A VOZ DO SILÊNCIO

Possivelmente você já viveu situações, enfrentou lutas (quem sabe está vivendo alguma delas hoje…) que o levaram a sentir-se como o rei Saul quando enfrentou os filisteus, conforme I Samuel 28:15, muito angustiado e com o sentimento temível de que Deus se desviara dele e não mais o respondia.

E a partir dessa percepção, o que aconteceu com Saul é o que acontece, ainda hoje, com muitos servos de Deus: quando se sentem esquecidos por Deus, recorrem a outros poderes “para que me reveles o que devo fazer”. No caso de Saul, foi uma consulta a uma feiticeira, médium de En-Dor: o rei pediu à mulher que adivinhasse, por meio da necromancia (consulta aos mortos), o que o Deus vivo não lhe revelara.

A atitude reprovável de Saul, com suas motivações, nos permite algumas verdades.

1. O silêncio de Deus fala mais alto do que nossas percepções equivocadas e certamente, não anula a verdade de que “Tu, SENHOR, conservarás em paz aquele cujo propósito é firme: porque ele confia em ti” (Isaías 26:3).

2. Caso o propósito de Saul fosse firme e ele confiasse no Senhor, ele agiria como o rei Ezequias agiu ante a afronta, a ameaça de Senaqueribe, pois, quando recebeu a carta ameaçadora do rei da Assíria (Isaías 37) tomou ciência da situação, subiu à Casa do Senhor, apresentou o problema a Deus (versículo 14) e orou ao Senhor (versículo 15), reconheceu sua soberania (versículo 16) e clamando pela intervenção e solução do Senhor visando a glorificação do Senhor (versículos 17-20).

3. Caso o propósito de Saul fosse firme e ele confiasse no Senhor, ouviria a voz do silêncio de Deus, sem desprezar aquela manifestação quieta do Senhor.

4. Caso houvesse integridade em Saul, ele compreenderia que Deus é verdadeiro, soberano e fiel quando fala e quando cala; Ele compreenderia que devemos acatar, sempre, tanto as palavras como o silêncio de Deus.

Não há como fugir de Deus, que quando fala quer quando silencia (Salmo 139:7-12). Pode-se tentar fugir de Deus, como o profeta Jonas, mas até nas profundezas do mar ele estará presente (Jonas 2:10).

“Cantai, ó céus, alegra-te, ó terra, e vós, montes, rompei em cânticos, porque o SENHOR consolou o Seu povo e dos seus filhos, se compadece, Mas Sião diz: o SENHOR me desamparou, o SENHOR se esqueceu de mim.

Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre: Mas, ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:13-19).

Como diz o Senhor (Salmo 46:10): “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Como diz o Salmo 100:3. “Sabei que o SENHOR é Deus”. Quem esqueceu de quem: Deus de Saul ou Saul de Deus?

Reflitamos nestas verdades: Tenhamos firme propósito para com o Senhor. Confiemos Nele, em sua palavra. Aquietados pela paz do Senhor, aprendamos a ouvir a voz do Senhor, mesmo que seja a voz do seu silêncio, sabendo que só o Senhor é Deus.

 

Deus não erra! Jamais!

 

Graça e Paz!

 

Com carinho pastoral,

 

Rev. Cláudio Aragão da Guia.

 

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