Os Cinco Juízos

 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo
 
CAPÍTULO 5.V

 

V – OS CINCO JUÍZOS

 

            A expressão juízo geral, que tão freqüentemente encontramos na literatura religiosa, não tem qualquer fundamento nas Escrituras, e o que é mais importante, é que a idéia contida nessa mesma expressão não se encontra em sãs páginas sagradas.

            O Dr. PENTECORT escreve, aliás muito bem: “Por uma mera tradição perniciosa, o Cristianismo tem apresentado o Juízo como um grande evento que se consumará no fim do mundo, quando todos os seres humanos, santos, pecadores, judeus e gentios, vivos e mortos, terão de comparecer perante o Grande Trono Branco para serem julgados. As Escrituras, entretanto, não ensinam semelhante doutrina, mas se referem a cinco juízos, que diferem um do outro sob quatro aspectos gerais:

            a) – os que vão ser submetidos ao juízo;

            b) – o local do juízo;

            c) – a época do juízo e

            d) – o resultado do juízo.

1. O JUÍZO DOS CRENTES

            Os pecados dos crentes já foram julgados.

            Época: A.D. 30

            Local: A cruz do Calvário.

            Resultado: A morte de Cristo: justificação para o crente.

            “E levando Ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, onde o crucificaram (João 19:17,18).

“Levando Ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (I Pedro 2:24). “Porque também Cristo padeceu uma só vez pelos pecados, o Justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (I Pedro 3:18). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gálatas 3:13).

“Aquele que não conheceu pecado, Ele (Deus), o fez pecado por nós para que nele (Cristo) fôssemos feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5:21). “Mas agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou para aniquilar o pecado pelo sacrifíciode si mesmo” (Hebreus 9:26).

            “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1). “Na verdade, na verdade, eu vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entrará em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5:24).

            A palavra traduzida  por juízo nessa passagem (condenação nas versões atuais) é a mesma que aparece em Mateus 10:15; Hebreus 9:27; II Pedro 2:4;

Paulo, em II Coríntios, usa uma outra palavra bem diferente dessa, para referir-se ao juízo de nossas obras como crentes.

2. O JUÍZO DO PECADO NO CRENTE

            ÉPOCA: a qualquer momento.

            LOCAL: em qualquer lugar.

            RESULTADO: castigados pelo Senhor, se nós julgarmos a nós mesmos.

“Porque se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas quando somos julgados, somos castigados pelo Senhor para não sermos condenados com o mundo” (I Coríntios 11:31,32). “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho á que o pai não corrija?” (Hebreus 12:7).

Ver também: I Pedro 4:17; I Coríntios 5:5; II Samuel 7:14,15;

                        II Samuel 12:13,14; I Timóteo 1:20.

3. O JUÍZO DA CONDUTA OU DAS OBRAS DO CRENTE

            Época: quando Cristo voltar.

            Lugar: “no ar”

            Resultado: para os crentes – “recompensa ou detrimento; “mas o tal será

                                                          será salvo” I Coríntios 3:14,15.

            É glorioso sabermos que Cristo levou em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados; que Deus fez um concerto conosco, “pelo qual jamais se lembrará dos nossos pecados”, Hebreus 10:17 e que, não obstante, todas as nossas obrasentrarão em juízo. A vida e as obras do crente devem ser revistas pelo Senhor.

            “Pelo que muito desejamos ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes. Porque todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (II Coríntios 5:9,10).

            “Mas tu, porque julgas o teu irmão? Ou tu, também, porque desprezas o teu irmão? Porque todos nós havemos de comparecer perante o tribunal de Cristo” (Romanos 14:10)”

            Convém notar que todas essas passagens, segundo o contexto, se referem aos crentes. Primeiramente, o Apóstolo fala de nós, como estando em um dos dois estados: presentes ao corpo e ausentes do Senhor e presentes ao Senhor e ausentes do corpo; palavras essas que amais podem ser aplicadas aos descrentes. “Pelo que muito desejamos estar presentes ao Senhor, porque todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo” etc (II Coríntios 5:8-10).

            Na outra passagem, Romanos 14:10, as palavras irmão e nós também se referem exclusivamente aos crentes. O Espírito Santo nunca confunde os salvos com os perdidos. Então, para que não pareça impossível que um santo purificado pelo sangue de Cristo seja submetido a qualquer juízo, Paulo apresenta o testemunho de Isaías, que diz: “pela minha vida, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará diante de mim…” e acrescenta: “De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Romanos 14:11,12).

            A seguinte passagem dá-nos a base do juízo das obras do crente: “Porque ninguém pode por outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Cristo. E se alguém edificar sobre este fundamento, ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará, porquanto pelo fogo será descoberto e o fogo provará qual seja a obra de cada um.

Se a obra de alguém, que edificou sobre ele, permanecer, esse receberá galardão. “Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento, porém o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (I Coríntios 3:11-15).

            Os textos seguintes fixam a época deste juízo:

            “Porque o Filho do homem virá  na glória de seu Pai, com os santos anjos; e entãodará a cada um segundo as suas obras” (Mateus 16:27). “E serás bem-aventurado, porquanto não tem com que te recompensar; porque recompensado te será na ressurreição dos justos” (Lucas 14:14). Ver I Coríntios 15:22,23.

            “De sorte que nada julgueis antes do tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas e manifestará os desígnios dos corações e então cada um receberá de Deus o louvor”  (I Coríntios 4:5).

            É, porém, consolador para nós sabermos que, não obstante tal exame das nossas obras imperfeitas ser inevitável, o Senhor em Seu paciente amor está nos guiando e trabalhando em nós, presentemente, de tal maneira que, a despeito das nossas falhas, possa achar em nós alguma coisa pela qual nos possa louvar.

            “E eis, que, presto venho e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra” (Apocalipse 22:12).

            “Pelo demais, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, Justo Juiz, me dará naquele dia” (II Timóteo 4:8).

            Para o local deste juízo, ver: I Tessalonicenses 4:17 e Mateus 25:24-30.

4 – O JUÍZO DAS NAÇÕES

      Época: O aparecimento glorioso de Cristo: Mateus 25:32; 13:40,41.

            Local: O Vale de Josafá – Joel 3:1,2, 12-14.

            Resultado: uns, salvos; outros, perdidos, Mateus 25:46

            Base: O tratamento os que são chamados por Cristo: “Meus irmãos”  

                       Mateus 25:40,45; Joel 3:3,6-7. Cremos que esses irmãos, serão

                       Os restantes dos judeus que se converterem a Cristo, considerando-

                     O como o seu Messias, durante o período da “grande tribulação”,

                     que se seguirá ao arrebatamento glorioso da Igreja e terminará com

                      o aparecimento glorioso de nosso Senhor, Mateus 24:2-22;

                     Apocalipse 7:14; II Tessalonicenses 2:3-9.

            A prova é por demais longa, para apresentá-la  aqui. É evidente, entretanto, que esses “irmãos” não podem ser os crentes da presente dispensação, pois seria impossível achar tão considerável número de cristãos que ignorem que os serviços de bondade aos crentes sejam realmente prestados ao próprio Jesus.

            No juízo das nações vivas, há alguma confusão com o Grande Trono Branco, de Apocalipse 20:11. Podemos, nos seguintes contrastes, notar a diferença que há entre um e outro juízo:

 

NAÇÕES VIVAS
GRANDE TRONO BRANCO
Não há nenhuma ressurreição
Julgamento das nações vivas
Na terra
Não há livros
Três classes: ovelhas, cabritos e irmãos
Época: quando Cristo voltar
Há uma ressurreição.
Julgamento dos mortos
“Fugiram a terra e o céu”
“Abriram-se os livros”
Uma só classe: os mortos
Época: Depois do reino milenial de Cristo.

 

            Os santos estarão associados com Cristo neste juízo e, assim sendo, não podem ser o objeto deste juízo, I Coríntios 6:2; Daniel 7:22; Judas 14,15.

5 – O JUÍZO DOS ÍMPIOS ATEUS

            ÉPOCA – um determinado dia, depois do Milênio, Atos 17:31;

                             Apocalipse 20:5-7

            LOCAL – perante o “Grande Trono Branco”, Apocalipse 20:11

            RESULTADO: “E aquele que não foi achado inscrito no livro da vida foi

                                       Lançado no lago de fogo”, Apocalipse 20:15

Nota: As Escrituras falam também de um juízo de anjos, I Coríntios 6:3; Judas 6;

         II Pedro 2:4. Em Lucas 22:30 há provavelmente referência aos juízes como

         sobre a Teocracia – uma função mais administrativa do que judicial.

         Ver Isaías 1:26.

            Alguns poderão fica perturbados com a palavra dia em textos como Atos

            7:31 e Romanos 2:16. Ver as seguintes passagens onde dia  significa um

             período longo: II  Pedro 3:8; II Coríntios 6:2; João 8:56. A hora de João,

             já tem mais de 20 séculos.

 

 

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