).

Eles mitigavam lábios secos,

E à vontade que desmaiara, soergueram…

E os membros que tinham pendido,

Tinham retificado e estabelecido.

            Creio que ninguém está interessado em experimentar a disciplina do Senhor. Para que possamos evitar essa experiência, só há um meio: A VIDA DO CRENTE EM ÍNTIMA RELAÇÃO COM O ESPÍRITO SANTO.

Até aqui, o estudo dessa doutrina, foi baseado na obra: O Novo Testamento Interpretado” – Versículo o versículo – de RUSSELL NORMAN CHAMPLING. PH.D.

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            Sobre o meio: A vida do crente em íntima relação com o Espírito Santo, valemo-nos de um a lição da escola Dominical da Igreja Batista, redigida pelo irmão RAPHAEL ZAMBROTTI.

O ESPÍRITO SANTO E A SANTIDADE DE VIDA

            É o Espírito Santo quem convenceu o crente do pecado e, conseqüentemente, da necessidade de salvação (João 16:8); também é o Espírito quem regenera o crente (João 3:5), sela-o como propriedade de deus(II Coríntios 1:22), garante-lhe, como penhor, a posse da herança que lhe está prometida (Efésios 1:14), batiza-o no corpo de Cristo (I Coríntios 12:13), dá-lhe o testemunho de que é filho de Deus (Romanos 8:16), habita no crente, fazendo dele o seu tabernáculo (I Coríntios 6:19).

SANTIDADE – UMA EXIGÊNCIA DIVINA

            Santidade não deve ser apenas uma bela palavra na linguagem bíblica. Deverá tornar-se uma realidade na vida do crente, porque assim deus o exige. Citando Levítico 20:7, o apóstolo Pedro exorta os crentes à santidade, escrevendo-lhes: “Sereis santos, porque eu sou santo” (I Pedro 1:16). Este é o apelo de Deus. Temos de agir de um modo digno de Deus com quem afirmamos

Ter comunhão. Se uma pessoa se coloca diante de uma fogueira, não pode permanecer fria. Se nos pomos em comunhão com Deus, em completa submissão a Ele, havemos de trilhar o caminho que nos leva ao sublime ideal da santidade de vida.

            A santificação é fruto do trabalho do homem e de Deus. Só a alcançaremos se realmente a desejarmos e a buscarmos. Apenas com nosso esforço pessoal não podem,os alcançá-la.

É a ação divina do Espírito Santo no coração do crente que o conduzirá a esse glorioso estado. Santidade é um atributo pessoal de Deus. Pela comunhão com Deus o crente a recebe. Procurando elevar-se às alturas em que deus está, o crente vai escalando pouco a pouco, os degraus dessa ascensão sublime.

Em Hebreus 12:14 lemos: “Segui…a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus”. Não se consegue a santificação num instante. É obra para toda a vida. Diante de cada crente está a figura máxima, o motivo inspirador, o varão perfeito, que é Cristo, o Senhor. Ele é a razão pela qual a nossa existência deve transformar-se, dia a dia, na maior semelhança de Sua pessoa. Por isso, o apóstolo Pedro nos adverte: “Santificai em vossos corações a Cristo como Senhor” (I Pedro 3:15).

SANTIDADE – UMA NECESSIDADE HUMANA

            Fomos regenerados quando aceitamos Jesus Cristo pela fé em nossos corações. Logo em seguida o Espírito Santo veio habitar em nós para começar a esplêndida obra da santificação de nossas vidas.

Não nos admiramos, pois, que o apóstolo Paulo se dirija aos crentes de Corinto chamando-os de santos, quando lhes diz: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios 3:16). É a presença de Deus que produz a santidade. Realmente santo só existe um ser em todo o universo. Nunca seríamos santos sem a atuação de Deus em nós. Podemos apreciar a esplendorosa luz do sol que penetra num aposento, embora isso só aconteça quando abrimos as janelas. Mas a luz não pertence ao aposento, embora este seja iluminado por ela. Quando as sombras da noite cobrem a luz do sol, o aposento está em trevas. Só é iluminado enquanto o sol está nele.

            Assim é a santidade; não é propriedade nem atributo de qualquer pessoa. É a glória de Deus morando no c rente. Santo é aquele em quem o Espírito de Deus faz habitação. O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, disse: “Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle” (Romanos 8:9).

Carne e espírito estão em campos opostos. São como os pólos do universo moral. A pessoa que está sob o controle da carne, preocupa-se continuamente com a satisfação de seus desejos pessoais. Se, porventura, sente impulsos para a vida espiritual, falha, porque não tem forças para isso. Sua maneira de viver é uma demonstração de hostilidade a Deus. Tal não acontece, entretanto, com a pessoa que se subordina à liderança do Espírito Santo. Seu desejo é conhecer e fazer cada vez melhora vontade de Deus. Esta maneira de viver alcança o verdadeiro significado da vida na sua mais elevada expressão.

            No Novo Testamento grego há duas palavras que são traduzidas por templo na língua portuguesa; uma é usada para designar o átrio, e, a outra, a parte que ficava encoberta pelo véu – o lugar santíssimo. Quando o apóstolo Paulo fala do crente como templo de deus, usa a palavra que é traduzida mais corretamente por santuário”, porque ele quer dizer que o crente é o “lugar santíssimo” em que habita o Espírito de Deus (I Coríntios 3:16; 6:19). O coração do crente é um altar. É, pois, um lugar sagrado. Pouco pensamos na dignidade que isto representa para nós, e nas obrigações que assumimos diante de deus. Em Atos 19:35 Lucas registra que o escrivão, quando procura acalmar o povo que se amotinara contra Paulo e seus companheiros, referiu-se à cidade de Éfeso como “a guardadora do templo da grande deusa Diana”. A palavra traduzida por “guardadora” significa “a que zela pela limpeza do templo”. O verdadeiro sentido é que, se Éfeso foi honrada porque nela se estabeleceu o altar da deusa Diana, sentiam-se os efésios privilegiados pela função de “zeladores” desse templo. Se para os pagãos isso provocava esse tipo de reação em relação ao culto idólatra, que dizer da reação do crente que foi transformado no santuário em que habita o Espírito do Deus vivo?

A SANTIDADE E A LUTA DO CRENTE

            O fato de o Espírito habitar numa pessoa não quer dizer que ela jamais peque. Significa que ela tem de submeter-se á direção do Espírito.

Tal pessoa continua sujeita à tentação, embora seja uma criatura diferente. Não tem apenas um novo poder, mas é também dotada de novos propósitos, novos motivos, novos interesses e novos desejos, que nela se implantaram pelo Espírito Santo. Mas o crente não é só espírito. Os impulsos espirituais despertam nele os desejos de realizar os propósitos de deus. Enquanto, porém, estiver neste mundo, está sujeito a uma outra força que o arrasta para baixo. Há uma luta permanente do espírito contra a carne (a natureza humana), e da carne contra o espírito. É isto que leva o crente a ser humilde e dependente de deus. Por suas próprias forças, ele estará irremediavelmente perdido nesse conflito.

            Paulo falou de sua própria experiência quando disse: “…o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço …Segundo o homem interior, tenho prazer na lei de deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra alei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros” (Romanos 7:15,22,23). Foi bom que Paulo usasse essa linguagem tão franca. Todos os crentes passam por essas mesmas lutas. Sem esta afirmação talvez pensássemos que tais coisas só acontecem conosco. Sabemos que os mais santos e operosos servos de deus têm os mesmos conflitos espirituais. Tais conflitos são inevitáveis no processo da santificação da vida.

Um dos efeitos do pecado na vida humana foi a separação dos poderes da personalidade.  Raciocinamos direito, sabemos o que é certo e desejamos fazer o bem; a nossa vontade, porém, não executa o que queremos. Esta luta só existe no crente. O incrédulo não a sente, porque normalmente se inclina para a carne. O crente, não obstante a luta, recebe do Espírito Santo o poder para que a vida reflita a sua submissão a Deus. Liberto do pecado pelo poder de deus, o crente é guiado pelo Espírito Santo, que lhe aponta novos padrões de vida moral e espiritual.

CONCLUSÃO

            Humildemente devemos reconhecer que há muita coisa em nós que deve ser corrigida para alcançarmos o ideal de santidade que Deus tem estabelecido para nós. Se nós não procurarmos com o poder do Espírito corrigir o que está errado, é certo, como filos de deus que somos, que a correção do Senhor será aplicada.

            É preferível endireitar os nossos passos no amor do que pela dor, que certamente irá sobrevir. É mister que nos convençamos de que Deus não rebaixa os Seus alvos. Os teremos que subir para atingi-los. Vimos que a santificação é progressiva. Difere da conversão, que é instantânea. Convenhamos, porém, em que tal progresso exige a colaboração do crente com o Espírito Santo, o que vale dizer que implica na entrega e plena submissão do crente ao Espírito Santo.

Não proceder de modo que entristeça o Espírito que, como uma luz, ilumina o nosso entendimento na compreensão da Palavra de Deus (I Tessalonicenses 5:19); andar pela orientação do espírito (Gálatas 5:16); enchermo-nos com o Espírito (Efésios 5:18), são algumas das condições essenciais ao nosso progresso em santidade. Quando dizemos que a santificação é progressiva, não queremos dizer, de modo nenhum, que ela seja inevitável se não nos entregarmos ao Espírito para que Ele opere em nós a Sua obra.

 

 

EBENÉZER !!!!!