Sim, Há Diferença

05 – “SIM, HÁ DIFERENÇA”
 
            “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, o varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:13).
            “Quanto ao mais, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8).
 
            É provável que o homem moderno assuma um ar de sofisticação ferida quando, em sua presença, é mencionado um tema moral. Pode se tratar de um comerciante, ou um mineiro desempregado, ou um financista, ou um “sábio” estudante universitário de segundo ano, ou um legítimo “beatnik”, é provável que ele suponha estar acima de toda preocupação moral. Devido ao fato de que neste ilustrado século das luzes, ninguém dedica seu tempo em considerar os problemas morais.
            Será que o homem moderno haja superado em seu desenvolvimento os limites da moralidade? Será possível que – como aconteceu aos dinossauros que morreram quando o clima mudou, – o sentido da responsabilidade moral sem que haja um herói que o defenda e o anuncie? Será possível que reconhecidos cristãos sigam falando de “missões, administração e evangelismo”, sem mostrar um genuíno paralelismo na aplicação destes princípios na conduta do viver diário?
Será verdade que necessitamos, como está sendo dito, de uma nova moralidade adaptada à vida moderna? Ou será que precisamos descobrir, de novo, os eternos valores morais e princípios éticos que a humanidade jamais pode ultrapassar?
            A contestação a estas perguntas é evidente para os cristãos honestos.
É inegável a relação direta que existe entre a religião cristã e a conduta humana.
Isto pode ser observado nos primeiros capítulos de Gênesis, nos Dez Mandamentos, nos dizeres profundamente éticos dos profetas que viveram no VIII século antes de Cristo, no Sermão da Monte, nas últimas seções das epístolas de Paulo, e nos ensinos sociais das igrejas cristãs no decurso de quase dois mil anos.
            Sim, é justo dizer que Jesus era um moralista, pois pode-se afirmar que Ele estava profunda, creativa e permanentemente preocupado pelos valores morais.
Porém não pensava em uma moralidade filosófica, separada das obrigações práticas, senão em uma moralidade que abrangesse todas as responsabilidades humanas na palavra, nas ações e nas vontades.
            “Que devemos fazer?” pois, constitui “o grande problema da humanidade”, declarou EMIL BRUNNER em Zurich, em 1932. Este problema “é a porta de entrada à fé cristã, pela qual, as pessoas que desejam entrar ao santuário jamais podem desconhecer. E, assim mesmo, a porta de saída do santuário que nos leva, novamente, à vida prática”. O profundo alcance desta observação de BRUNNER é mais evidente no dia de hoje que quando ele expressou há algumas décadas. Os cristãos, necessária e irrevogavelmente se devem sentir estimulados a cumprir os “seus deveres morais”.
            A palavra moralidade é derivada do latim “mores”, que significa maneiras, costumes, tradições e hábitos. A palavra “ética” que está aparentada com a palavra moralidade, é derivada de “ethos” que significa “costume, hábito, disposição”. A Bíblia não emprega nenhum destes dois termos, e entretanto, ocupa-se de assuntos relacionados com os valores morais. Ocupa-se de palavras, pensamentos e atos morais, expressados por pessoas redimidas por Deus. Segundo a bíblia, a doutrina e a moralidade estão intimamente entrelaçadas na urdidura da experiência humana.
            Tenhamos em presente que, quando se estuda o tema da moralidade cristã, em si, como no presente caso, não devemos separar a moral da religião em geral, nem introduzirmos uma cunha entre a moral e a vida de família, ou entre ela e as relações raciais, ou entre ela e os deveres cívicos, ou entre ela e certos deveres eclesiásticos como são as missões, a administração e a evangelização. Com toda a visão específica da moralidade cristã como um tema separado, é algo que consideramos necessário.
 
ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS
 
            A perplexidade moral do homem moderno merece a atenta consideração do
Cristão previdente. Nada ganharemos com a expressão de sentimentos de desânimo e pessimismo; porém, se fosse proveitoso considerar um pequeno inventário da moralidade em nossos dias, que o façamos. Nós precisamos considerar as palavras memoráveis de ABRAHAM LINCOLN, “onde estamos e para onde vamos”, a fim de que possamos saber fazer o melhor e como fazê-lo.
            Inda não tem sido demonstrado que a moralidade atual seja diferente, no essencial, ao que tem sido através da história humana. A maior parte, senão todos os vícios modernos, já eram conhecidos pelos nossos antepassados, como por exemplo a imoralidade de Sodoma e Gomorra, o sensualismo da antiga Roma, e o inútil sacrifício e vergonhosas matanças das cruzadas. É bom recordar as palavras do sábio que disse: “Nunca digas: Qual é a causa de que os tempos passados foram melhores do que estes? Porque nunca com sabedoria isto  perguntarias” (Eclesiastes 7:10). Entretanto a honestidade e a candura exigem uma franca  consideração das condições morais que hoje prevalecem.
            São muitos os fatores que têm intervido para produzir a atual desintegração moral que, embora não seja um fenômeno novo, é verificado numa escala sem precedentes. A prosperidade material, o rápido deslocamento da população, como também seu assombroso crescimento, e a pavorosa realidade da possibilidade da aniquilação nuclear da humanidade, combinaram-se para promover a atitude que proclama: “Comamos e bebamos que amanhã morreremos”.
            O consumo de bebidas alcoólicas é um problema de colossais proporções. Alguns anos atrás, nos Estados Unidos haviam mais de seis milhões de alcoólatras, três milhões que bebem excessivamente e seis milhões que bebem menos e que, no total gastavam uma soma de doze mil milhões de dólares  no consumo desta droga, feito pelos viciados.
            O aumento dos jogos de azar nas últimas décadas, assumiu proporções que espantam. Entre os jogos de azar (habituais nos casinos), a loteria é mui  utilizada na trama e estrutura da cultura latino-americana.
Recordemos que os jogos de azar constituem a alma do crime organizado.
            A literatura e o cine pornô inundaram o país em quantidades suficientes, como consta de uma declaração de um subcomitê do senado, “para perverter a toda nossa geração”. Tanto a literatura como o cinema pornô utilizam a imoralidade sexual como seu primeiro ingrediente. Exalta a libertinagem sexual, ridiculariza a castidade e despreza a pureza pessoal. É evidente que existe uma relação direta entre o aterrador aumento da delinqüência juvenil, as doenças venéreas, e os embaraços principais de um lado, e a vasta distribuição deste material indecente. Atualizando o que foi mencionado acima, incluímos a doença terrível deste final de século; a AIDS, transmitida, principalmente através da relação sexual.
            A falta de honestidade que se nota em suas diversas manifestações como:
fraude nos exames (cola), no total de gastos pessoais em uma missão comercial
(apropriação indébita), na sonegação de impostos (dados incorretos na declaração do Imposto de Renda), e na determinação dos preços cobrados que devemos pagar por serviços e mercadorias (e quantas vezes a história humana registra o abuso do mercado negro e dos monopólios). Houve um caso que recebeu muita publicidade, acontecido em 1961, relativo a preços exagerados, propostos por vinte e nove companhias comerciais da indústria da eletricidade, estas foram multadas com um total de $ 1.700.000,00 de dólares. Sete dos diretores foram presos, embora por tempo curto, vinte e três receberam penas diversas, e as companhias culpadas tiveram de pagar ao governo, em virtude de danos e prejuízos, o total de $ 8.600.000,00 de dólares.
            A fraude nos exames e outras formas de delito constituem, essencialmente, casos de roubo. O roubo de mercadorias e outros objetos por parte do público nos estabelecimentos comerciais tem afetado séria e adversamente o comércio atual. Durante os dez primeiros meses de operação do HOTEL AMERICANA de uma grande cidade foram roubados: 38.000 colherinhas, 18.000 toalhas, 355 cafeteiras, 1.500 escudos de prata e 100 Bíblias!
            A imoralidade sexual ocupa um lugar de destaque no catálogo dos males da presente geração. Por exemplo, em um país o número de nascimentos ilegítimos triplicou desde 1940; o aumento de *impecilhos prénúpciais alcançou
agora a 85% dos casamentos em que os noivos são estudantes de idade da escola secundária.
            O comércio produz um impacto publicitário, utilizando o sexo para vender os seus produtos; o aumento do divórcio é tão grande que alguns casamentos podem ser qualificados de poligamia bicicleta * adolescentes grávidas, (para duas pessoas); e pela excessiva liberdade e libertinagem, as entrevistas amorosas vão acontecendo, minando os valores permanentes do casamento monogâmico.
            Os elementos criminosos da sociedade, normalmente, são contidos pelo público em geral, que se coloca decididamente ao lado da lei e da ordem. Porém, quando o público é indiferente a este dever moral, então torna-se mui difícil dominar o crime. Observa-se um constante crescimento na proporção do crime em nossa geração, e o resultado evidente é que existe uma relação direta entre esse amento era indiferença moral de nossos dias.
            E, em referência à espantosa possibilidade da destruição da humanidade inteira, mediante uma guerra nuclear, e com a mais provável aniquilação de centenas de milhões de vidas humanas (os entendidos, com certa leviandade, referem-se a esta hecatombe como “mega-cadáveres”, em sessenta minutos), constitui um problema moral de imensas e fantásticas proporções.
E afirmar que tal guerra é inimaginável, ou que tais atos não são possíveis, é desconhecer os alcances da depravação moral humana. A imoralidade final, o genocídio humano, forma parte do quadro macabro da decadência moral atual.
            Nenhum problema moral tem assumido maiores proporções no mundo moderno do que o racismo. Às vezes o mau espírito do racismo mostra a sua cabeça dentro da estrutura da lei. Às vezes se mostra nas situações em que os opressores conservam aos oprimidos em miseráveis “ghettos”, em bairros pobres, em empregos mal renumerados, em escolas de qualidade inferior, celebrando cultos religiosos em edifícios inadequados, e segregados por castas. Deus tem permitido a existência de raças dentro da família humana, e nem a cor da pele nem do cabelo são questões morais. Porém o diabo tem influído para introduzir o racismo que nega a doutrina cristã do valor do indivíduo e do amor de Deus, que inclui a todos. Os cristãos que se preocupam com os problemas morais não têm outro remédio que enfrentar, a qualquer custo, e imediatamente, a este incrível e complexo problema moral.
            Embora possam ser mencionados outros problemas morais específicos para somá-los a esta triste lista, parece-nos inútil multiplicar exemplos dessa avassaladora imoralidade que ameaça a humanidade inteira e a persegue constantemente. Seria desperdiçar o tempo debater se o mundo é melhor ou pior do que era no passado.
A situação moral que nos oprime é deplorável, e a necessidade premente não é tanto um diagnóstico incessante do problema, como uma solução permanente do mesmo. É importante, pois, que os cristãos de hoje dediquem sua atenção a estas coisas e que provem que o cristianismo tem uma resposta eficaz.
 
A BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO DA MORALIDADE CRISTÃ
 
            Não existe uma definição clara e simples do que se entende por moralidade cristã. Esta, não é um enumerado legalista do que devemos ou do que não devemos fazer. “Não bailar, não beber bebidas alcoólicas, não jogar baralho, não fumar” são estipulações que não cobrem a moralidade cristã. Além disso, a moralidade cristã é mito mais do que formas polidas, respostas cômodas, ou as sugestões de textos isolados. Não é um código rígido que se preocupa com “comidas, e bebidas, e várias abluções…” (Hebreus 9:10). Não se trata de humani-tarismo, nem tão pouco da determinação com os punhos fechados, de ser bom, custe o que custar. Não se trata da atitude de sinceridade que leva a pessoa a fazer o que considera correto diante de seus próprios olhos, sem considerar a vontade de Deus nem as necessidades dos outros. A oralidade cristã não é, tão pouco, nas antigas virtudes romanas de dignidade, devoção e dever. Também não se deve confundir com o rígido racionalismo dos estóicos, nem o sensualismo prazenteiro dos epicureus, nem o conceito aristotélico da felicidade, nem o prazer dos hedonitas, nem a força do suprimem de NIETZCHE, nem o maior bem da maioria, segundo a doutrina de alguns socialistas, nem o laissez-faire capitalista pregado pelos mais reacionários conservadores, nem a abolição da propriedade privada propagada pelos comunistas, nem, finalmente, o êxito da moderna e rica nação, os estados Unidos da América.
            “A LEI E OS PROFETAS’. O profeta Miquéias declara que a essência da moralidade consiste: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus? (Miquéias 6:8). Esta declaração tem sido qualificada como o apogeu do Antigo Testamento. É uma elevada condensação do que o Senhor exigiu de Seu povo na antigüidade.
A segunda parte dos Dez Mandamentos apresenta um resumo do que Deus exige do homem em relação com os outros seres humanos. Os códigos morais de toda a humanidade têm um enunciado parecido a estes princípios na Lei dos hebreus nos tempos primitivos: “Honra a teu pai e a tua mãe…Não matarás…Não cometerás adultério…Não furtarás…Não dirás falso testemunho…Não cobiçarás…” (Êxodo 20:12-17). Estes princípios, baseados nos Dez Mandamentos, constituem a pedra angular da moralidade dos hebreus.
            No Novo Testamento achamos uma mais completa revelação da natureza da moralidade. Mateus nos dá um vívido e dramático relato da conversa havida entre Jesus Cristo e um certo doutor da lei: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes “dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mateus 22:36-40).
            Poderia ser encontrado em alguma outra parte um resumo mais conciso e preciso das partes essenciais da moralidade cristã? A única base da moralidade cristã se apresenta neste trecho da Bíblia como um amor ilimitado para com Deus. Ao mesmo tempo se mostra como evidência irrefutável de nosso amor a Deus, o amor que devemos sentir para com o próximo, que deveria ser tão grande como o que sentimos por nós mesmos.
            Há um certo grau de moralidade a que podem chegar às pessoas que nem sequer crêem na existência de Deus. Procuram com toda honestidade, e às vezes com êxito, fazer aos outros o que querem que os outros façam por eles.
Consciente ou inconscientemente adotam o resumo que Jesus oferece da lei como seu guia moral (lei áurea).
            Entretanto, o caminho seguro para chegar à moralidade cristã é adotar, de coração, o primeiro e grande mandamento e construir sobre essa base do amor a Deus sem reservas, um amor efusivo e transbordante para com o próximo.
Do mesmo modo que o amor a Deus não é uma mera experiência psicológica de caráter subjetivo, tão pouco o amor ao próximo é uma simples posição mental, isenta da responsabilidade pessoal.
É, pelo contrário, uma boa vontade, cheia de simpatia e espírito de sacrifício, que se expressa mediante atos concretos que têm uma qualidade redentora.
            A moralidade cristã é, antes de tudo, uma realidade interna e logo uma expressão externa. Professar o amor para com Deus sem colocá-lo em prática expressando amor para com o próximo, é uma grande hipocrisia.
Pelo contrário, manifestar amor ao próximo sem amar a Deus, é algo assim como construir uma casa sobre areia movediça.
            “O PRIMEIRO E GRANDE MANDAMENTO” – Um amor ilimitado para com Deus é o primeiro e grande mandamento. A relação direta entre este mandamento e a moralidade cristã é evidente; porém não se deve encarar como algo que se dá por definido. Se o seu significado básico virasse fumaça, nesse caso, a moralidade cristã degeneraria para um mero moralismo. Se a moralidade cristã ficasse privada deste sólido fundamento, não poderia durar por muito tempo.
            Quando Jesus apresentou o que Ele considerava como o resumo da “lei e os profetas” no “primeiro e grande mandamento”, destacou claramente que o primeiro propósito da vida do homem é amar a Deus sobre todas as coisas. É a Deus a quem o homem, coma sua capacidade moral, deve adorar com toda a sua alma. É a Deus a quem o homem com sua capacidade moral deve agradar com os seus atos, para quem deve orientar as suas aspirações, e em quem deve encontrar sua suprema satisfação e a quem deve glorificar em tudo.
            Este primeiro e grande mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas, não tem nenhum substituto, e nenhum cristão deve ignorá-lo. É amando a Deus que o pecador encontra a efetividade do novo nascimento e a realidade da salvação. O homem pode chegar ao exercício desse amor a Deus, não em virtude de esforço próprio, senão mediante a graça de Deus. “Nós o amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro” (I João 4:19). A redenção da criatura humana se deve à iniciativa de Deus. Foi WALDO BEACH quem escreveu algumas palavras pertinentes a este assunto, ao afirmar: “Devido ao fato de sermos infinitamente amados, por essa mesma razão nos sentimos infinitamente comprometidos.
Às vezes o cristão chega a entender ao amor em qualidade de uma doação, mais que uma obrigação, e isto converte o amor em um sentimento oco. Em outras ocasiões o cristianismo avalia o amor como uma concessão sem exigir nada dele, e assim na armadilha de um emocionalismo artificial.
Algumas vezes se defende a moralidade para examinar certa demanda e facilmente despenca-se em um legalismo que nos conduz a pensar que o céu se obtêm mediante uma série de boas obras. “A correta apreciação da vida cristã, baseada na Bíblia, deve nos orientar para a adoção de ambos pontos de vista: a bondade às vezes é um dom e outras é um requisito”.
            Porém, diante desta consideração de que a moralidade está baseada e fixada no amor a Deus, é importante recordar que o primeiro e grande mandamento não está sozinho.
            “E O SEGUNDO É SEMELHANTE”– O segundo mandamento, “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39), não é um mandamento essencialmente distinto. O doutor da lei (advogado) interrogou a Jesus acerca do “o grande mandamento na lei” (Mateus 22:36),e Jesus esclareceu que a resposta a essa pergunta tem duas partes. A segunda parte está intimamente relacionada com a primeira, e vem a ser seu corolário natural.
É o complemento da primeira e sua realização. É evidente que Jesus considerava a estes dois mandamentos como partes integrantes do plano de Deus para a vida humana.
            A  pretensão de amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente, sem amar ao próximo como  a nós mesmos, seria uma caricatura da moralidade cristã, como pudéssemos dizer que amamos ao próximo como a nós mesmos, sem amar a Deus com todo o coração, com toda nossa alma e com toda a nossa mente.
            O amor ao próximo é o coração da moralidade cristã. É uma disposição de boa vontade, sem reservas e sem limites. Um amor assim não está limitado pelas fronteiras da nacionalidade, língua, raça ou cultura.
Supera todos os muros, derruba todas as barreiras, vence todos os obstáculos.
Sabe que o homem tem um valor infinito devido ao fato de ter sido criado à imagem de Deus. Aquele que ama ao seu próximo como a si mesmo, busca o bem dos demais, porque aos demais Deus ama também.
Este amor de Deus, como a verdadeira moralidade cristã entende, é o vínculo que une a dividida humanidade para formar uma família de pessoas redimidas, onde Deus é o Pai, Jesus Cristo é o irmão mais velho, e os demais redimidos, são irmãos e irmãs em Cristo. A moralidade cristã requer uma adaptação do pensamento cristão a todas mudanças deste mundo, com todos seus complexos desafios. O cristão não pode deixar de levar a sério a exigência de Deus referente à retidão moral. Não pode deixar de encontrar satisfação na lei de Deus porque “na lei de Deus está sua delícia” (Salmo 1:2), o qual inclui toda a vontade revelada de Deus. O bem supremo para a pessoa redimida consiste em conhecer e obedecer à vontade de Deus.
            A determinação do cristão em obedecer à soberania de Cristo em todas as fases e relações da vida, o conduz a adotar uma escala de valores. Portanto, pode em virtude do uso repetido, exercitar suas capacidades seletivas “no discernimento entre o bem e o mal” (Hebreus 5:14), escolher o bem e repelir o mal. Um aspecto significativo da moralidade cristã é, precisamente, a adoção desta escala de valores morais.
Devido ao fato de que os seres humanos são agentes morais livres, mais do que autômatos irresponsáveis, é mister que distingam por si mesmos entre o que é bom e o que é mau, e estabeleçam uma hierarquia de valores morais, a vida humana está destinada a permanecer presa às superficialidades e misérias da bestialidade. E essa escala de valores deve ser formada detalhadamente por cada cristão que se propõe amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Porém, essa escala básica, não pode se desviar da revelação fundamental sobre que as coisas estão feitas para o homem, e não o homem para as coisas, e que o homem está feito para Deus e não Deus para o homem.
            As relações específicas em situações concretas são realizadas à base do caráter da pessoa que faz as seleções, porque é uma verdade estabelecida que do coração procedem as saídas da vida (Provérbios 4:23).
A conduta procede da existência, e a existência, por sua vez, lança mão da graça de Deus mediante a fé. Atos morais fluem natural e normalmente de uma vida que experimentou a regeneração.
É de primordial importância que o crente cultive sua sensibilidade moral, que eduque sua mente para tomar decisões corretas, e que desenvolve uma escala de valores que, em momentos de crise o ajudem a levar a bom termo as corretas decisões. A suposição de que deus tomará as decisões que como cristãos devemos tomar é, simplesmente, anular nossa responsabilidade de filhos na família de Deus, assumindo uma atitude indefensável de irresponsabilidade.
O jovem que afirmou: “Agora que estou no serviço de Deus, já não tenho necessidade de tomar mais decisões, nem sequer escolher a gravata que devo usar, porque estas coisas já foram decididas sem minha participação”, pensava que estava expressando uma grande fé, quando o que mostrava era uma terrível falta de amadurecimento em sua vida cristã.
            A adoção de uma escala segura de valores deve ser feita com humildade, fé, discernimento e responsabilidade. Esta escala está sujeita a uma constante revisão, buscando melhorá-la, tendo em conta as seguintes palavras do apóstolo Paulo: “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor”. (Filipenses 2:12). Muitos pregadores têm pronunciado eloqüentes sermões sobre o tema de buscar a direção de Deus, para logo sentir, uma vez mais, a agonia da aplicação de sua escala de valores à uma decisão mui difícil em sua experiência pessoal. Cada decisão séria é difícil. E desejamos nos colocar dentro da esfera da moral cristã é importante que nos acostumemos a buscar a presença do Espírito Santo em nossas vidas, pois Ele desenvolve nossa sensibilidade espiritual, nos dá novo poder, e fornece direção aos que sinceramente desejam.
            O aguçar nossa sensibilidade espiritual significa que escolhemos “a melhor parte” que preferiu Maria, no serviço cristão, mais do que se preocupar com muitos que fazer (Lucas 10:40) o qual significa deixar o bom em favor do melhor, seguindo a admoestação do apóstolo Paulo nas seguintes palavras: “Procurai, pois, os dons melhores. Mas eu vos mostro um caminho ainda mais excelente” (I Coríntios 12:31).
            A moral cristã encontra na presença redentora do Cristo vivo, o dinamismo necessário para ativar em nós as virtudes morais dos antepassados: sabedoria,
Justiça, valor, dignidade e dever. Na moral cristã todas estas,e outras mais, se acham incluídas na virtude do amor. O amor cristão transforma estas virtudes, tirando-as de uma esfera egocêntrica e colocando-a em uma que é teocêntrica.
Se em que é fácil demonstrar que mitos cristãos não dão sinais de possuir dinamismo, não devemos esquecer de que nem todos os que chamam a Jesus Senhor, Senhor, entrarão no reino dos céus, senão os que “fazem a vontade do Pai” (Mateus 7:21). Hoje em dia quando a religião é normalmente popular, estas palavras do Senhor Jesus são, todavia, aplicáveis: “Entrai pela porta estreita porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ela; porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos são os que a encontram” (Mateus 7:13,14).
            Paulo declara que “o fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5:22,23). Esse fruto é essencialmente de caráter moral, produzido pelo Espírito Santo em uma vida cristã disciplinada. O Espírito de Deus não pode produzir estas qualidades morais, a menos que conte com uma vida cristã devotada, submissa e obediente, como  tão pouco pode uma pessoa que não tenha sido espiritualmente transformada, produzi-las sem a ajuda do Espírito Santo.
            O Espírito de Deus outorga muitos e bons dons aos cristãos, porém nenhum superior ao dom do caráter, mediante o qual converte os cristãos em pessoas parecidas com Jesus Cristo em retidão, em santidade, em verdade, em honestidade, em honra, em justiça, em integridade, em pureza, em bondade, em misericórdia e em amor. A moral cristã procede de um caráter cristão, e somente o caráter cristão pode mudar a direção que segue na atualidade, para a destruição, esta tresloucada humanidade.
            A moral cristã não consiste nos grilhões; pelo contrário, é liberdade. O cristão não se sente desanimado pela responsabilidade de ser bom e fazer o bem.
Longe disso é muito mais livre da eterna escravidão de ser mau, e de fazer o mal.
Os cristãos não são livres para fazer o mal, pois foram emancipados da lei do pecado e da morte, para fazer o bem. Portanto, quando um cristão toma decisões
Morais, o faz em um ambiente de liberdade, em uma base de responsabilidade inspirada pelo amor cristão.
            Relacionado com o que estamos indicando, convém ter presente o lugar que ocupa em compromisso pessoal referente a sustentar uma certa linha de ação em assuntos morais, como a pureza pessoal, boa vontade racial, abster-se de bebidas alcoólicas, do fumo e tóxicos, escrupulosa bondade e honestidade, obediência às leis e ser leal à palavra dada. A determinação dos cristãos em observar estes princípios de moral cristã é o que constitui o fermento que leveda a massa.
            A moralidade cristã se preocupa, não somente com a moralidade pessoal, como também com a moralidade social. Jesus disse: “Vós sois o sal da terra…Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:13,14). Se bem que é difícil aplicar a moral cristã à nossa vida pessoal, muito mais difícil é aplicá-la à sociedade. Entretanto, o cristão tem responsabilidades definidas nesta área: “Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si” (Romanos 14:7). Deus criou o homem e lhe deu uma natureza social. Aquele que foge de suas obrigações sociais firmando-se no fato de que basta se preocupar pelas almas, pensando que desse modo serão solucionados os complexos problemas sociais, não aprendeu as lições da história.
O não ocupar-se destas áreas de ação social é abandonar o terreno à degeneração e aos degenerados. A experiência religiosa da conversão deve estar diretamente relacionada com a experiência de viver em sociedade, se não desejamos fragmentar o evangelho cristão. O ideal religioso do amor tem que estar relacionado com a necessidade da existência da justiça social, se desejamos encaminhar o mundo para Deus. O cristão que sabe que a moral cristã deve ser pessoal e também social, tem a responsabilidade de agir retamente em todos os seus atos pessoais, como também de guiar a outros para que sejam retos em todos os seus deveres públicos. Porém, seja qual for a situação, deve mirar-se em Jesus Cristo com o Senhor, o qual merece ser olhado como Senhor não somente em assuntos privados, senão também nos públicos. O cristão tem a perene obrigação de reconhecer a soberania de Cristo como Senhor, em ambas as esferas.
            Seja qual for o futuro de nossas crianças e jovens, não cabe dúvida de que os valores morais e os ideais éticos devem receber maior atenção, se desejamos que sua vida experimente maior satisfação e menos terror, comparado com o que
Presenciamos hoje. A arena onde o mundo livre e qualquer tipo de totalitarismo hão de medir forças é, precisamente, na esfera de valores morais e princípios éticos. Nesta luta de morte não haveremos de obter uma vitória permanente a não ser que tenhamos uma clara superioridade moral. A melhor maneira de vencer o mal é mediante o bem.
            Isto é bom ou mau? É possível que esta pergunta seja considerada antiga e ultrapassada da moda em alguns círculos, porém o homem moral não pode evitá-la. Os ensinos morais da Palavra de Deus refletem os mais altos ideais, em vista do qual muitas pessoas se sintam inclinadas a elogiá-los em vez de praticar-los.
A mudança que é requerida de Cristo aos seus seguidores, tanto no campo moral como em qualquer outro, é que a fé deve se manifestar através de uma exemplar conduta.
 
Esta é mais uma oferta da Escola Dominical da Igreja Presbiteriana da Ilha do Governador, cujo Pastor é o Rev. Jonas Machado, meu amado irmão.
                                           Ebenézer !!!
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã