Um Reino de Glória

 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo
 
 
 
 
UM REINO DE GLÓRIA
 
João 16:1-24
 
 
VERSÍCULO 1
“Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis”. A verdade é que as declarações do Senhor Jesus sobre o divino paracletos (Espírito Santo) se adaptam admiravelmente bem ao contexto, e certamente aumentam o valor da palavra de consolo e orientação, e certamente aumentam o valor da palavra de consolo e orientação que Jesus tencionava dar aos Seus discípulos naquela noite.
            Portanto, não parece haver razões suficientes para pensar que originalmente essas declarações sobre o parácletos não faziam parte dos discursos do Senhor Jesus. Todavia é bem possível que essas declarações tenham sido proferidas também noutras oportunidades, e que o Senhor tenha dito ainda outras verdades concernentes ao Espírito Santo. Nesse caso, as cinco declarações aqui existentes seriam representativas do que Cristo declarou sobre o Espírito Santo, de maneira geral.
            O apóstolo João dá prosseguimento à sua descrição do ódio fanático dos judeus, e usa as palavras da profecia do Senhor Jesus. Porém, quando escreveu, João foi capaz de refletir sobre a verdade de todas as declarações tenham sido proferidas também noutras oportunidades, e que o Senhor tenha dito ainda outras verdades concernentes ao Espírito Santo. Nesse caso, as cinco declarações aqui existentes seriam representativas do que Cristo declarou sobre o Espírito Santo, de maneira geral.
            O apóstolo João dá prosseguimento à sua descrição do ódio fanático dos judeus, e usa as palavras da profecia do Senhor Jesus. Porém, quando escreveu, João foi capaz de refletir sobre a verdade de todas as declarações e dos fatos, do ponto de vista histórico, posto já ter testemunhado, por essa altura, muitas perseguições e mortes de crentes, às mãos daqueles homens supostamente religiosos, mas que, na realidade, eram cheios de ódio, violência e malícia.
Mostravam-se tão audazes a ponto de pensar que suas ações malignas e descontroladas eram um serviço prestado a Deus: dessa maneira moldaram um “deus” segundo a própria imagem deles, fazendo d’Ele um monstro semelhante a eles mesmos. Isso só contribuía para provar que desconheciam totalmente ao verdadeiro Deus, separados d’Ele pela dureza do pecado. Ora, tudo isso faz parte da primitiva polêmica cristã contra a incredulidade da nação de Israel. Os judeus se vangloriavam do conhecimento e das revelações que tinham recebido da parte de Deus; mas, em suas ações, mostravam-se maliciosos e pervertidos. Um homem é conforme age, e não conforme fala, e as ações daqueles judeus incrédulos, comprovaram a maldade deles.
            O Senhor relembrou aos discípulos, desenvolvendo o tema da perseguição que necessariamente teria lugar após a Sua partida deste mundo, que eles não se deveriam deixar surpreender por essa perseguição, que não se deveriam deixar “escandalizar”, o que significa tropeçar, “fazer cair”. Pois poderiam cair no erro de pensar, como sucede com muita gente nos tempos de hoje, que aceitar a Cristo põe fim a todos os problemas e que nenhum verdadeiro discípulo pode ser atingido pelo mal. Bem ao contrário, o Senhor ensinou-lhes que viriam muitos males, desgraças, dores quase insuportáveis e grande desespero. Porém, todas essas aflições seriam necessárias, por estarem preditas, o que mostra os elevados poderes mentais do Senhor Jesus, sinal da autenticidade do ofício messiânico de Jesus, pelo menos para o autor sagrado do evangelho de João. Ora, era idéia judaica comum que o Messias possuiria extraordinários poderes intelectuais, sendo capaz de dar solução a todos os enigmas e de dar resposta a profundas questões teológicas. Indiretamente, portanto, este versículo assume lugar, junto a outros, cuja intenção é comprovar o caráter messiânico de Jesus (Quanto a um resumo de tais argumentos, segundo eles são apresentados no evangelho de João, que são típicos das evidências neotestamentárias sobre a missão messiânica de Jesus, ver João 7:45. Quanto a outras passagens bíblicas que falam da necessidade das perseguições contra os crentes, ver as seguintes:
Mates 5:29; 10:21-26; 13:21; 18:7; Lucas 21:12; João 15:20; 16:2; II Timóteo 3:12; Romanos 8:17-22; I Coríntios 4:10; II Coríntios 4:11; Hebreus 10:33; 11:26; 13:13; I Pedro 1:7; Apocalipse. Quanto ao tema que apresenta Jesus como homem de dores, perseguido pelos homens, ver as seguintes passagens: Isaías 50:6; 53:5; Marcos 15:34; Lucas 22:44; Hebreus 2:10; 13:12; I Pedro 3:18; João 5:16; 7:1; 8:37; 10:39; 15:18,20,25).
VERSÍCULO 2
“Expulsar-vos-ão das sinagogas; ainda mais, vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar um serviço a Deus.
            Eis a descrição das formas que seriam assumidas, que seriam por essa perseguição contra os crentes: Expulsão das Sinagogas  – o que era punição muito temível, pois até mesmo judeus totalmente irreligiosos dificilmente podiam suportá-la, já que a sociedade judaica inteira estava centralizada em torno da religião. As crianças estudavam nas sinagogas; ali também funcionavam os tribunais das cidades, onde tinha lugar a ação legal e civil. A vida judaica inteira era regulada pela sinagoga e estava entremeada pelas suas funções, incluindo a vida social. Por conseguinte, ser alguém expulso da sinagoga era ser virtualmente excluído da própria sociedade.
O próprio Senhor Jesus foi expulso, e isso incluía a prática de que ninguém podia dirigir-lhe a palavra, recebê-lo em casa ou mostrar-lhe qualquer sinal de hospitalidade. Tudo isso fazia parte integrante e comum da expulsão da sinagoga.
O cego de nascença, que foi curado pelo Senhor Jesus, sofreu essa desgraça por ter tido a coragem de defender a Cristo, afirmando ser Ele um profeta enviado da parte de Deus (ver João 9:35). Além disso, quem era expulso estaria sujeito a ser espoliado impunemente de todos os seus bens materiais, não lhes sendo permitido se ocuparem das atividades de qualquer negócio ou comércio, e todos ficavam proibidos de comprar deles qualquer artigo.
            Havia diversos graus de expulsão, mais leves e mais severos, e também podiam perdurar por tempo indefinido ou permanentemente (quanto à exclusão da comunidade cristã, ver Mateus 18:15-17). Cristo Jesus asseverou que os seus discípulos, por serem seus discípulos, haveriam de ser tratados como indivíduos maus e desvairados, porquanto Ele mesmo fora assim tratado, e pior ainda.
            A forma mais violenta e final de expulsão era a execução do expulso, algo que os judeus realizavam como uma espécie de sacrifício oferecido a Deus, que supostamente havia sido ofendido pela blasfêmia do acusado. Lemos que algumas vezes isso ocorria súbita e espontaneamente, pois nos próprios terrenos do templo ocasionalmente era executado sem qualquer julgamento, por causa de alguma suposta blasfêmia. Essa forma de violência é pelo menos subentendida na parte seguinte deste mesmo versículo: “…e vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus…”
            É costumeiro, entre os homens, formarem os seus conceitos sobre a natureza de Deus, julgando por indícios extraídos de suas próprias personalidades. Aqueles homens seriam pessoas tomadas de ódio e conceitos falsos, carregadas de violência e de profunda perversidade. Não se importavam com os gritos de dor das mulheres e das crianças que haviam assassinado, e nem com a agonia dos membros de uma família cujo chefe fora brutalmente morto.
Eram tão pervertidos que imaginavam que deus dava sua aprovação a tais atos, e que até mesmo os orientava, considerando-os um ato de adoração. É que o deus deles era um monstro como eles mesmos. Mas o apóstolo João queria que soubéssemos, citando a predição de Jesus, que Deus não se parece em nada com isso; mas aqueles que assim agem tão-somente dão provas do fato de sua origem mundana e até mesmo satânica.
“Senhor, disse eu:
Eu nunca poderia matar a outro homem;
Crime tão grande que é próprio das feras,
É uma excrescência repelente de uma mente maldita;
Um ato ultrajante do tipo mais vil.
Senhor, disse eu:
Eu nunca poderia matar a outro homem;
Um ato desprezível de ira sem misericórdia,
Um golpe irreversível de inclinação perversa,
Um ato inconcebível de ímpio desígnio.
Diz-me o Senhor,
Uma palavra ferina, lançada contra a vítima que desdenhas,
É um dardo que inflige uma dor sem misericórdia.
 
A maledicência ataca um homem pelas costas,
um ato covarde do qual não te poderás retratar.
 
O ódio em teu coração, ou a inveja a levantar a feia cabeça,
É o desejo secreto de ver alguém morto” (Russell Champlin).
 
            Católicos matarem protestantes, e protestantes tiraram a vida de católicos, e ambos se têm voltado contra os judeus e os têm assassinado, todo o tempo atribuindo ao Deus dos cristãos a inspiração de tão grande malícia. Tão profunda é a cegueira e a maldade do homem !
            Quiçá o pior de tudo quanto sucede na questão que ora discutimos é que as diversas culturas, ao imaginarem seus “deuses” de conformidade com a sua impiedade registram tais conceitos permanentemente em seus livros sagrados, fixando-os nessas culturas. O resultado é que as gerações sucessivas, lendo e estudando esses registros, e considerando-os livros inspirados e sem erros, atribuem ao caráter mais horrendo e bestial aos seus “deuses”. Tudo isso tem servido de grave injúria contra a busca espiritual autêntica.
            Julgamos estranhos os deuses gregos de Olimpo, porquanto compartilhavam de todos os vícioshumanos, em forma ainda mais intensa, e até nos divertimos com o fato.  Mas, que podemos dizer sobre o nosso próprio “Deus”? Que tipo de natureza atribuímos a Ele?  Será Ele o grande Senhor da Guerra, o Destruidor, o Monstro da história? Será Ele mais violento e odioso que os homens mais violentos e odiosos que jamais existiram? Nesse caso, é urgentemente necessário que reexaminemos nossos conceitos de Deus.
            Existe uma citação, extraída da literatura judaica, que expressa essa modalidade deformada: “Aquele que derrama o sangue dos ímpios, é igual àquele que traz uma oferenda a Deus” (Extraído de um tratado do Talmude, BAMMIDBAR, ad Números 25:13). Devemos observar, além disso, que tais palavras foram escritas como um comentário de uma passagem do Antigo Testamento, no livro de Números.
            “O martírio de Estevão, ou a narrativa de Paulo em que ele mesmo aparece como um perseguidor (ver Atos 26:9 e Gálatas 1:13,14), mostram como essas palavras “de Jesus” se cumpriram nos primeiros anos da história da igreja Cristã; e tais narrativas igualmente não se fazem ausentes nas mais recentes páginas da história” (Ellicott, in loc.).
            JOHN GILL, relata como surgiu entre os judeus um grupo fanático que tomou o nome de “Zelotes, que não dava atenção à autoridade das autoridades civis ou religiosas e que freqüentemente executava pessoas que julgavam culpadas de qualquer crime, como idolatria, blasfêmia, etc., sem consultar a quem quer que fosse. Forçavam suas vítimas a saírem fora das muralhas das cidades, e apedrejavam-nas no local, sumariamente. E esse grupo de fanáticos pensava estar prestando um serviço a Deus, com as suas carnificinas, o que mostra a que ponto degradante pode chegar á mente de homens pervertidos, mentalidade essa que sem dúvida aparece de mistura com profundas convicções religiosas, posto que pervertidas e errôneas.
VERSÍCULO 3
“E isto vos farão, porque não conheceram o Pai nem a mim”. É um refrigério a leitura dessas palavras do Senhor. Jesus este contexto (contrário à violência dos homens), nas Sagradas Escrituras, pois elas afirmam, ainda que indiretamente, que a violência não pode de maneira alguma ter sua origem em Deus Pai, e nem pode ser expressão autêntica da atitude cristã. Incorreríamos em erro se pensássemos que essas palavras foram, dirigidas unicamente contra os judeus e os romanos. Jesus Cristo certamente queria que entendêssemos que a violência não pode ser uma expressão de espiritualidade e que aquele que odeia e mata  a um seu semelhante, sobretudo por motivos ou convicções religiosos, pratica tais ações inspirado por sua própria natureza maligna, impulsionado pelos demônios, posto ser uma fera, e, na realidade, mais vil que uma fera. Por isso mesmo tais ações jamais poderiam ser atribuídas a deus, o qual enviou o Seu Filho unigênito com o propósito de salvar o mundo.
            Quando, entre os apóstolos, começou a surgir um movimento com o intuito de destruir determinados indivíduos, pelo fato de não terem recebido a Jesus, o Senhor os repreendeu, dizendo: “Vós não sabeis de que espírito sois, pois o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lucas 9:55,56). Esse mesmo versículo acrescenta que Jesus “…os repreendeu…”. Portanto, essa atitude de violência chegou a manchar até mesmo a mente dos apóstolos, quando se evidenciou a oposição às suas crenças religiosas; e então quiseram imitar as ações violentas dos homens deste mundo. O Senhor Jesus, entretanto, não seguia essa tradição humana, e, nas páginas do Novo Testamento, lemos que Ele é a revelação de Deus Pai, porquanto em Cristo encontramos a própria natureza moral de Deus (ver João 1:1,18; 14:9-12; 14:20,21).
            “Os homens imaginam que com exclusões, anátemas, perseguições e assassinatos de homens feitos como eles mesmos, à imagem de Deus, estão oferecendo a Deus um sacrifício aceitável. Dessa maneira jamais poderão reconhecer a verdadeira natureza do Pai vivo, que tem misericórdia de cada filho, que não deseja a morte do pecador, que deu Seu próprio ilho unigênito, para que todo o que venha a confiar nele não pereça, mas tenha a vida eterna. Nada conhecem da longanimidade e da compaixão do Filho do homem, o qual rogou até mesmo pelos seus assassinos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Ellicott, in loc.).
VERSÍCULO 4
“Mas tenho-vos dito estas coisas, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que eu vo-las tinha dito. Não vo-las disse desde o princípio, porque estava convosco”.
1.       Que Jesus possuía um conhecimento especial, sendo essa a forma de energia mental que se esperava da parte do Messias, que os judeus esperavam seria capaz de dar solução a todos os enigmas, respondendo a qualquer pergunta difícil. O conhecimento especial demonstrado pelo Senhor Jesus, é um dos temas constantemente repetidos deste evangelho, não restando dúvidas que o intuito do ator sagrado era o de mostrar, por esse meio, o caráter messiânico de Jesus.. Portanto, isso faz parte da polêmica cristã primitiva contra os judeus incrédulos, em comprovação ao ofício messiânico de Jesus, o que aspecto é muito enfatizado neste evangelho. (Pode-se ver um resumo dessas provas em João 7:45. Em outros trechos esse conhecimento especial de Jesus é referido como um agudo discernimento nos pensamentos e no caráter dos homens, conforme se nota em João 1:47,48; 2:24,25; 13:11 e 16:30, 21:6,17. Ver também outros versículos sobre esse conhecimento especial de Jesus, em suas diversas manifestações, como João 5:42; 6:61 e 14:7,20).Ver Mateus 9:4.
2.      Posto que dessa maneira ficara comprovado que Jesus foi o Messias, entendemos que Ele tinha controle sobre todas as coisas, não tendo sido uma vítima impotente das circunstâncias. Portanto, em vindo as circunstâncias adversas contra os seus discípulos, estes poderiam consolar-se ante o pensa-mento de que o que sucedia tinha lugar por causa da associação deles com o Filho do homem; e assim seriam fortalecidos e consolados.
3.      Outrossim, os discípulos deveriam perceber que todas as coisas que lhes acontecessem, ocorriam por desígnio de Deus, porquanto até mesmo a crucificação do Senhor Jesus fazia parte do plano divino. Assim sendo, os próprios sofrimentos deles não estariam ocorrendo por mero acidente, mas antes, fazia parte integrante da vontade de Deus necessária para eles, visando o treinamento do seu caráter e levando-os a se identificarem ainda mais intimamente com o Senhor Jesus, tendo comunhão ainda mais intensa com Ele. Uma das doutrinas mais consoladoras das Escrituras é a doutrina do propósito divino, e as coisas ao acontecem por acaso; pelo contrário, Deus dirige todas as coisas. Deus está em Seu trono, pelo que também tudo, afinal de contas, continua bem e sob controle divino neste mundo.
4.      Tudo isso contribui para fortalecer a fé dos crentes, pois é pela fé que aos homens compete viver, sem o que a existência humana pode ser uma experiência terrível e infrutífera.
“…Não vo-las disse desde o princípio, porque eu estava convosco…”.
Estas palavras do Senhor Jesus encerram duas idéias centrais, a saber:
1ª) Ele mesmo era objeto de perseguições, e já havia experimentado aquilo que eles mesmos agora eram convocados a experimentar.
2ª) Ele não os alertara sobre essas perseguições, desde o princípio de Seu ministério terreno, porque não queria assustá-los: a fé dos discípulos não teria sabido suportar tal pensamento. Agora, entretanto, já haviam feito progresso suficiente para perceber qual seria o seu futuro, que seria um futuro de sofrimento, embora lhes estivesse garantida a vitória eventual, da mesma maneira que o Senhor Jesus sofrera, mas finalmente triunfara, quando de Sua ressurreição, o que produziu frutos tão positivos em Seu ministério terreno. Jesus não revelara todas essas coisas Aos seus discípulos desde o começo embora tivesse mostrado a eles algo do que haveriam de sofrer como discípulos, segundo vemos em trechos como Lucas 6:22 e no capítulo 10 do Evangelho segundo Mateus, quando deu Suas instruções gerais acerca da excursão evangelística que fizeram pela Galiléia. Não obstante, aquelas leves perseguições não eram para comparar-se com a intensidade das perseguições que de futuro ha veriam de atravessar.
VERSÍCULO 5
            “Agora, porém, vou para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta; Para onde vais?”
            Esta declaração do Senhor Jesus sobre a Sua volta para o Pai em breve, subtende as seguintes verdades;
1.       Em breve a Sua missão messiânica neste mundo se completaria, e Ele ofereceria a Sua vida, morrendo como expiação pelo pecado dos homens.
2.      Mas logo em seguida haveria de ressuscitardentre os mortos, fazendo fruir assim o intuito de Sua missão – trazer a vida eterna aos homens, pois quando da expiação o pecado é eliminado, mas quando da ressurreição é que é dada a v ida eterna aos que crêem.
3.      Certamente fica implícita a ascensão de Cristo, embora este quarto Evangelho não mencione o fato e nem dê qualquer descrição sobre esse evento. Entretanto, o evangelho segundo João subentende que os seus leitores já conheciam tal fato extraordinário, mediante outras fontes informativas. Portanto, este versículo é reputado como uma instância de que o conhecimento subentendido de que Jesus iria para o Pai, o que agora era passado nas mentes daqueles que lessem o registro sagrado, serve de expressão válida da ascensão de Cristo. Quanto a outras alusões à ascensão neste quarto evangelho, ver João 6:62; 7:33; 13:3; 16:5,28 e 20:17. Quanto a uma nota detalhada sobre esse extraordinário acontecimento, ver Atos 1:11.
4.      A ida de Jesus para Deus Pai implica em sua entrada nos lugares celestiais, bem como na restauração de Sua glória anterior. Isso é especificamente ensinado no trecho de João 17:5. Nisso consiste a glorificação do Filho de Deus, o que não se completará enquanto a Igreja não estiver totalmente salva (ver Filipenses 2:10,11 e Efésios 1:19-23).
5.      A retirada de Jesus Cristo com sua conseqüente bênção geral para os remidos, e a glorificação especial para o próprio Filho de Deus, ao mesmo tempo era uma mensagem de condenação para todos quantos lhe fizessem oposição e o rejeitassem, porquanto significava que se afastava definitivamente dos tais, o que é igualmente, um tem a do Antigo Testamento, conforme vemos em Deuteronômio 4:29 e Oséias 5:6; pelo que também topamos com o seguinte apelo, tão patético, em Isaías 55:6 “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”. As páginas do Novo Testamento, entretanto, encerram o mistério da cegueira e da eventual restauração da nação de Israel, em passagens como Romanos capítulo 11. No versículo ora em estudo, somos lembrados desse profundo tema. Ao revelar aos seus Discípulos que se ia embora, o Senhor Jesus deixou entendido o quanto Isso significava para eles mesmos e para toda a humanidade.
VERSÍCULO 6
“Antes, porque vos disse isto, o vosso coração se encheu de tristeza”
Até o momento, os discípulos mais diletos de Jesus ainda não estavam abundantemente demonstrado quando essa crise se abateu, quando surgiram os soldados e a turba a fim de aprisionar ao Senhor, ocasião em que os apóstolos fugiram choca dos ante a crua realidade do cumprimento do que Jesus predissera, tendo-se deixado dominar pela tristeza própria de tais ocorrências. Neste caso, meramente pela crescente tomada de consciência que aquilo que Jesus dizia realmente era o que queria asseverar e porque sabiam que o que Ele afirmava sempre acabava por cumprir-se por mais improvável que isso parecesse a princípio, começaram os apóstolos a se comoverem pelo remorso e pela tristeza.
Acrescente-se a isso o fato de que perceberam, por intuição, que o final da carreira terrena de Jesus havia chegado de fato, e os seus corações e mentes ficaram tão perturbados ante a carga emocional dessa atmosfera melancólica que se formou, de mistura com o temor, que se tornaram incapazes de lançar vistas para além da ressurreição de Cristo, pois, para dizer a verdade, não tinham esperança consciente de que isso pudesse mesmo acontecer.
Por conseguinte, não podiam, elevar a cabeça acima do pensamento de morte e separação. Ficaram a repassar na imaginação os anos que haviam passado na Galiléia, a oposição sofrida, as tristezas passadas juntos, e, elevando-se muito acima de tudo isso, as grandes vitórias, os espantosos milagres e prodígios realizados pelo Senhor Jesus, e o extraordinário poder das Suas palavras. Porém, com essa finalidade tudo aquilo teria sido feito? Pois agora tudo lhes parecia estar chegando ao fim. Por isso profunda melancolia lhes invadiu os corações. Expulsando dali toda e qualquer outra emoção própria dos homens. Ficaram imersos, repletos, absorvidos e avassalados pela tristeza.
            STIER (citado por ALFORD in loc.) nos oferece uma interessante observação, a saber: “Esses foram os mesmos discípulos que mais tarde, quando seu Senhor ressuscitou e já havia subido aos céus, sem sentirem qualquer tristeza por se separarem dele, voltaram com grande alegria para Jerusalém (ver Lucas 24:52)”. Nessa observação podemos aprender algumas boas lições, especialmente aquela que diz que a própria separação entre Jesus e os seus discípulos não foi motivo de tristeza, e, sim, que essa tristeza fora causada pela falta de compreensão sobre os notáveis resultados desses extraordinários acontecimentos. Pois o entendimento espiritual sobre o desígnio que Deus tem para as coisas, bem como um claro ponto de vista sobre a eternidade, sempre foi e será motivo da mais pura alegria. Foi justamente essa compreensão que faltou aos discípulos antes da morte e ressurreição de Jesus.
VERSÍCULO 7
“Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei!.
            A localização das cinco declarações de Jesus, a respeito do Espírito Santo, se encontram nos trechos seguintes: João 14:15-17; 14:25,26; 15:26,27 e 16:5-11. (Todas essas quatro declarações contém o vocábulo grego parácletos).
A quinta passagem (João 16:12-15) é uma declaração paralela sobre o Espírito Santo, na qual não foi empregado o vocábulo parácletos, entretanto. A promessa central dessa declaração se encontra em João 14:15-17, onde se lê que o divino Ajudador está encarregado de um ministério perpétuo entre os discípulos, entre eles e no íntimo deles, porquanto a sua obra consiste em transformar os homens na imagem mesma de Cristo Jesus (santificação). Por isso é que o Espírito Santo ficaria com os crentes “para sempre”. Outrossim, Ele é chamado de Espírito da verdade, em João 14:25,26, a mensagem central, no que tange ao divino Ajudador,é que Ele assumirá o lugar de Cristo, na tarefa de instruir e treinar os discípulos, lembrando-lhes as lições que o Senhor Jesus já lhes ensinara, como também conduzindo-os a verdades ainda mais profundas.
            Esta passagem, no começo do capítulo 16, enfatiza a vantagem que resultaria, tanto para os discípulos como para o mundo inteiro, da retirada do Senhor Jesus para os céus: pois somente assim é que o Espírito Santo poderia dar início ao Seu ministério. É nesta descrição, pois, que encontramos o texto central, em todo o Novo Testamento, acerca da missão geral do Espírito de Deus no mundo e entre os homens.
            A declaração que há em João 15:26 menciona parte do ministério descrito em João 14:25,26, frisando que o ofício do Espírito Santo só realiza aquilo que glorifica a Cristo, pois o Seu ministério visa atuar especificamente como o “alter ego” do Senhor Jesus.
            No que concerne à mensagem principal de João 16:7, diz DODS (in loc ): “A retirada da presença corporal de Cristo era a condição essencial de Sua presença espiritual universal”. Além disso, poderíamos acrescentar que o ministério do Espírito Santo foi posterior e dependente do ministério terreno de Cristo, ascensão e entrada em Seu ofício de mediador nas alturas. Uma vez completada essa obra, que pertencia a Jesus Cristo, o Espírito de Deus pôde então ocupar-se de sua incumbência, nesta esfera terrestre. É a respeito do que dizemos no parágrafo acima que ELLICOTT comentou (in loc): “O Filho do homem teria de ser glorificado antes que pudesse ser dado aos homens o Espírito Santo.
A humanidade teria primeiramente de ascender aos céus, antes que o Espírito Santo pudesse ser enviado à humanidade sobre a terra.  Revelação da verdade salvadora teria de estar completa antes que a inspiração soprasse sobre a mesma, como o hálito da vida sobre as almas dos homens. “A convicção de pecado, de justiça e de julgamento só poderia ocorrer após a obra de Cristo estar terminada”.
            As palavras de cristo, “…convém-vos que eu vá…! no capítulo 17, equivalem àquilo que está descrito no versículo 5: a morte, ressurreição, ascensão e glorificação do Senhor Jesus, o que inclui o fato de que Ele assumiu Seu ofício de divino medianeiro.


Jesus, aos céus subindo
Se penhorou a mandar
Seu bom e santo Espírito
Para nos ensinar.
E o grande, excelso Mestre,
Conosco agora está;
O mundo além revela,
E guia para lá (KALLEY )


VERSÍCULO 8

            “E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”: O divino Ajudador, é m ais do que Advogado e protetor dos discípulos; quando de Sua chegada, também haveria de contra-atacar o mundo. Mediante Seu poder de convencer o mundo, em três pontos salientes, Ele haveria de fazer reverter o seu julgamento errôneo contra Jesus, ao crucificá-Lo. E haveria de convencer os homens desse fato, em breve, mostrando aos judeus que aquilo que eles reivindicavam como base de sua justiça, alicerçado sobre a conformação externa a um código de leis, não poderia suportar o escrutínio divino. A incredulidade, a cegueira à verdade revelada, o orgulho espiritual e os preconceitos tinham levado os judeus a rejeitarem o seu próprio Messias, secularmente aguardado por eles. Isso era a essência mesma do pecado (ver as passagens bíblicas de João 3:19,20; 7:7; 8:47 e 15:22).

O Espírito Santo convenceria o mundo da justiça, pois apesar de que os adversários de Jesus tinham pensado em desacreditá-Lo através de uma morte vergonhosa, na cruz, tornar-se-ia evidente que a Sua morte, bem pelo contrário, foi a porta pela qual Ele pôde retornar a Deus Pai, que O havia recebido como ‘Santo e Justo’ (ver Atos 3:14; 2:36 e 5:30-32). A ressurreição cancelou o opróbio da cruz e vindicou a plena justiça de Jesus Cristo. O Espírito Santo, pois, ha veria de convencer o mundo de julgamento, mostrando que os dominadores invisíveis deste mundo pervertido se excederam ao crucificar o próprio Senhor da glória (ver Atos 12:31; 14:30 e I Coríntios 2:8), mostrando que aqueles foram usados como seus instrumentos não passavam de pobres e impotentes insensatos” (Wilbert F. Howard, in loc).

“…convencerá o mundo do pecado…  Essas palavras falam principalmente do tremendo pecado da rejeição do Messias, do que é acusada, antes de todos os outros, a comunidade judaica incrédula (ver Atos 3:18-20; 7:7; 8:45 e 15:22).

Está particularmente em foco o pecado da incredulidade, porquanto a Luz veio ao mundo, mas os homens rejeitaram a Luz. Ora, isso forma o princípio mesmo do pecado, a atitude que os deixava perdidos no pecado, impossibilitados de sua recuperação da prisão espiritual do pecado. Disso se seguiu a desobediência, posto que o oposto da fé não é simplesmente a incredulidade, e, sim, a desobediência, segundo se depreende de João 3:19,36.

O MUNDO SEM O ESPÍRITO

1.  Por todo lado se vê ódio e violência insensata, evidências da profunda maldade do homem. Mas o Apocalipse mostra que uma vez removido o Espírito, haverá de ocorrer coisas mil vezes piores.

2.  A terra se transformará em uma selva de violência e ódio, imprópria para lugar de habitação do homem. Os governos da terra perderão o controle sobre seus próprios povos.

3.  Alguns psicólogos propositalmente têm procurado eliminar ou diminuir o senso de pecado do ser humano, chamando-o por outros nomes, alguns dos quais chegam a ser cumprimentos. Mas, uma vez que o homem seja totalmente liberado para pecar, com o impulso das forças satânicas o homem perceberá a tragédia de sua natureza decaída.

4.  Mas até esse caos finalmente redundará em bem (Romanos 8:20; 11:32).

  “…da justiça…”  Temos aqui um avanço maior, em relação à idéia anterior, pois  o Espírito de Deus não meramente ensina aos homens no que consiste o pecado, convencendo-os dessa realidade, mas também ensina-lhes no que consiste a justiça. E Ele haveria de tornar-se o Mestre necessário dessa verdade porque o Senhor Jesus não mais estaria entre os homens, com Sua presença corporal, não mais podendo servir de exemplo, ante os olhos dos homens, no que consiste a retidão, como homem que exibisse essa realidade para os seus semelhantes, como um homem poderia ensiná-la para os outros.

A NATUREZA DA JUSTIÇA

1.       O versículo fala sobre a obra de Cristo, que permitiu aos homens serem Justificados, e, portanto, compartilhassem de Sua retidão (ver Romanos 5:11);

2.      Também aludimos à obra do Espírito que transforma moralmente aos homens, para que participem da própria santidade de Deus.

3.      Também há a questão da implantação das virtudes positivas do Espírito nos homens. (Gálatas 5:22,23)

4.      O alvo da retidão é a plena participação na própria natureza de Deus (II Pedro 1:4).

5.      Alguns intérpretes vêem aqui a “justiça” realizada no julgamento, ou a vindicação de Deus contra o mal.

6.      Outros vêem aqui a vindicação da justiça de Deus, por haver ressuscitado a Jesus dentre os mortos, a despeito da violência dos homens e de terem rejeitado a missão d’Ele.

“…e do juízo…” Um senso moral correto exige que os atos humanos sejam recompensados ou punidos, segundo forem, respectivamente, bons ou maus, visto que o homem é responsável diante de Deus por todos os seus atos.

DESCREVENDO O JULGAMENTO

  1. Este incluirá o cumprimento absoluto da lei da semeadura e da colheita (ver Gálatas 6:7,8).
  2. Será conforme as obras do indivíduo (Romanos 2:6), mesmo caso do crente (II Coríntios 5:10).
  3. O juízo não será apenas retributivo. Também restaurará a uma glória secundária. (Isso é anotado em I Pedro 4:6 e Efésios 1?10).
  4. A tragédia do juízo é que aqueles que não obtém a vida eterna, como eleitos de Deus, sofrerão uma perda infinita, por essa mesma razão, a despeito dos benefícios que Deus proporcione a eles.
  5. Ver Apocalipse 14:11
  6. O julgamento, no presente texto, parece estar especificamente relacionado à rejeição da missão salvadora de Cristo por parte dos homens, e, particularmente, a obstinação das autoridades religiosas.dos judeus, que rejeitaram essa missão apesar de evidências esmagadoras. Eventualmente, o Espírito convencerá aos homens do fantástico erro dessa atitude.

       No que concerne à palavra “…convencer…”, alistamos os pontos abaixo para melhor esclarecer o seu significado:

  1. A idéia de “reprovar” faz parte do sentido, isto é, condenar a maldade; embora neste caso, não esgote essa idéia todo o sentido do termo.
  2. “Convencer” é o seu sentido geral, tal como um advogado argumenta sobre        um caso qualquer e convence outros sobre qualquer ocorrência; apresentando um bom juízo sobre a natureza dessa ocorrência ou idéia. O Espírito Santo é quem argumenta diante dos homens sobre o caso, conduzindo-os ao correto conhecimento da verdadeira natureza do pecado, da justiça e do julgamento. Portanto, também podemos traduzir este termo por “convencer”, pois encerra a idéia central.
  3. Alguns estudiosos também vêem aqui a idéia de condenação, dizendo que o Espírito Santo convencerá o mundo por condenar os homens maldosos em seus atos, o que expressa uma verdade quando aplicada ao pecado e ao julgamento.

VERSÍCULO 9

“do pecado, porque não crêem em mim”

            A obra geral do Espírito Santo consiste em convencer do pecado. Este versículo aponta para a base fundamental de toda a maldade, especialmente a maldade que tem sido provocada entre os homens desde a primeira vinda de cristo a qualidade de LUZ proveniente dos céus, com  o fito de iluminar os homens perdidos nas trevas. Os homens foram encontrados nas trevas; mas não somente isto, pois também gozavam dessas trevas. (Esse é o tema das passagens bíblicas como João 1:8-12 e 3:18-21,26). E posto que desfrutavam dessas trevas, por motivo de sua perversão, nada queriam ter com a Luz, que os obrigaria a mudar inteiramente de vida e de expressão moral. Por esse motivo é que rejeitaram à Luz, agindo violentamente contra ela, o que só teve o resultado de aprofundar e agravar o seu estado calamitoso de maldade.  Por conseguinte, o oposto da fé não é meramente a incredulidade, e, sim, uma forma de rebeldia contra Deus que conduz o indivíduo a uma forma mais intensa de desobediência. Tais homens não “obedeceram” ao evangelho, conforme nos afirma o trecho de Romanos 10:16.

            Os pontos abaixo podem ser afirmados com relação a essa incredulidade, que o Espírito Santo veio destacar ante os olhos dos homens, e por causa da qual haverá de condená-los.

1.       Em seu sentido mais simples, o Espírito Santo convenceráos homens do erro da incredulidade, da rejeição de Cristo.

2.      Também haverá de ensinar os homens que à parte da pessoa de Cristo, como também de Sua morte propiciatória e ressurreição doadora de vida eterna, não pode haver jamais o perdão dos pecados.

3.      Por semelhante modo, haverá de convencer a todosos homens que o pecado que cometem tem por raiz a atitude de rebeldia contra Deus e Seu Cristo. Portanto, neste caso, o termo “pecado” não significa tão-somente o pecado de não aceitar a Cristo, no sentido de que alguém não crê em Cristo, no Cristo histórico e em Sua obra em favor dos homens, mas também indica aquela rebeldia básica que é a atitude de certos homens para com Deus.

4.      Alguns homens chegam mesmo a ufanar-se da sua incredulidade, julgando que a mesma é uma virtude, ou que essa incredulidade é algo totalmente diferente da perversão moral. Ora, a tarefa do Espírito Santo consiste justamente em convencer os seres humanos do que fato de que a incredulidade no que tange à pessoa de Cristo, à Sua natureza essencial e à Sua obra histórica este mundo, na realidade é a forma mais vil e destrutivado pecado.

5.      Essa incredulidade, entretanto não consiste meramente na falta de fé histórica, embora isso faça parte da mesma. Pelo contrário, em suas próprias raízes a incredulidade consiste na falta de reconhecimento vivo e pessoal de Jesus como o Senhor de todos (ver I Coríntios 12:8). Essa ausência de reconhecimento e aceitação do “LOGOS” eterno, em Seus diversos ministérios, incluindo o da encarnação e o da expiação, remove os homens da possibilidade do perdão de seus pecados, porque é através de Cristo que nos chega esse perdão, com exclusividade. Portanto, fica assim novamente ilustrada a seriedade da incredulidade.

6.      O pecado da incredulidade, pois, não é apenas um pecado a mais, entre uma grande multidão de outros pecados, mas é antes o alicercede todo o pecado, a atitude de rebelião que gera todos os demais pecados. Pois aquele que permanece na incredulidade fica sem regeneração; através da regeneração vem a transformação do ser do crente segundo a imagem divina.

7.      O que queremos dizer de forma geral, portanto, é que a rejeição do Senhor Jesus Cristo, por meio da incredulidade, é, ao mesmo tem pó, a rejeição do destino que Deus tem oferecido às criaturas humanas, bem como é a permanência no estado de pecado, cujo fim inevitável é o juízo. O Espírito Santo veio a este mundo a fim de convencer os homens da seriedade dessa questão, esclarecendo qual sua verdadeira natureza e qual é a cura para essa condição espiritual.

            Geralmente os seres humanos dão pouco valor à gravidade extrema do pecado, como igualmente desvalorizam a pessoa de Cristo, segundo é ilustrado no poema transcrito abaixo:

            Zombadores falantes nas ruas agitadas

            Dizem que Cristo foi de novo crucificado:

            Por duas vezes traspassam seus pés que levam o evangelho,

            Por duas vezes quebrantam seu grande coração, em vão.

            Ouço-o, e para mim mesmo sorrio.

            Pois Cristo fala comigo a todo tempo.

            Assim nas ruas ouço os homens dizerem,

Mas Cristo está comigo o dia inteiro. (Richard Le Galliene, “The Second Crucifixion)

            Pecar é perder o alvo da vida , é a ação desordenada de poderes que perderam contacto com o princípio controlador. Cristo é a revelação do amor de Deus pelo mundo. Em união com Deus, por meio de Cristo, a alma humana encontra o centro do seu próprio ser, bem como do verdadeiro propósito de sua existência. Mediante o testemunho de Jesus, o Espírito Santo convence aos homens que Cristo é o centro da harmonia moral do universo, e que é através dEle que seus espíritos têm acesso à pessoa de Deus. Essa convicção lhes revela o seu pecado, porquanto não crêem nas reivindicações de Cristo.

            O texto que ora comentamos se refere diretamente à comunidade judaica incrédula, a qual, por haver crucificado ao seu próprio Messias, obviamente se tornara culpada do pecado das incredulidade; porém, a aplicação dessas palavras é universal em seu alcance.

VERSÍCULO 10 

“da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais”.

A retirada de Cristo Jesus, deste mundo para o Pai, inclui as seguintes quatro idéias:

1.       Sua morte expiatória em favor dos homens, na cruz do Calvário. Isso abriria o caminho da volta de Jesus ao Pai, livraria os homens da maldição do pecado e lhes possibilitaria se tornarem participantes da natureza moral de Deus.

2.      Sua ressurreição seria uma parada no caminho de Sua ida para Deus Pai. Por meio da ressurreição Cristo ofereceria a vida eterna aos homens, que é Uma vida de qualidade diferente da vida comum, pois trata—se da vida Essencial do próprio Deus (Assim invocam-nos as passagens de João:5:26; 6:57 e Romanos 4:25). O Senhor Jesus saiu do túmulo já imortal e trouxe aos homens essa imortalidade (Assim aprendemos no capítulo 15 da Primeira epístola aos Coríntios, com grandes detalhes). E através da ressurreição de Cristo é que a morte foi finalmente vencida, deixando de ser a principal característica da existência humana.

3.      Ato contínuo, o Senhor Jesus ascendeu aos céus, chegando mesmo à presença de deus Pai, quando então passou a participar novamentedaquela glória que era Sua, antes de haverem sido criados os mundos. Por outro lado, essa ascensão aos lugares celestiais também ficou garantida para os discípulos de Jesus, c Omo também a mesma glória que foi dada a Ele. Assim se depreende claramente de trechos bíblicos como Efésios 1:23; Romanos 8:29,32 e João 17:5,22.

4.      Finalmente, como alvo de Seu retorno para o Pai, Jesus Cristo receberá a glória total que Lhe pertence. Porém, isso não terá lugar enquanto a igreja não for recolhida como Sua Noiva. Essa glória de Cristo, a Sua plena glorificação, será igualmente a glorificação do corpo místico, a Noiva, a igreja, e incluirá a total transformação dos crentes na natureza moral e metafísica de Cristo (ver Romanos 8:29). Esse é o alvo da vida, essa é a razão por que Deus criou o homem. Esse é o Desígnio da vida e a sua significação, e esse é o motivo pelo qual o Senhor Jesus foi incumbido de Sua missão terrena. A obra do Espírito Santo,, pois, consiste em expor tal conhecimento aos homens, mostrando-lhes qual a base da justiça, como isso deve ser compreendido e como devem ser destacadas essas verdades profundas (mediante as definições que nos são dadas através da pessoa de Cristo). E, finalmente, o Espírito Santo mostra-nos como isso pode ser produzido, isto é, como a justiça deve manifestar-se e desenvolver-se nos homens, como essa notável transformação ética tem de ter lugar. O Espírito Santo é o agente dessa transformação. Tudo isso se aplica aos crentes. No caso dos incrédulos, o Espírito Santo também lhes ensina qual a natureza da justiça autêntica, no qual, uma vez mais, quaisquer descrições que Ele estampe diante da atenção das criaturas humanas tem algo a ver com a retidão que se manifesta na pessoa de Cristo. Outrossim, tanto no caso do crente como no caso do incrédulo, a subida de Cristo Jesus para Deus Pai subentende a necessidade de outro Ensinador e Ajudador – que é o Espírito Santo. Portanto, o ofício atual do Espírito Santo foi instituído em face da ausência corporal de Cristo entre os homens.

            Acrescente-se a isso o próprio fato que Jesus ressuscitou e ascendeu aos céus, ficando assim comprovado que Deus O favorecia, e que Ele foi homem justo, e não um blasfemo, conforme foi precipitadamente acusado pelos judeus incrédulos. Além disso, a história da ressurreição foi confirmada por muitas testemunhas oculares. O Espírito Santo, por sua vez, haveria de confirmar esses fatos extraordinários nos corações dos homens, e assim viria ensinar a retidão aos homens: tanto a retidão de Cristo como a retidão que pode vir a ser deles, por meio da fé nEle.

            A ida de Cristo para o Pai convence os homens da justiça, porquanto mostra que a cruz não foi o fim de todo; pelo contrário, teve valor expiatório.

Mas Cristo não foi derrotado na cruz, posto haver ressuscitado dentre os mortos e ter subido para o Pai. Tudo isso serve para mostrar-nos que deus estava com Ele, e que a retidão agora nos chega por intermédio do Senhor Jesus, a despeito da aparente derrota da cruz, sinal aparente esse de que muitos homens têm pensado ser demonstração da desaprovação de Deus à pessoa de Jesus.

Portanto, a cruz jamais O desacreditou; na realidade fez parte de Sua volta para o Pai, o que só contribuiu para acreditar a Sua obra ante os olhos dos homens (ver Atos 3:14; 2:36 e 5:20-32).

            “O mundo haveria de perceber, na exaltação de Cristo, uma prova de sua retidão” (Dods, in loc).

VERSÍCULO 11

“e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado”.

            A queda de Satanás tem sido e continuará sendo gradual, segundo se observa nas seguintes fases:

1.       Em algum tempo remoto ele caiu de sua posição original por razão do seu orgulho, oportunidade em que se originou o pecado da rebelião contra Deus: por causa desse pecado ele foi julgado e perdeu sua posição extremamente elevada, porquanto é evidente que ele ocupava a mais elevada posição dentre a criação inteligente, o ser dotado de maior poder. Assim diminuiu muito a sua influência nos lugares celestiais, embora tenha continuado a sua influência nos lugares celestiais, embora tenha continuado a ser um grande poder, pois arrastou em sua queda (em sua rebeldia), uma terça parte dos seres celestiais que também se rebelaram contra deus (ver Isaías, capítulo 14 e Apocalipse 12:4).

2.      Subseqüentemente houve uma expulsão mais completa de Satanás dos lugares celestiais, embora a mesma ainda não tenha terminado inteiramente. Mas pelo menos perdeu o direito de acesso que anteriormente tinha até à Presença mesmo de deus (ver Lucas 10:18).

3.      Satanás foi julgado quando da vida terrenado Senhor Jesus, pois foi através do ministério de Cristo neste mundo que Satanás perdeu seu domínio sobre um grande número de criaturas humanas, ao mesmo tempo que suas reivindicações de domínio sobre o mundo ficaram sem efeito. O Senhor Jesus atacou diretamente o reino de Satanás, expulsando os espíritos malignos, inspirados pelo diabo.

4.      A morte e a ressurreição de Cristo Jesus precipitaram ainda m ais a queda de Satanás; e essas realizações de Sua missão terrena também asseguram a vitória final de Cristo e Seus seguidores, embora tal vitória não se tenha concretizado de pronto (ver Colossenses 2:15). O Senhor Jesus diminuiu o poder de Satanás entre os homens, ao completar a Sua missão de forma bem sucedida neste mundo.

5.      O envio do Espírito Santo ao mundo é a continuação destas realizações terrestres do Senhor Jesus, estendendo os seus resultados a todos os séculos.

6.      No fim da atual dispensação, Satanás será projetadopára dentro do abismo, e assim será temporariamente removido da presença dos homens. Seguir-se-á então o período do milênio, isento inteiramente das influências Maléficas do diabo.

7.      Após a revolta final que Satanás terá ainda de provocar entre os homens, ao ser solto de sua prisão, imediatamente depois do milênio, o diabo será novamente julgado, quando então será finalmente lançado no lago do fogo, a sua morada final, até onde somos informados nas Escrituras (ver o capítulo 20 do livro de Apocalipse). Esse será o seu julgamento final, quando então ficará demonstrado que ele foi positivamente derrotado, quando todos os seres humanos reconhecerão que os caminhos tortuosos do diabo realmente são maus, e não bons, segundo muitas criaturas humanas têm sido levadas a acreditar sendo melhor que os homens sigam o caminho de deus, por meio de Cristo Jesus, o que é verdadeiramente benéfico para eles, segundo as reais necessidades dos seus seres.

            O ensino ministrado pelo Espírito Santo, nesse particular, é tanto positivo como negativo: negativo porque mostra às criaturas humanas que há um julgamento futuro, que o senso moral requer esse julgamento futuro, que o senso moral requer esse julgamento e que ninguém pode escapar do mesmo; pois, se nem mesmo o príncipe do mal escapou, como poderiam os demais embalar a esperança de escapar? Mas esse ensino do…Espírito Santo também é positivo porque é mister que não envolva todas as criaturas humanas, posto Satanás já ter sido derrotado e já haver sido julgado. Dessa maneira, os homens, se assim quiserem-no fazer, liberdade essa que lhes vem de aceitação da pessoa de Cristo, mediante a regeneração efetuada em nome dEle. O apóstolo Paulo ensina-nos que Cristo livrou-nos do reino das trevas e n os deslocou para o reino da luz, e que o Espírito Santo veio a fim de ensinar-nos justamente este fato (ver Colossenses 1:13,14).

            “O Espírito Santo, pois, haveria de convencer o mundo do julgamento, mostrando que os dominadores deste mundo pervertido se excederam ao crucificar o próprio Senhor da glória (ver Atos 12:31; 14:30; I Coríntios 2:8), mostrando que aqueles que foram usados como  seus  instrumentos não passavam de pobres e impotentes insensatos” (Wilbert  F. Howard, in loc).

            “Dessa maneira, o Espírito Santo subverteu a antiga opinião do mundo que considerava a cruz e o infortúnio como um sinal de reprovação divina…” (Lange, in loc).

            “Em conexão com esta última citação, alguns expositores crêem que o

“julgamento” ali mencionado não é o julgamento contra o pecado, mas antes, a “opinião” dos homens no tocante a cruz: que alguns pensavam que isto provara a natureza má de Cristo, como homem blasfemo. Mas eis que o Espírito Santo veio reverter esse juízo de Cristo por parte dos homens, levando-os a julgá-Lo corretamente, a saber, que Cristo foi homem justo, e que Satanás, seu grande adversário, foi maldoso como maldosos foram aqueles que o diabo usou contra Jesus. Sem dúvida isso expressa uma verdade; mas o fato de que Satanás foi expulso (sendo isso um julgamento) mostra que o outro tipo de julgamento também está em foco nesta passagem bíblica.

            O mundo e o seu príncipe já estão ‘julgados´. Aderir a isso, e não a Cristo, é aferrar-se a uma causa condenada, a um navio que naufraga.

            Entretanto, continua a parecer-nos que o sentido primário deste trecho é o “…poder judiciário e a autoridade de Cristo, para quem foi entregue, pelo Pai, todo o julgamento, por ser Ele o Mediador”.

VERSÍCULO 12

“Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora”

JESUS, O MESTRE SUPREMO

1.       Muitas coisas foram por Ele ensinadas a seus discípulos, durante Sua peregrinação na terra.

2.      Muitas coisas não foram ensinadas. Mas isso seria feito por meio do dom do Espírito Santo.

3.      Notemos a ênfase sobre a importância do ensino, o que constitui parte da Grande Comissão (ver Mateus 20:19,20).

4.      O Espírito é o Espírito da verdade, e Ele ensinará a verdade divina (ver João 14:17 e 26).

5.      O versículo antecipa a autoridade do Novo Testamento.

6.      Todos os dons espirituais têm alguma ligação com  o ensino e a edificação.

            “Nos seus discursos” de despedida, o Senhor Jesus fala da franqueza que Ele havia demonstrado para com os seus amigos diletos, mostrando-lhes tudo quanto ouvira da parte de Deus Pai (ver João 15:15). Entretanto, a imaturidade espiritual deles deixa-os incapazes para aprender imediatamente muito do que Jesus ainda teína em reserva para eles (ver I Coríntios 3:1,2).

“Essa forma incompleta da revelação dada por Cristo, em Sua encarnação, teria prosseguimento através do ministério do Espírito da verdade, até que pudessem receber a revelação em sua plenitude” (WILBER F. HOWARD, in loc.).

            É verdade que ninguém pode ensinar a outrem, se não possuir conhecimento (não apenas teórico, mas também experimental) maior do que seu aluno; mas também é verdade que ninguém está apto para ensinar se não assume o terreno mais baixo do conhecimento do aluno, a fim de guiá-lo daquele nível para o seu próprio…”Com grande freqüência, o irmão mais fraco encontra uma pedra de tropeço em cada passo que deveria conduzi-lo a uma verdade mais elevada, porque se aproxima desses passos cegamente, sem um guia… (ELLICOTT, in loc).

            Aquelas “muitas coisas” que o Senhor Jesus ainda tinha a dizer incluem uma larga esfera de ensinamentos, e por essa razão os intérpretes têm especulado bastante sobre o que tudo significaria. Abaixo oferecemos algumas interpretações mais representativas:

1.       Novos artigos doutrinários, o que alguns intérpretes, especialmente católicos, estendem a fim de incluir as tradições de sua denominação, além daquelas doutrinas bíblicas que haveriam de surgir dos ensinamentos dos apóstolos.

2.      Teríamos aqui uma autenticação prévia dos livros formadores do Novo Testamento, porquanto esse volume sagrado se originou dos ensinamentos dos apóstolos e de seus primeiros discípulos. Não há que duvidar que nisso temos uma parte importante do sentido dessas palavras de Jesus.

3.      Ensinamentos concernentes aos sofrimentosdos crentes, os quais têm necessitariam, por isso mesmo, de fortalecimento interior. Isso também faz parte da questão em foco nas palavras de Cristo, posto que não é o cerne do assunto.

4.      O desenvolvimento e a aplicação daquilo que Jesus já ensinara aos discípulos, o que é um ponto de vista defendido pela maioria dos estudiosos protestantes – e nisso eles têm em vista a rejeição das tradiçõeseclesiásticas, que geralmente labora contra ou contradizem o conteúdo do Novo Testamento.

5.      Alguns intérpretes chegam ao extremo de incluir nessas palavras todo o desenvolvimento eclesiástico da doutrina cristã. Mas isso é ultrapassar em muito o sentido do texto sagrado que ora consideramos, além de também deixar sem resposta a embaraçadora questão que indaga se os desenvolvimentos eclesiásticos devem ser considerados como produtos da influência do Espírito Santo ou não, visto que tais desenvolvimentos são inúmeros.

6.      Alguns têm preferido dar a este versículo um certo sabor apocalíptico, ao suporem que os ensinamentos vindouros versariam sobretudo sobre o cristianismo em sua forma mais desenvolvida, emancipada já no judaísmo, embora perseguida pelo mundo, mas que daria acolhimento a Cristo, quando de Sua segunda vinda. Também estaria em vista a possibilidade de à igreja serem dadas informações sobre o tempo do fim, envolvendo muitas profecias sobre condições futuras, o que ultrapassava em muito os conceitos doutrinários e éticos ainda simples que caracterizavam a forma primitiva do cristianismo bíblico. (Assim sendo, isso incluiria a literatura apocalíptica do Novo Testamento, como o próprio livro do Apocalipse). Também não resta qualquer dúvida que isso faz parte do ensino tencionado (subentendido no versículo 13 deste capítulo 16); contudo, não há razão alguma em limitarmos a isso o sentido da passagem bíblica.

7.      Em termos gerais, por conseguinte, este versículo descreve como a igreja cristã se desenvolveria, como seriam adicionadas as novas informações divinas às antigas doutrinas, como o cristianismo medraria por suas próprias forças, separado inteiramente do judaísmo; e, igualmente, como, na qualidade de comunidade espiritual distinta, seria orientada pelo…Espírito Santo, o qual faria novas e elevadas revelações acerca da pessoa de Cristo, o Salvador de todos os homens, revelando o destino dos crentes, o que ficaria mais perfeitamente compreendido, e, de modo geral, proporcionaria ao mundo um ponto de vista mais perfeito e compreensível de deus e de Seu Cristo, do que tudo quanto o mundo até então conhecera. Os pontos básicos dessa nova revelação estariam inclusos em documentos escritos inspirados, os quais denominamos Novo Testamento.

VERSÍCULO 13

“Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade. Ele vos guiará a toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras”.

O ESPÍRITO DA VERDADE

1.       Entre as cinco afirmativas atinentes do divino Ajudador, três chamam-no de Espírito da verdade: João 14:17; 15:26 e 16:13.

2.      Cristo era a verdade encarnada, João 14:6.

3.      O ministério do Espírito visa a convencer os homens desse fato.

4.      Aquela fé religiosa que negligencia a Cristo, ou lhe confere posição inferior à que Ele tem no Novo Testamento, é falsa. (ver Gálatas 1:8,9).

5.      O Espírito será o agente que conduzirá os homens a Cristo, aqueles que o Pai lhe deu.

              Na qualidade de “Espírito da verdade”, o divino parácletos, guiaria os remidos a “…toda a verdade…”  o que é comentado com relação ao versículo 12 deste mesmo capítulo, onde essa verdade total fica subentendida na palavra “muito”. “Tenho ainda muito que vos dizer…” Isso teria lugar quando da continuação da obra de Cristo no mundo e nos corações de Seus discípulos, mediante o ministério do Espírito Santo, antes e depois de Sua ascensão aos lugares celestiais.

            Em adição às coisas já mencionadas acima, os ensinamentos posteriores contidos n -esse versículo seriam os seguintes;

1.       O Filho de Deus recebera do Pai a sua autoridade, e nada fazia ou dizia sem a instrução do Pai (ver João 3:32; 5:19,20; 7:16,17; 8:26; 12:49 e 14:10). Isso redundaria em glória para Deus Pai.o que, de resto, lhe é devido (ver João 12:22), o que por sua vez, redundaria em glória para o próprio Filho (ver João 11:4; 12:23 e 13:31).

2.      Por semelhante modo, o Espírito Santo age como representante ou agente do Filho, como seu “alter ego”; por essa razão nada diz e nem faz exceto pela Sua autoridade, mediante Sua autorização, visando a glória de Cristo, tendo por propósito dar continuidade e completar a missão terrena do Senhor Jesus (ALTER EGO = Outro eu, pessoa em quem alguém deposita inteira confiança).

3.      Por meio de Sua vida e de Sua morte, o Senhor Jesus demonstrou perante os homens a significação da encarnação do “Logos” eterno. Isso também seria ensinado pelo Espírito Santo. Mas o Espírito de Deus ainda iria além desse ponto, porquanto ensinaria toda a verdade. A verdade é que o atual versículo parece subentender, frisando as profecias relacionadas a Cristo Jesus e ao seu segundo advento (conforme consta do item 6 das interpretações mais representativas do versículo 12): a visão de Cristo já na glória, o Cordeiro de Deus assentado em seu trono, Cristo na qualidade de Rei dos reis, Juiz, etc. (ver Apocalipse 4:12; 5:12,13; 19:10 e 22:3).

4.      Tudo isso serve de uma forma de autenticação prévia do Novo Testamento, embora não devamos limitá-lo a isso apenas, porquanto também está em foco a instrução pessoal, dada pelo Espírito Santo, aos corações e vidas dos homens, que não aparece formulada em documentos escritos.

5.      Além disso, está em vista o crescimento espiritual que o crente precisa experimentar, pois até mesmo essa experiência lhe é ensinada, visto que o simples conhecimento não é o único tipo de ensino que o Espírito de Deus confere aos crentes, cuja instrução não é meramente intelectual, mas também experimental. Isso é o conhecimento e a experiência da prática de Cristo, que Paulo tão diligentemente buscava, segundo lemos em Filipenses 3:12-16.

O ESPÍRITO SANTO ENSINA O QUE OUVIU

1.       “Ouvir”, neste caso, é uma metáfora poética, como se o Pai falasse com o Espírito e o instruísse sobre o que Lhe compete ensinar sobre Cristo e as Espirituais. Ele recebe conselhos por assim dizer.

2.      A expressão aqui usada limita o ensino; é óbvio que Ele não transmite qualquer coisa que o Pai não lhe diga para ensinar.

3.      Ele lembrará os homens acerca do Jesus histórico. O Novo Testamento é assim autenticado por antecipação.

4.      Mas Ele também ensinará aos homens, em seus corações, qual é o  significado de Cristo (conhecimento intuitivo).

5.       Notemos que em João 8:38 a função da “vista” é usada para indicar comunhão e comunicação. Assim também, aqui, “ouvir” exerce a mesma função. Os homens ouvirão e verão a glória de Cristo por meio do Espírito Santo. (ver também João 5:37).

6.      Através da igreja, o Espírito continuará a ensinar ao mundo aquilo que tiver ouvido da parte do Pai. “Não falará por si mesmo”. Sua mensagem não seria de sua própria palavra, e nem por Sua própria autoridade. O Pai estará por trás da mensagem. O Espírito seria Seu agente. O Filho seria seu tema.

“AS COUSAS QUE HÃO DE VIR”

1.       Todo ensino futuro, muitos temas espirituais, a mensagem divina para todas as todas as gerações futuras.

2.      Sobre o destino futuro do homem, quer de glória quer de julgamento.

3.      A “parousia” de Cristo, Apocalipse 19:11 e I Tessalonicenses 4:15.

4.      O triunfo e a glória de Cristo, bem como a glorificação do homem, em Cristo, Romanos 8:30.

5.      De modo geral, o lado profético da fé cristã: portanto, todas as coisas futuras que se vinculem aos interesses do homem.

VERSÍCULO 14

“Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará”

            Jesus Cristo, o Filho de deus, veio com a finalidade de glorificar a deus Pai, e nada fez ou disse que tivesse a tendência de diminuir ou de laborar contra esse propósito (ver João 12:28). Disso se derivava uma glória mútua, e assim o Filho de Deus também era glorificado (ver João 11:4; 12:23 e 13:31). Por semelhante modo, o Espírito santo viria a fim de glorificar ao Filho de deus, o que se refletiria novamente sobre o Espírito Santo, o qual assim seria também glorificado, por ser Ele o agente fiel de Cristo, que traz até aos homens tudo aquilo que o Senhor Jesus tem para oferecer-lhes.

            A glorificação do Filho de Deus, por intermédio do Espírito Santo, ocorre devido ao fato de que o Espírito de Deus não traz aos homens qualquer coisa independentemente do Filho, e nem lhes confere qualquer coisa que não tendo sido especificamente por Deus na pessoa do Senhor Jesus. O Filho é que é o Salvador de todos os homens, por ser Ele o Filho do homem, o “Logos” encarnado, que assumiu a natureza humana. Por essa razão é que tudo quanto Deus tem em reserva para ser outorgado aos homens, só pode ser dado por meio de Cristo. O Espírito Santo é o agente dessas dádivas, e não o seu originador; assim, a glória pertence ao Filho de deus, e, por sua vez, ao Pai.

            Somente o Espírito nos propicia um conhecimento vivo de Cristo como nosso Salvador e Senhor, tornando-nos participantes de Sua própria vida, bem como de todos os benefícios daí decorrentes. O alvo exclusivo do Filho é o de glorificar ao Pai; o alvo exclusivo do Espírito Santo é o de glorificar ao Filho” (Phillip Schaff, in loc; no Lange’s Comentary)..

            Quaisquer que sejam as revelações dadas aos remidos, todas elas, de alguma forma, devem falar de Cristo ou ter qualquer outra conexão com Ele; porque do contrário somos forçados a concluir que as mesmas revelações não vêm da parte de Deus realmente. Esse tipo de revelação não podemos limitar ao ponto de dizer que deve estar rigorosamente contida em algum livro ou coleção de livros sagrados; embora tenhamos de afirmar que tal revelação precisa estar em harmonia com aquela revelação dada originalmente através dos apóstolos.

Somos advertidos sobre o fato de que o LOGOS eterno é em si mesmo a total revelação de deus que o homem possui ou pode possuir; e também que os destinos dos homens são encontrados n’Ele.

 

Novas Revelações

1.       O texto não aborda quaisquer especulações sobre a questão de novas revelações escritas, (alguma terceira revelação).

2.      Apocalipse 22:18 não fecha a porta a esse respeito, conforme popularmente supõem-se.

3.      O versículo alude a qualquer revelação de qualquer espécie, escrita, intuitiva, etc., embora sob o controle do Espírito e visando glorificar a Cristo, o Homem ideal, na direção de quem se move a criação inteira (Colossenses 1:16). O Espírito vai revelando continuamente a Cristo. Ora, esse processo já está em andamento, e é através do Espírito Santo que o mesmo tem lugar; essa é uma revelação de deus feita à alma do crente e ultrapassa quaisquer considerações sobre documentos escritos. Trata-se de uma revelação espiritual, e não material, aos homens, lançando luz sobre a pessoa de Cristo. Todo esse processo, por sua vez, torna os remidos mais e mais semelhantes a Cristo, e os homens virão a glorificar a Cristo por essa causa.

      “A natureza íntima ou subjetiva da instrução proporcionada pelo Espírito Santo – como o Seu ofício consiste em descobrir para as almas dos homens aquilo que Cristo é extrema ou objetivamente é aqui expressa; e, ao mesmo tempo, está em foco a inutilidade de esperar qualquer revelação, da parte do Espírito, que faça qualquer outra coisa além de conferir às almas luz, para que compreendam o que Cristo é em Si mesmo, o que Ele ensinou e realizou a face da terra” (Brown, in loc).

VERSÍCULO 15

            “Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso eu vos disse que ele, recebendo do que é m eu, vo-lo anunciará”. Neste versículo, pois, o Senhor Jesus diz-nos que tudo quanto o Pai tem, foi dado ao Filho; e que o Filho, por sua vez, haverá de transmitir tudo isso aos seus verdadeiros discípulos. Não existe outra declaração mais elevada e profunda concernente ao alto destino dos remidos, em qualquer outra parte das Escrituras, embora existam outras declarações de natureza similar. Por exemplo, o trecho de Romanos 8:17 declara essa verdade levemente modificada: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo…” Assim sendo, compreendemos que do mesmo modo que um pai terreno deixa tudo quanto possui aos seus filhos, e que, na realidade, esses filhos possuem a mesma natureza de seu pai, assim também se dá no caso da família celestial. Tudo quanto Deus tem e é, está sendo transmitido aos Seus filhos que serão conduzidos à glória; e isso por intermédio de Jesus Cristo, de tal modo que aquela mesma natureza e herança que Cristo possui têm sido dadas aos demais filhos de Deus.

            Em sua epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo diz a mesma coisa sob outros termos: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo…nos predestinou para ele, para a adoção de filhos…” (Efésios 1:3,5).

No versículo 23 desse mesmo capítulo primeiro de Efésios, o tema é reiterado ainda sob outra forma, a saber: “…a qual é o seu corpo,  a plenitude daquele que a tudo enche em todas as cousas”. E a passagem de Romanos 8:29 igualmente repete o tema: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu ilho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

            Se Cristo é o primogênito de Deus, o primeiro de sua categoria a ser gerado, segue-se que haverá outros filhos de Deus dotados da mesma natureza, que compartilharão do mesmo destino e herança do Filho, o Senhor Jesus Cristo.

Esse é um ensinamento bíblico dos mais elevados, embora seja doutrina que não é proferida com freqüência e clareza nos púlpitos da moderna igreja cristã.

            Além disso, não se há de duvidar que existem serviços elevados que deus tem para delegar aos seus filhos regenerados, os quais serão os mais elevados instrumentos de Sua glória, em muito excedendo à posição e à glória dos anjos.

            Esses pensamentos podem ser sumariados como segue:

1.       Tudo quanto Deus tem e é tem sido comunicado ao Filho de Deus, o Senhor Jesus, e em seguida aos filhos de Deus, que estão sendo transformados segundo a imagem do Filho.

2.      Isso inclui a transmissão da perfeição moral e da transformação ética aos crentes (Efésios 3:19).

3.      Por sua vez, envolve a comunicação da natureza essencial ou tipo de ser, a transformação metafísica, de tal modo que os remidos participam assim da natureza divina, tal como Cristo dela participa (João 5:25,26).

4.      Tudo isso envolve uma elevadíssima herança, a possessão dos lugares celestiais, um bem-estar espiritual que desafia toda e qualquer descrição.

5.      Também está em foco o serviço que faremos, pertencente à mais elevada categoria, porquanto os filhos que estão sendo conduzidos à glória serão os principais instrumentos da glória de Deus nas eternas eras vindouras, pois serão superiores aos anjos, posto ao serem estes jamais chamados de filhos, nem jamais ter sido declarado que teriam a herança de filhos (Efésios 1:23).

6.      Tudo isso envolve a possessão eventual da sabedoria divina.

7.      Em termos práticos, no que diz respeito à vida presente, tudo isso pode ser possuído desta vida presente, em seus estágios iniciais, porque desde agora já somos filhos de Deus (João 1:12), e já nos encontramos na estrada por onde se regressa a Deus, agora o Espírito Santo comunica para nós toda a verdade, e leva-nos a começar a entender tudo quanto Ele tem para oferecer, desde que Ele assumiu o ministério do Filho de Deus neste mundo, abençoando-nos com todas as formas de bênção espiritual, por causa do Filho de Deus e através d’Ele (II Coríntios 3:18).

VERSÍCULO 16

            “Um pouco, e já não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis”

A expressão “…um pouco…” aflora nesta secção, nos lábios do Senhor Jesus, Por nada menos de sete vezes (ver os versículos 16-19); e isso com diversas aplicações: a primeira delas (no versículo 16) se refere ao breve intervalo de tempo que se passou entre o momento em que Ele falou e a sua morte na cruz, o que foi menos de vinte e quatro horas. É expressão usada no trecho de João 14:19 mais ou menos com a mesma significação, onde também se faz alusão à aproximação de Sua morte para breve, com a conseqüente separação entre Cristo e Seus discípulos. Todavia, nesta última passagem bíblica, fica subentendido um período de tempo um tanto mais prolongado, pois as palavras: “…ainda por um pouco…”, que ali se acham, fazem alusão à ressurreição do Senhor. Já no versículo que ora manuseamos, dois breves períodos de tempo são claramente distinguidos, embora ambos sejam expressos pelas palavras “um pouco”. O primeiro desses períodos seria o pouco tempo que restava antes da morte de Jesus Cristo (menos de 24 horas0 e o segundo se estendia do momento de sua morte até ao momento de Sua ressurreição. Isso nos mostra que ambas as ocorrências dessa expressão “um pouco” equivalem ao único “um pouco” que se lê em João 14:19.

            Essa ida para o Pai, por parte do Senhor Jesus, assegurou aos discípulos a visão espiritual mais perfeita sobre o Filho, a saber, a revelação de Sua glória, pois dessa maneira é que Cristo subiu para a glória que Lhe convinha.

Por conseguinte, dessa forma os discípulos viriam a compreender a magnitude da pessoa de Jesus Cristo; e, prosseguindo mais ainda nessa compreensão, perceberiam qual o seu próprio elevadíssimo destino, que está eternamente vinculado ao de Cristo. Ora, o Espírito Santo é o agente dessa revelação, e dentro de poço tempo essa revelação teria começo. Nesse sentido, dentro de mais um pouco, começariam realmente a ver ao Filho segundo Ele realmente é, e passariam a realmente entender o que Ele representava para eles.

VERSÍCULO 17

“Então alguns dos seus discípulos perguntaram uns para os outros: Que é isto que nos diz? Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Porquanto vou para o Pai”

VERSÍCULO 18

“Diziam pois: Que quer dizer isto: Um pouco? Não compreendemos o que ele está dizendo”.

            As diversas partes componentes do discurso de despedida do Senhor Jesus deixaram perplexos e atônitos aos discípulos. Essa perplexidade deles, ante as declarações espantosas de seu Mestre é um tema repetido com freqüência neste Quarto Evangelho, mas também nos outros três Evangelhos; por conseguinte, sabemos que representa realmente aquilo que aconteceu.

Muitas vezes os discípulos sacudiram desoladamente a cabeça ante as palavras de Jesus, que lhes pareciam tão enigmáticas. Nesse caso, embora talvez compreendessem intuitivamente o que Ele queria dizer acerca de Sua própria morte, todavia não queriam aceitar conscientemente essas palavras como fato.

O que se sabe, entretanto, é que eles coisa alguma entenderam sobre o quanto estava implícito na ressurreição, no Pentecoste ou na parousia (segunda vinda de Cristo). Por isso podemos compreender com facilidade a perplexidade dos discípulos, pois pouco realmente entendiam de tudo quanto Jesus lhes declarava, ainda que porventura houvesse entendido com clareza que era mister que o Senhor morresse dentro em breve. (Quanto a outras passagens bíblicas que pintam essa profunda ignorância dos discípulos, ver os trechos seguintes: Mateus 15:16; 16:11; Lucas 18:34; 24:25 e João 14:9)

            O tema paralelo da impossibilidade dos homens naturais entenderem os ensinamentos de natureza espiritual de Cristo, pode ser encontrado em trechos bíblicos como João 2:20; 3:4; 4:11,33; 6:52 e 11:12.

            Os discípulos de Cristo, pois, expressavam sua perplexidade uns para os outros, e não para o próprio Senhor Jesus (conforme nos mostram os versículos 18 e 19 deste capítulo), porquanto se sentiam extremamente embaraçados por não poderem entender, com tanta freqüência, as palavras de Jesus. Assim procuraram obter informações uns dos outros, procurando evitar que a sua lamentável falta de entendimento fosse percebida por Jesus.

            O versículo 18 deste capítulo é uma virtual repetição do 17, exceto que pode indicar os seguintes pontos:

1.       Uma outra discussão, havida entre os discípulos, em que repetiram as suas indagações.

2.      Os discípulos, tendo feito consultas entre si, sem chegarem a qualquer resultado positivo, finalmente confessaram, com toda a franqueza que ignoravam o sentido das palavras de Jesus. Esses debates dos discípulos giravam em torno das palavras “um pouco” e da declaração envolvida nas mesmas, o que, nos versículos 16 e 17, é dito em termos gerais, mas que neste versículo 18, no original grego, aparece acompanhado do artigo definido, o que em português, se poderia traduzir como “esse um pouco”. É como se os discípulos tivessem perguntado; O que é isso sobre o que fala o Senhor Jesus, “um pouco” que Ele acaba de mencionar? E, assim, os discípulos centralizaram a sua perplexidade em torno dessa declaração de Cristo. (A expressão “…um pouco…”é explanada nas notas expositivas sobre o versículo 16, ao passo que a questão de Cristo ir para o Pai é exposta nas notas relativas ao versículo 10).

VERSÍCULO 19

            “Percebeu Jesus que o queriam interrogar, e disse-lhes: Indagais entre vós acerca disto que disse: Um pouco, e não me vereis mais; e outra vez um pouco, e ver-me-ás?”

VERSÍCULO 20

            “Em verdade, em verdade vos digo que vós chorareis e lamentareis, mas o            mundo se alegrará; vós estareis tristes, porém a vossa tristeza se conver           terá em alegria”.

            O debate entre os apóstolos finalmente chegou à atenção de Cristo. “Era desejo dÉle guiá-los até àquele ponto. Agora lhes oferecia um esclarecimento cuja magnitude e certeza são introduzidas pelas palavras “Em verdade, em verdade” (Lange, in loc). “O embaraço dos discípulos já se tinha patenteado, depois de terem feito quatro indagações (por Pedro, Tomé, Filipe e Judas)” (Robertson, in loc). As referências sobre essas indagações são as que se seguem:
Pedro – João 13:36; Tomé – João 14:5; Filipe – João 14:8; e Judas – João 14:22.

            O propósito dessa declaração enigmática (ver o versículo 29) já havia sido realizado. A atenção deles fora despertada, e, haviam dado o primeiro passo em direção ao conhecimento. Inquiriram entre eles mesmos, e essa atitude de indagação é que Cristo leu em seus corações. Agora passava a responder às perguntas dos discípulos. A primeira parte de Sua resposta dizia respeito à dificuldade deles sobre as palavras um ”pouco”. E no versículo 28 deste mesmo capítulo Ele lhes responde o pensamento que tiveram sobre a Sua ida para o Pai. “…Em verdade, em verdade…” Essa expressão prefacia as declarações mais solenes e profundas do Senhor Jesus. Fala do seguinte:

1.       Da fidelidade da declaração em sua veracidade;

2.      de sua certeza;

3.      do fato de ser digno de confiança o que vem a seguir;

4.      da solenidade da declaração;

5.      do fato conseqüente de que a declaração deve ser recebida com toda a atenção pelos ouvintes, porquanto aquilo que é dito em seguida se reveste de magna importância para os mesmos. Essa expressão se baseia (através do grego) do vocábulo hebraico amém, que quer dizer “assim seja”, mas devido o seu uso na liturgia judaica, por haver sido vocábulo usado no fim das orações e declarações solenes, assumiu outros sentidos, que têm a idéia de confirmar a veracidade e a dignidade de quaisquer afirmações. Por isso mesmo, “em verdade, em verdade” é excelente tradução do intuito principal da afirmativa. No evangelho segundo João, a expressão sempre aparece em fórmula dupla, isto é: “em verdade, em verdade”, enquanto que nos demais evangelhos ela sempre figura no singular, “em verdade”. O Senhor Jesus pode ter-se utilizado de ambas as formas, e os diversos autores dos quatro evangelhos preservaram a expressão de uma ou de outra forma, o que foi apenas questão de preferência dos próprios autores sagrados e nada mais. No caso em foco, a declaração que os discípulos deveriam receber com a máxima atenção é que grande tristeza recairia sobre eles, tristeza essa expressa através de três vocábulos, a saber:

a.      CHORAREIS (no grego Klausete, de Klalo), palavra que indica choro em altas vozes, e que com freqüência é o verbo utilizado para indicar o derramamento de lágrimas (ver Mateus 26:75 – o choro pelo Senhor Jesus, quando de Sua morte, o que assim cumpria esta profecia, em sua aplicação imediata). Essa é igualmente a palavra usada para descrever a tristeza inconsolável de Raquel “…chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem…(Mateus 2:18). Quando os apóstolos, portanto, vissem ao Senhor Jesus morto, em um túmulo, seriam assaltados por esta profunda forma de tristeza.

b.      LAMENTAREIS (no grego Threnesete, de Threneo). Essa palavra denota as expressões audíveis de tristeza, e originalmente indicava a declaração de um cântico fúnebre sobre um morto. Assim é que, nos escritos de Homero, encontramos a seguinte lamentação por Heitor, em Tróia: Num belo divã puseram o cadáver, e puseram Cantores a seu lado, líderes da lamentação (threnon) Que cantavam (ethereneo_ triste e lamentosamente. E todas as mulheres respondiam com soluços. (A ILÍADA XXIV, 720-722) Por semelhante modo, pode-se ver esse emprego do termo na Septuaginta Antiga tradução dos escritos do Antigo Testamento para o grego, em Jeremias 21:10 e II Samuel 1:17. Ou então no Novo Testamento em Mateus 11:17 e Lucas 7:32.

6.      ENTRISTECER-VOS-EIS (no grego lupethesesthe, de lupeo). Quanto ao seu significado, esse é o termo de sentido mais geral dentre os três aqui utilizados, expressa qualquer tipo de dor, do corpo ou da alma, tanto como uma manifestação externa de pesar íntimo, oculto para os outros. Dessa maneira, mediante tais palavras, o Senhor Jesus retratou a intensidade da angústia que estava prestes a dominar aos discípulos, naquele “um pouco” sobre o qual eles haviam inquirido.

“…a tristeza e a viuvez da igreja, durante seu presente estado, mas que será transformado em júbilo, quanto da vinda de seu Senhor” (Alford, in loc.). “E ao mesmo tempo a tristeza da igreja viúva, durante a ausência de seu Senhor, enquanto Ele está nos céus, e o seu transporte por ocasião de Sua volta pessoal. Certamente isso tudo está expresso aqui” (Brow, in loc).

“…e o mundo se alegrará…” “…os judeus incrédulos; e não somente o povo comum, mas também os principais sacerdotes, juntamente com os escribas e anciãos, que zombaram de Cristo, insultaram-no e triunfaram sobre Ele, quando estava dependurado da cruz, alegrando-se no coração por tê-lo conduzido até ali, pois imaginavam que tudo havia terminado para ele, que o dia lhes pertencia, e que não mais precisavam ficar perturbados por causa de Cristo e os Seus seguidores” (JOHN GILL, in loc).

            A ciência moderna da antropologia revela-nos que o deleite no sofrimento é um sinal próprio às civilizações selvagens e atrasadas, mas que o horror pelo sofrimento alheio, a simpatia pelos que sofrem, é característica das civilizações mais avançadas. O deleite das civilizações primitivas no sofrimento dos animais também se reflete no seu deleite ante o sofrimento humano. Considerando as brutais guerras modernas e a atual desumanidade de homem contra homem, é evidência de que a civilização não conseguiu progredir muito, moralmente falando, se usarmos como medida avaliadora essa questão do regozijo no sofrimento alheio.

“…mas a vossa tristeza se converterá em alegria…” Essas palavras do Senhor falam da alegria que os discípulos experimentaram sob os seguintes aspectos:

1.       Na ressurreição. Considerai a mudança da tristeza para a alegria, em João 20:14-16, quando não puderam acreditar ainda por causa da alegria (ver Lucas 24:41). Tão  violenta assim foi a reação dos discípulos ante a súbita aparição de Jesus” (Robertson, in loc).

2.      Também está em vista a alegria contínua que o Espírito Santo insuflaria nas almas dos discípulos de todas as eras, durante esta dispensação da igreja; alegria essa que gradualmente haveria de dissipar a tristeza natural, vinculada à ausência do Senhor Jesus, cujo resultado seriam as perseguições; ou mesmo aquela tristeza natural, ligada ao senso de alienação dos céus, durante a presente peregrinação terrena.

3.      Certamente também há aqui indícios sobre a segunda vinda de Jesus Cristo, quando Ele houver de reunir-se novamente aos Seus discípulos, abrindo-nos o caminho para os lugares celestiais e para o estado eterno. “Em conseqüência disso, a profundeza da tristeza dos discípulos seria a aquilatação celestial de sua alegria. Não somente a alegria substituiria a tristeza; mas a alegria dos discípulos surgiria dentre a própria tristeza, pois a tristeza se transformaria em alegria” (Lange, in loc).

Uma das promessas especiais, feitas pelo Senhor Jesus, é a da plenitude da alegria, a qual é conferida, dentro da metáfora da videira e dos ramos, aos ramos que permanecerem Cristo.

VERSÍCULO 21

“A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição,  pelo gozo de haver um homem nascido no mundo”.

            O Senhor Jesus ilustra aqui a intensidade e a natureza do sofrimento que sobreviria aos discípulos através do tipo de tristeza que se abate sobre uma mulher qualquer, ao dar nascimento a u filho. Esse emprego é também encontrado em outros lugares no Novo Testamento, como segue:

1.       Em Romanos 8:22 – Aqui se fala sobre a criação inteira, que aguarda ansiosamente a fruição da promessa de Deus concernente à manifestação dos filhos de Deus, ao fim desta dispensação, que fará ocorrer aquela operação especial de Deus. Note-se, neste caso, que uma nova espécie da manifestação da vida é aqui indicada, uma alteração das coisas, a concretização dos planos de nosso Pai Celestial.

2.      Em I Tessalonicenses 5:3 – Esse texto faz referência ao julgamento repentino que apanhará os ímpios de surpresa, por haverem rejeitado a Cristo; e isso sucederá quando de Seu aparecimento (ou segunda vinda), em glória. Este texto igualmente alude à culminação de todas as coisas, mas enfatiza particularmente o aspecto da inevitabilidade e da severidade do juízo divino.

3.      Em Apocalipse 12:2 – Aqui é focalizado o caso do povo de Israel, que foi sado como instrumento para trazer o Cristo, o Messias, ao mundo, o que ilustra nova mente a doação da vida a um mundo morto em delitos e pecados, um novo começo, a realização dos planos eternos de Deus.

4.      Em Gálatas 4:19 – O apóstolo Paulo emprega essa ilustração acerca dele mesmo, como luz sobre seus sofrimentos e lutas em favor das igrejas, a fim de que Cristo seja formado nelas. Isso novamente ilustra a idéia de fruição ou concretização dos planos de deus, ficando também destacada a idéia da nova vida que dessa maneira é conferida aos que crêem.

5.      Os profetas do Antigo Testamento empregaram essa expressão a fim de indicarem profundezas ou intensidades especiais de sofrimento e provação, e de algumas vezes o fizeram em conexão com o trabalho de parto de Israel, em seus sofrimentos, no aguardo da libertação messiânica, como em Miquéias 4:9,10. Ver também Isaías 21:3; 26:17,18; 66:7,8; que falam das bênçãos próprias do reino, por meio de Cristo: Jeremias 4:31; 22:23; 30:6; Oséias 13:13,14; Miquéias 4:9,10.

            De conformidade com o modo como essa ilustração é usada neste texto, podemos perceber as seguintes implicações:

1.       Os sofrimentos e a tristeza dos discípulos haveriam de ser intensos da mesma mesma maneira que o trabalho de parto com freqüência produz dor intensa.

2.      Esses sofrimentos seriam inevitáveis, tal como também não há remédio para o parto, senão quando o mesmo se completa, em que a mulher passa por todo o processo e finalmente dá à luz o seu bebê.

3.      Todavia, esses sofrimentos teriam um resultado altamente favorável, uma fruição na forma de elevadíssima alegria, tal como a mulher que dá à luz a seu filho se regozija, passada a aflição do parto.

4.      Esse júbilo seria tão intenso que obliteraria completamente toda a memória das aflições: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós” (Romanos 8:18). Quando chegarmos finalmente à praia, quem contará as ondas passadas? (Keble).

5.      Outrossim, é também frisada a idéia de que a tristeza seria subitamente transformada em alegria, tal como o trabalho de parto, uma vez terminado, alivia imediatamente todo o sofrimento da mãe.

6.      Finalmente , essa alegria produzirá a vida eterna como seu resultado, em um triunfo completo sobre as forças do mal, que são inimigas de Cristo, porquanto em Sua segunda vinda nos brindará com o pleno gozo da vida eterna, estabelecerá o estado eterno entre os crentes e triunfará sobre todos os seus adversários (E isso equivale ao caso da mãe que acaba de dar uma nova vida ao mundo).

7.      Nessa analogia, alguns intérpretes pensam poder ver o nascimento da igreja, o que, naturalmente é aplicação que pode fazer parte da ilustração, pois foi através de grandes sofrimentos que a igreja veio finalmente à existência. Esse sentido inclui a idéia de que todo crente é resultado das dores de parto e dos sofrimentos de Cristo Jesus. Dessa forma, os discípulos deveriam alegrar-se de modo especialíssimo, por estarem inteirados dessas verdades ensinadas pelo Senhor Jesus, posto que elas lhes asseguravam a alegria e a vitória finais: Pobres fragmentos, todos desta terra; Tais que no sono dificilmente aliviariam Uma alma que já provou da verdade imortal. (Keble).

VERSÍCULO 22

“Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas eu vos tornarei a ver, e alegrar-se-á o vosso coração, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará”

            Esta passagem contém essencialmente os mesmos elementos do versículo 21, embora enfatize os seguintes pontos:

1.       A subitaneidade da tristeza transformada em alegria, tal como uma mulher em trabalho de parto é repentinamente aliviada de sua aflição, uma vez completo o nascimento do bebê.

2.      A própria causa da tristeza (a separação entre Jesus e os discípulos, devido à morte do Senhor) seria a fonte do júbilo, porquanto através dessa morte Deus traz de volta para Si mesmo os homens que se tinham desviado no pecado, perdoando-os e restaurando-os. Outrossim, são particularmente aludidas aqui as aparições do Senhor Jesus após a Sua ressurreição, como algo que produziu intensa alegria nos corações dos discípulos; e essa alegria sobre a ressurreição seria impossível se o Senhor Jesus não tivesse morrido em expiação por nossos pecados. A ressurreição de Cristo foi o selo de aprovação da expiação, tendo sido o meio pelo qual Cristo pôde oferecer aos homens o perdão dos pecados e a vida eterna, já que somente assim pôde ser garantida a participação deles nessas bênçãos eternas, uma vez que Cristo Jesus é as primícias da transformação de um ser humano em vida imortal. “A hora da morte de Jesus foi, para os discípulos, a hora natalícia de uma vida nova” (Luke, in loc).

3.      Em outro sentido, a alegria dos discípulos lhes foi conferida como recompensa pela sua profunda tristeza e angústia, posto que os seguidores de Jesus não se regozijaram com morte, a exemplo do mundo (ver o versículo 20), mas participaram de toda angústia própria dos acontecimentos da cruz. Ora, Deus estava plenamente cônscio disso e, sabendo que eram discípulos autênticos e honestos, deu-lhes aquela suprema alegria de verem o Senhor Jesus vivo novamente; e, mediante o Espírito Santo, essa alegria foi levada a uma fruição ainda mais pura (ver João 15:11, onde a “alegria” aparece como fruto do Espírito e dom de Cristo).

4.      Essa alegria do Espírito é produzida pela prática do morrer diário juntamente com Cristo para a carne, para o mundo e para o pecado, o que provoca uma uma cada vez mais profunda transformação moral, que dará como fruto a participação na própria natureza divina moral (ver Mateus 5:48). (ver o capítulo 6 de Romanos, que versa sobre o morrer com Cristo para a carne, para o mundo e para o pecado). Esse morrer para o mundo produz no crente a plenitude da alegria, porquanto é através desse exercício constante na vida ressurrecta de Cristo Jesus, a experiência de coisas superiores, pertencentes ao nível espiritual onde o Senhor se encontra.

5.      Essa alegria, em forma ainda mais completa e perfeita, será trazida para os crentes quando o Senhor retornar corporalmente à sociedade dos homens, por ocasião de Sua segunda vinda,dando início nos homens a uma nova transformação na maneira de existirem, uma nova fruição dos planos de Deus nas vidas dos remidos. Nesse momento é que os discípulos de Cristo verão novamente ao Senhor Jesus de maneira toda especial, o que foi prefigurado em suas aparições logo após a Sal ressurreição, como concretização dessas aparições.

“…quando de minha ressurreição – pelo meu Espírito – no meu segundo advento” (Alford, in loc). “Tudo depende da ressurreição; pois sem as experiências daquelas oportunidades não  haveria como contemplarmos a Cristo no Espírito” (Bernard).

“…  e a vossa alegria ninguém poderá tirar…” Quanto a esta declaração do Senhor       Jesus, temos a considerar os quatro pontos seguintes:

1.       Seria uma alegria permanente, visto ser divinamente conferida, que nenhuma criatura seria capaz de arrebatar dos discípulos.

2.      Sua permanência também dependeria dos eventos que haviam sido determinados por Deus de antemão, e os homens que agora participam de seus efeitos, fazem-no porque assim dita o destino de cada um deles, escolhidos como  foram na pessoa de Cristo.

3.      Finalmente, essa alegria dos discípulos é permanente porque resulta da obra do Espírito Santo no coração dos remidos, e Ele não falhará em Sua tarefa (ver João 15:11).

            Cristo Jesus, por conseguinte, pregava uma ética eudemonística, isto é, umaética cujo alvo é a felicidade; a tristeza pode fazer sua negra intervenção, e realmente é impossível que assim não seja; mas o Senhor Jesus garante-nos a vitória final.

            À indagação: “Por que devo ser uma pessoa moral?” F. H. Bradley retruca: “Perguntas por quê? Isso já é uma imoralidade. Fazer o bem por sua própria causa é uma virtude, mas fazê-lo por algum objetivo ou finalidade ulterior, que não é bom, nunca é demonstração de virtude… E a teoria que encara a virtude, como no caso dos que querem amealhar dinheiro, como um fim e não um meio, contradiz a voz que proclama que a virtude não parece ser, mas realmente é um fim por si mesma”. (Ethical Studies – Nova Iorque, G.E. Stechert and Col, 1911, páginas 56,57).

            Naturalmente, essas palavras expressam uma verdade; mas a promessa da alegria, que nos fez o Senhor Jesus, é uma promessa que a própria bondade, a própria virtude, necessariamente inclui a alegria.

…porque o direito é direito, seguir o direito

é uma sabedoria que zomba das conseqüências.

(Tennyson, O nome 1.147)

VERSÍCULO 23

            “Naquele dia me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo que tudo quanto pedirdes ao Pai, ele vo-lo concederá em meu nome”

            Não podem ser tomadas em sentido absoluto, pois a verdade é que os discípulos pediram informações de Cristo, após a Sua ressurreição, como se vê no capítulo 21 do evangelho segundo João e no capítulo primeiro do livro de Atos dos Apóstolos.Vê-se melhor o sentido dessas palavras desdobrando-o nos cinco pontos abaixo:

1.       Seu sentido é relativo. Pois então teriam passado do período do discipulado imaturo, quando todas as afirmativas feitas por Cristo lhes pareciam difíceis de entender e assimilar, sempre exigindo alguma explicação especial.

2.      Portanto, não mais fariam indagações impetuosas, estúpidas, imaturas, que só demonstravam ignorância, e nem mais continuariam ficando perplexos ante as profundas instruções dadas por Cristo.

3.      Pelo contrário, entrariam numa nova fase de iluminação, estado no qual as  suas perguntas seriam inteligentes e significativas.

4.      Esse estado de iluminação superior seria condicionado pelo ministério contínuo do Espírito Santo, que é o grande Mestre que permanece com os crentes. Ele, pois, daria instruções apropriadas a todas as necessidades dos discípulos.

5.      Alguns estudiosos têm conjeturado que o período em que os discípulos nada haveriam de indagar de Cristo seria o tempo do ministério do divino parácletos; pois então, estando o Senhor fisicamente ausente, ser-lhes-ia impossível fazer-Lhe qualquer pergunta.

            Mas o parácletos, que é o Espírito Santo, é quem seria o Mestre e o esclarecedor de todas as perguntas feitas pelos discípulos. Sem dúvida esse aspecto está subentendido nessas palavras de Cristo, embora os outros aspectos nem por isso hão de ser eliminados.

VERSÍCULO 24

            “Até agora nada pedistes em meu nome; pedi,e recebereis, para que o vosso gozo seja completo”.

            A vida de oração abundante, que necessariamente se alicerça na prática obediente da Palavra de Deus, na observância dos mandamentos de Cristo e no andar do Espírito (mensagem do capítulo 15 deste evangelho), tem por resultado inevitável a presença habitadora e permanente do espírito Santo no íntimo do crente. A conexão geral que isso tem com a oração e com a alegria, já foi observada em João 15:7-11. Pois, aquele que tem uma vida espiritual abundante, repleta do fruto do Espírito, é justamente o crente que já aprendeu como orar corretamente, o que testifica um resultado abundante de suas orações.

Esse resultado extraordinário e transbordante da oração é realmente a fonte perene de alegria que enche a vida do crente. E tudo isso, mui simplesmente, consiste no resultado do andar no Espírito santo. O Espírito de Deus  ensinaos homens a orarem como devem, a irarem pelo que devem orar; essas orações se centralizarão em torno de coisas espirituais, não visando primariamente o bem-estar físico do indivíduo, apesar da existência física também estar indiretamente inclusa nos cuidados que Deus exerce por nós, cuidados esses que também atingem as coisas materiais.

            O homem espiritual, todavia, em todas as suas expressões, exibe uma sensibilidade especial para com os apelos e anelos do…Espírito Santo, estando supremamente interessado no progresso do reino espiritual de Cristo, na salvação de seus semelhantes e em seu próprio desenvolvimento espiritual, o que, em última análise consiste na transformação ética e metafísica de seu ser segundo a imagem de Cristo. Portanto, tal crente ora em prol dessas bênçãos, sempre procurando esvaziar-se dos elementos egoístas e delírios de sua vida, não tendo prazer em orar por aquelas coisas que não têm utilidade espiritual ou não visam o bem-estar dos outros.

            Assim agindo, o crente segue a vontade de deus. E é a essa forma de oração que dês responde com riqueza. São as orações verdadeiramente feitas em nome de Cristo, nome esse que não deve ser acrescido às nossas orações Omo mero apêndice litúrgico; pelo contrário, o nome de Cristo expressa a idéia de que aquele que ora está em Cristo, goza de comunhão com Ele, foi regenerado por Ele, e espera por Ele da glória celeste. E então Deus Pai concede ao crente as orações por ele feitas em nome de Jesus Cristo; e os benefícios espirituais desejados lhes serão outorgados por estar ele em união espiritual com o Senhor Jesus. Ora, tudo isso reverbera na forma de alegria na vida do crente, pois a alegria é uma companheira necessária da retidão, segundo temos verificado na passagem de João 16:22.

            (Quanto a uma nota especializada sobre o tema da alegria do crente,ver João 15:11 – no livro O NOVO TESTAMENTO INTERPRETADO, Versículo por Versículo – de Russell Norman Champling).

Fatos a Considerar

1.       A oração abre o caminho de acesso ao Pai, a fonte de todo o bem-estar; (Hebreus 4:16).

2.      A oração é ajudada pelo Espírito (II Tessalonicenses 3:5), e isso através de Cristo (Efésios 2:18).

3.      Ela ajuda os homens a atingirem seus destinos, mediante o cumprimento de suas respectivas missões (Colossenses 4:2-4).

4.      A oração é um ato de criação, pois pode alterar tanto as pessoas quanto as circunstâncias.

5.      Jesus deixou o exemplo; Ele vivia em constante oração (Mateus 14:23).

6.      A oração é um meio de crescimento espiritual, pois ela existe não meramente  para pedirmos coisas, mas por si mesma é um exercício espiritual que ajuda a alma a crescer. Outros meios para isso são o estudo das verdades espirituais, contidas nos documentos sagrados, a meditação, que é a irmã gêmea da oração, o viver diário segundo a lei do amor e das boas obras, a santificação, e o uso dos dons espirituais.

7.      Ver Efésios 6:18 quanto a uma nota detalhada sobre a oração.

8.     Neste texto, a alegria é o benefício central que resulta da oração (ver João 15:11; Filipenses 4:1 e Gálatas 5:22).

 

SENHOR, EU PRECISO DE TI

 

  1. Eu creio, Senhor, na divina promessa,
    Vitórias já tive nas lutas aqui,
    Contudo, é mui certo que a gente tropeça:
    Por isso, Senhor, eu preciso de Ti.
  2. A luz que me guia o escuro caminho,
    Fulgura de cima, do Sol criador,
    Contudo, não posso segui-Lo sozinho:
    Por isso eu preciso de Ti, meu Senhor.
  3. Bem sei que nas preces eu posso buscar-te,
    Jamais dessa bênção na vida eu descri,
    Contudo, é possível que eu dela me aparte:
    Por isso, Senhor, eu preciso de Ti.
  4. Esforços da terra, precário destino,
    Empenho dos homens, riqueza, o que for,
    Não valem a bênção do reino divino:
    Por isso eu preciso de ti, meu Senhor.
    (Antônio de Campos Gonçalves)

 

 

Preparamos mais estas Pérolas Bíblicas, a fim de auxiliar os nossos leitores para

desenvolverem o seu conhecimento bíblico, conforme II Pedro 3:18.

(Rev. Romeu Maluhy).

 

 

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