Libertinos, Cautela

 
 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo

 

LIBERTINOS, CAUTELA!

 

Leituras Bíblicas: I Timóteo 3:1-13 e Romanos 14:1-12

 

“Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamação, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (I Timóteo 6:3-5).

           

Cuidado com os libertinos! Partido político que, no tempo do Ministério do grande reformador, João Calvino em Genebra, queria se opor à disciplina e à ordem que a fé bíblica e reformada impunham aos cidadãos genebrinos. Chegaram a quase prevalecer nos anos iniciais da Reforma Calvinista na cidade de Genebra, no Cantão de Genebra: Provocaram a expulsão dos pastores Guilherme Farel e João Calvino, de Genebra. De lá, foram para Estrasburgo, e Genebra mergulhou nas trevas do pecado e da libertinagem, seguindo a sede de liberdade sem limites, essência da filosofia dos libertinos. A situação moral agravou-se tanto que literalmente, Genebra mergulhou nas trevas do pecado, dos vícios e da deterioração moral. Os cidadãos de bem, e eticamente saudáveis, formaram uma omissão para trazer de volta os reformadores para Genebra.

Foram até Estrasburgo para chamá-los. Calvino e Farel, concordes, impuseram uma condição: “Que os cidadãos genebrinos reunidos em Assembléia, assumissem o compromisso público e solene, de aceitarem as Escrituras Sagradas, a Bíblia, como única regra infalível de fé e prática, de doutrina e de ética”. E, assim, foi feito.

            A Reforma espiritual, moral, religiosa e ética foi implantada. Os resultados foram tão saudáveis e positivos, que no Brasão da Cidade de Genebra, até os dias de hoje se lê: “Lux post tenebris” – “Após as trevas, luz”. Foi a resposta altissonante  dada pelos reformadores ao Partido dos Libertinos.

            A liberdade com que Cristo nos libertou é a fonte de todo movimento libertário no mundo. Foi o que Jesus afirmou, em João 8:32, no bom e puro latim: “Veritas liberabit vos”, …”E a verdade vos libertará”. E no versículo 36, completa: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.

            Para os gregos, da antiguidade, a liberdade era a possibilidade de cada qual estabelecer o seu modo de vida segundo as próprias tendências, respeitando o bem-estar do outro e o bem comum de todos. Este era, para os gregos, o mais belo e o mais sublime dos ideais para o indivíduo e para a sociedade.

            Na base da liberdade estava o direito de expressar livremente o seu pensamento. Eis a sentença verdadeiramente clássica de Anaxágoras – 427 A.C.

“O escopo supremo da vida humana é a contemplação da verdade e da liberdade que dela emana.

            Vimos no editorial do domingo 6 de novembro: A ética da liberdade – onde a primeira frase deve ser lida assim: “A pessoa só é livre quando o pecado não tem mais domínio sobre ela”.

            No domingo 13:11 estudamos: “Os limites da liberdade cristã”. Já, hoje, domingo, 20 de novembro: “Libertinos, cautela!” Ou seja, cuidado com os libertinos, cuidado com a ausência de limites, analisemos os textos citados no título do Editorial. . Comecemos com I Timóteo 6:3 a 10.

 

I – CUIDADO COM OS ALTERCADORES!

SÃO OS CRIADORES DE CASO!

 

            “O texto diz que eles não concordam com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade” (v.3) O assunto é tão sério que é melhor deixar a Bíblia falar: “São enfatuados e nada entendem” Têm mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocações, difamações, suspeitas malignas e altercações sem fim” (Versículos 4 e 5).

O melhor é não perder tempo com eles. Fazem parte do “Partido dos Libertinos”.

            Lembre-se: A diferença entre uma pessoa bem-sucedida e a outra fracassada é que a bem sucedida está sempre do lado da solução dos problemas.

            E, se não houver problemas, ela cria. São os famosos “criadores de caso”, com os quais não convém perder tempo. Diz o texto sagrado:

            a) A mente deles é pervertida;

            b) São privados da verdade, ou seja, são mentirosos;

            c) Chegam a pensar que a piedade é fonte de lucro.

            d) É verdade que piedade com contentamento abençoa.

            e) Tendo sustento e com que nos vestimos estejamos contentes” (versícu-

               lo 8)

            f) Os que querem ficar ou parecer ricos, fazem muitas coisas insensatas.

            g) Pois, “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (Versículo 10).

 

II – OS MALES E AS CORRUPÇÕES DOS

ÚLTIMOS DIAS: II TIM. 3:1-13
            É preciso pôr na lista dos libertinos de ontem, de hoje e de sempre, um elenco tétrico das características do comportamento de homens egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, atrevidos, sem domínio próprio – que é fruto do Espírito Santo. Por favor, leia II Timóteo 3:1-9.

            Observe que a pornografia penetra em mentes doentias e em corações vazios. Versículos 6 e 7. É triste, mas é a verdade: São tempos terríveis e dias difíceis que sinalizam a proximidade da volta gloriosa de Jesus. A vontade é dizer: Maranata! Vem, Senhor Jesus, volta logo!

            A expressão bíblica, “nos últimos dias”, precisa ser corretamente entendida: “Não pode limitar-se aos dias que precederão à segunda vinda de Cristo”.

            No Antigo Testamento, essa expressão “nos últimos dias” refere-se aos tempos vindouros próximos ou remotos, mais especificamente refere-se ao futuro, que já começou, mais ainda não se consumou. O que se inclui “nesse futuro” precisa ser determinado em cada caso. Por exemplo, quando Jacó abençoou seus filhos, não estava pensando primeiramente no que ocorreria no final o mundo, nem ainda no destino final último de cada tribo neles representada: possivelmente pensasse apenas na vida e no bem-estar de cada uma dos seus descendentes e queria vê-los bem, como todos nós queremos ou deveríamos querer.

            Como o contexto demonstra a expressão “nos últimos dias” em Paulo, no texto de II Timóteo, refere-se à era iniciada com o aparecimento de Cristo sobre a terra – a sua encarnação, vida, ministério, morte, ressurreição, ascensão e segunda vinda. É amplo o conceito. Essa é a era do cumprimento das profecias messiânicas e das promessas feitas aos nossos pais, que alcançarão a sua mais gloriosa concretização na consumação dos séculos, com o arrebatamento da Igreja e a consequente segunda vinda de Cristo, pela qual todos nós, os eleitos, tanto ansiamos.

 

III – EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE

            Aqui se encaixa muito bem a ética da tolerância para com os fracos na fé e o respeito mútuo de Romanos 14:1-12 e o texto subseqüente do versículo15 até o final.   

            Em II Timóteo 3:14-15 está escrito: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus”.

1)   Em Israel, nos tempos bíblicos, entre os judeus religiosos, a educação era definitivamente teocêntrica, quanto a princípios, conteúdo e métodos. O comportamento dos filhos em honra e obediência aos pais agrada a Deus.

2)   O conteúdo desse corpo de educação teocêntrica era “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Deus Eterno e Santo é prudência” (Provérbios 1:7; 9:10).

3)   A educação para a liberdade é integral: é física, mental. Moral e espiritual; é centrada no lar, com a participação tanto do pai quanto da mãe.

4)   As crianças eram admoestadas a prestar atenção na instrução do seu pai e da sua mãe.

 5)   A razão pela qual não se deixava a criança fazer o que ela queria era porque os pequeninos são imaturos e são, por natureza pecadores, portanto incapazes de escolher por elas mesmas o bem.. Leia Salmo 51:5. “Os filhos são herança bendita do Senhor” e criados para Deus, não para nós mesmos.

6)   A educação começava desde cedo: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele” (Provérbios 22:6).

7)   A educação teocêntrica é libertária e acontece sob o amparo da Aliança.

8)   Ainda que os pais piedosos, tomassem muitas decisões por seus filhos, eles eram educados para liberdade com disciplina e preparados para saber escolher e decidir. Em Josué 24:15, aprendemos: “Escolhei, hoje, a quem sirvais: Se aos deuses aquém serviram vossos pais que estavam além do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”

9)   A educação para a liberdade é também educação para a felicidade e tem caráter prático.

10)      É evidente que o sistema de educação para a vida era centrado no lar, e era formal – comunicando conceitos e conteúdo; e informal – ensinando pelo exemplo e com a vida. Paulo disse a Timóteo: “Desde a infância conheces as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus”.

      Quem é educado para a liberdade com responsabilidade, respeitando limites e tendo princípios, dificilmente se tornará um libertino. Que Deus nos ajude.

 

 

Rev. GUILHERMINO CUNHA

 

Pastor da Igreja