Crença e Conduta

01 – CRENÇA E CONDUTA
 
Do Livro “Muestrame Tu Fe”
Foy Valentine
(Traduzido do Espanhol pelo Rev. Romeu Maluhy)
 
            O que entendemos por vida cristã? A resposta a essa pergunta não é obscura nem complicada. Deus não pode ser idealizado como um sargento exigente que nos obriga a cumprir um plano rigoroso de adestramento antes de aceitarmos. O chamado que abrange aos pecadores é tão simples que até um menino pode entender, e seu caminho está tão em demarcado que em Isaías 35:8 lemos: “E ali haverá um alto caminho, um caminho que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para aqueles: os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão”. Somos chamados a percorrer uma grande jornada de fé, o que nos exige uma conduta irrepreensível. A vida cristã é uma relação que conduz a um certo modo de viver.
 
O CHAMADO PARA A CRENÇA
 
            O convite que nos leva à vida cristã é em primeiro e último lugar, e em plena realidade, uma relação fundamentada pela graça de Deus. Começa com a iniciativa de Deus e continua com a Sua misericórdia.
Por natureza e por opção o homem está moralmente perdido, “…mortos em vossos delitos e pecados” (Efésios 2:1). É mui difícil imaginar-se uma idéia mais absurda, que a idéia da senhora MARY BAKER EDDY, fundadora da chamada
“CIÊNCIA CRISTÔ, em referência de o pecado não existir.
            O “pecado que nos assedia” (frase encontrada em Hebreus 12:1), que tão tragicamente desfigura a imagem de Deus em nós, e calamitosamente invade as instituições da sociedade humana, não é um invento da imaginação.
Pelo contrário, o pecado é algo mui real. Nossa libertação dos onerosos grilhões do pecado é um dom de Deus, uma dádiva que é oferecida a todos os seres humanos. Entretanto, ninguém por seu próprio esforço obteve e jamais obterá, a vitória sobre o pecado. Esta vitória só é alcançada pela mediação de Jesus Cristo, e segundo as palavras do apóstolo Pedro, nos tornamos “participantes da natureza divina” (II Pedro 1:4), e em quem, segundo as palavras do apóstolo Paulo, somos “feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5:2).
A salvação, segundo a misericórdia de Deus, depende completamente da graça de Deus e não de nossos méritos pessoais.
            Entretanto, a graça de Deus somente opera na vida do homem quando nos apropriamos dela, mediante o arrependimento pessoal e a fé em Jesus Cristo, como Salvador e Senhor.
            O arrependimento é a chave da mensagem cristã, o qual é fácil de concordar, considerando que é mencionado cinqüenta e seis vezes no Novo Testamento, e aparece indiretamente em muitas outras passagens bíblicas.
João Batista exortava a seus ouvintes a produzir “frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8). E segundo nos diz Marcos, o Senhor Jesus começou seu ministério público com as palavras “o tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no Evangelho” (Marcos 1:15).
E na metade de Seu ministério declarou que “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos
que não necessitam de arrependimento” (Lucas 15:7). E terminou o Seu ministério, segundo Lucas, com a admoestação de que “E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lucas 24:47).
            A Igreja primitiva ouviu a mesma ênfase sobre o arrependimento nas palavras de Pedro quando disse: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19).
            O apóstolo Paulo, mais tarde, pregou a mesma mensagem de arrependimento quando no Areópago (Atenas) disse aos atenienses que Deus
“…não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; “ (Atos 17:30).
E também, na época em que a segunda epístola de Pedro foi escrita, foi lembrado às igrejas que Deus: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam,. senão que todos venham a arrepender-se” (II Pedro 3:9).
            O arrependimento é uma mudança da mente em referência ao pecado. É uma mudança completa da perspectiva mental e do conceito da vida. É a rejeição do costume de “errar o alvo” como plano de vida. Sem este tipo de arrependimento ninguém poderá comparecer, justificado, diante de Deus.
            Entretanto, o arrependimento, por si só, não é o único requisito para entrar para a vida cristã; deve estar acompanhado pela fé. Os cristãos não são principalmente pessoas que se arrependem, adoram, oram, cantam, contribuem, evangelizam, ensinam, aprendem ou participam do companheirismo cristão.
Somos, em primeiro lugar crentes, unidos pela milagrosa fé em Deus, mediante Jesus Cristo.
            Crer é mais do que o consentimento intelectual aos fatos relacionados com o cristianismo. Quando Tiago disse que também “os demônios o crêem e estremecem” (Tiago 2:19), significa que os demônios concedem aprovação intelectual aos atos do cristianismo, porém não adotam essa verdade.
A fé que salva, essa fé na qual a vida cristã se forma, nasce e se desenvolve, significa afeiçoar-se firmemente ao Senhor Jesus, confiar nEle, e todo fervor para Ele. Crer é experimentar um encontro com Deus em Cristo, no qual Deus toma a iniciativa, porém, o ser humano responde voluntariamente.
Crer em Deus é chegar diante dEle e dizer: “Senhor, que queres que eu faça?”.
Crer em Deus é entregarmo-nos incondicionalmente ao Seu Filho Jesus Cristo, não somente pensando na eternidade, senão no tempo presente também.
A inclinação que possui a nossa geração, não atendendo ao convite de Cristo, para crer nEle, como seu Salvador pessoal, demonstra que a sociedade se encontra num estado real de perdição.
            Há uma admissível parábola deste estado, na obra magnífica de Victor Hugo, “Os Miseráveis”. A malvada ama de Cosette enviou a menina de oito anos, sozinha, na escuridão da noite, a buscar água do manancial. A menina está enfraquecida de medo, e Hugo disse: “Ela tinha só um pensamento; voar com todo seu poder, através dos bosques, dos campos  diante das casas, janelas e as velas acesas… Segurou a alça do balde com ambas as mãos. Apenas podia levantá-lo.
            “Andou uma dúzia de passos desta maneira, porém o balde estava cheio, e era pesado, e se viu obrigada a aproximá-lo do solo… Caminhou inclinada para adiante, com a cabeça baixa, como se fosse uma anciã; o peso do balde esticou-lhe os braços, deixando-os rígidos…”
            “Ao chegar junto a um velho castanheiro que ela conhecia muito bem,  e
arrastando o balde…a pequena e desditada menina não conseguiu evitar este clamor: Oh, Deus meu! Deus meu!”
            “Nesse preciso instante ela sentiu que o peso do balde desaparecia. Uma mão, que para ela pareceu enorme, havia segurado a alça do balde e o levava sem nenhuma dificuldade. A menina ergueu a cabeça. Uma figura de grandes dimensões, firme e ereta, caminhava junto dela na penumbra. Era um homem que se aproximou dela sem ser notado. Este homem, sem sequer dizer uma palavra, havia empunhado a alça do balde que ela levava…”
            “Existem impulsos para todas as crises da vida”.
            “E a menina não teve medo”.
            Mais tarde, continua Victor Hugo, Cosette aprendeu a chamar de “pai” a JEAN VALJEAN, e nunca o conheceu por nenhum outro nome.
            Esta história, como a destaca CARLYLE MARNEY, é admiravelmente adequada para descrever o encontro entre um cristão e Deus, por meio de Cristo.
Um encontro pessoal como este é a base e raiz da vida cristã.
            A fé, quando é acompanhada por essa mudança da mente, que o Novo Testamento chama de arrependimento, é a porta de entrada para a vida cristã, como também a casa em que a vida feliz cristã habita. Para o cristão não existe nenhuma outra porta. Para ele, que verdadeiramente se arrependeu, não pode haver nenhuma outra casa que lhe interessa.
            Convém lembrar que, embora esta relação pessoal entre o Deus da graça e o homem de fé, tem um ponto em que começa, e não tem nenhum em que termine. Uma criatura humana não é cristã em virtude de que um dia dobrou seus joelhos ante Jesus, senão porque havendo dobrado, jamais cessa de confessar “…que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai (Filipenses 2:11), e nunca cessa de ser conformado “à imagem de Seu Filho” (Romanos 8:29).
            Para entrar na vida cristã mediante uma união vital com Jesus Cristo não basta crer algo acerca de Cristo. Faz falta crer nEle, sim, porém, também aceitar Sua soberania na vida cristã, diariamente. Para ser cristão não é suficientemente ter base em uma experiência psicológica subjetiva que, se esforçando, poderá lembrar pelo resto de sua vida: é muito mais do que tudo isso, é permanecer em Cristo de uma maneira inexorável, reconhecendo-O como Senhor.
Isto lembra a figura da videira e dos ramos (João 15:5); da natureza, Jesus tirou um ensino profundo para os seus apóstolos: 1) a união vital do crente com o Mestre, para que os frutos possam ser produzidos ; 2) a condescendência de Cristo em permitir que os frutos sejam produzidos nos ramos (nós); 3) a interdependência entre Cristo e os seus. É maravilhoso saber que Jesus depende de nós para que a Sua obra avance no mundo, pois esse é o trabalho do crente: ir e pregar…
            Os que não são crentes, correm e se cansam,caminham e desfalecem. Com astúcia e dissimulações, elevando-se com manifestações ruidosas, esforçam-se sem conseguir alguma coisa e correm sem chegar a nenhuma parte.
Os que crêem em Jesus Cristo “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias, correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” (Isaías 40:31).
            Existem muitas coisas, nos dias de hoje, que podem ser substituídas. Porém, nunca houve, não há agora, nem haverá jamais para o arrependimento e a fé pessoal em nosso Senhor Jesus Cristo, sem os quais a vida cristã não pode existir.
            O chamado de Deus é para crer em Seu Filho Amado.
 
O MANDAMENTO DE COMPORTAR-SE BEM
 
            O mandamento de Deus é de comportar-se em. Assim como a pergunta: “Que devo ser?” se contesta dizendo: “Um crente”; de igual modo a pergunta: “Que fazer?” se contesta dizendo: “Devo comportar-me bem”. Assim como uma pessoa não pode se tornar cristã sem crer, ninguém pode viver a vida cristã sem uma conduta exemplar.
            Assim com o sal não pode substituir a pimenta. Nem a noite substituir o dia; nem o verão substituir o inverno; nem a terra seca ao mar; nem o amor ao matrimônio; nem os homens podem substituir as mulheres, também a fé simples pode substituir uma conduta exemplar. Na realidade, a fé não é um substituto da conduta, como também a conduta é um substituto da fé. As duas sempre marcham juntas.
            Crer ou não crer em Deus foi deixado ao livre arbítrio dos homens; porém, para o crente a conduta é algo imperativo. Havendo sido “tornados filhos de Deus” (João 1:12) os cristãos estão sob a obrigação de trabalhar diariamente na obra de Deus, em virtude de serem membros responsáveis da família de Deus.
            A conduta é a matéria que o crente leva no balde da fé. A tragédia de nossos dias é que esta matéria deteriorada, entornou-se do balde.
            Como poderemos dizer a uma senhora, que o seu marido é um miserável bêbado: “Crê, somente crê. Leia a Bíblia todos os dias, entregue seus dízimos a igreja, e isso basta?”  Seria como dizer de boca para fora: “Roupa e comida”, e com corações indiferentes, negar a ajuda que poderíamos prestar ao necessitado.
            Nunca houve um homem de Deus, na Bíblia ou fora dela, que tenha sido indiferente e irresponsável em seus deveres para com o próximo.
Quando Deus chamou Abraão, o fez porque sabia que tanto ele como seus filhos haveriam de guardar “o caminho do Senhor, para obrarem com justiça e juízo” (Gênesis 18:19). O salmista disse: “Confia no Senhor e faze o bem” (Salmo 37:3).
Isaías escreveu: “cessai de fazer o mal” (Isaías 1:16) e “aprendei a fazer o bem (Isaías 1:17). E o próprio Senhor Jesus afirmou: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou…” (João 4:34).
            Ao doutor da lei que contestou: “E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda  atua alma, e de todas as tas forças, e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27), Jesus disse: “Faze isso, e viverás” (versículo 28). Em outra ocasião Jesus declarou: “Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe” (Marcos 3:35).
O evangelista Lucas começa o livro de Atos dos Apóstolos com estas palavras: “Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar” (Atos 1:1), e um pouco mais adiante registra um testemunho de que Jesus. “…o qual andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (Atos 10:38). E foi o apóstolo Paulo que disse:
“Então,enquanto temos tempo, façamos em a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gálatas 6:10).
E o apóstolo Tiago insiste: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tiago 1:22).
            Há uma indicação no que se refere ao cristianismo que está intimamente relacionada com a conduta, e a encontramos no fato de que no princípio, no primeiro século da era cristã, era reconhecida como a religião do “caminho”. Este fato é afirmado cinco vezes nos Atos dos Apóstolos (3:2; 19:9,23; 22:4; 24:22).
As referências do Novo Testamento “ao caminho”, afirmam, principalmente, com uma maneira de viver, e, especialmente, mia do que uma maneira de pensar.
A ênfase não está sobre um sistema, ao qual, de modo crédulo, alguém deve se submeter ao alcançar os nove anos de idade. A ênfase está sobre a vida, em sua expressão ética. As Igrejas do Novo Testamento progrediram muito, devido ao fato de terem defrontado o mundo, não com um sistema filosófico especulativo, mas com uma maneira de viver. Mais e mais nós estamos dando conta de que as nossas igrejas impotentes e um evangelismo apático haverão de encontrar a Deus e o poder de Sua ressurreição, no mesmo ponto em que havíamos deixado de preocuparmo-nos com a conduta cristã.
 
É UM CAMINHO DE SANTIDADE
 
            A vida cristã é uma relação que é resultado de uma vida de santidade. A santidade caracterizou, sempre, a vida das pessoas que entram em uma união vital com nosso Deus, que é santo. No Novo Testamento a santidade é praticamente sinônimo de retidão, e pode ser traduzida pela palavra “consagração” ou “santificação”. O autor da epístola aos Hebreus tem esta idéia em mente quando exorta aos crentes em Deus a sustentar a paz com todos, “e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).
            Esta santidade não se refere a uma aparência exterior como o agente especial da santidade. Vive no cristão para produzir o desejo de retidão e verdade.
Fortalece a vontade do cristão para capacitá-lo a viver uma vida santa. Confere discernimento moral, a fim de que o cristão possa vencer o mal com o bem, e o capacita para viver uma vida abundante, vitoriosa e santa. Produz na vida dos cristãos o fruto do Espírito que é: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, fé, mansidão, bondade, temperança” (Gálatas 5:22,23).
            O Espírito Santo é considerado como o agente especial da santidade.
O fruto do Espírito é uma prova da pureza da vida cristã e o Espírito Santo realiza este trabalho sem anular a capacidade da razão do crente através de um êxtase, mas penetrando em suas capacidades espirituais à máxima potência. Muitos dons magníficos concede o Espírito Santo aos homens, porém o principal está relacionado com o caráter cristão. O principal dom de Deus não é algo espetacular
Como, por exemplo, “falar em variedade de línguas”. É algo superior, que não é atrativo, porém, altamente efetivo: a conformação do caráter do cristão ao modelo que é Jesus Cristo: isto quer dizer, uma vida de santidade; um verdadeiro homem Ou uma verdadeira mulher.
            A santidade, para o cristão, não é resultado de eleição. É algo típico, normal
E característico. Aquele que deseja identificar a um membro da espécie cristã, deve guiar-se pela santidade da pessoa.
É UM CAMINHO DE AMOR
            A vida cristã é uma relação que conduz não somente a uma vida de santidade, mas, essencialmente, a uma vida de amor. A vida de Cristo é a perfeita demonstração desta vida de amor. Quando João Batista foi encarcerado, enviou dois de seus discípulos para que perguntassem a Jesus se Ele era verdadeiramente o Cristo de Deus. Jesus lhes respondeu: “Ide e anunciai a João as cousas que ouvis e vedes. Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:4,5).
Lucas declara que Jesus, tendo sido ungido com o Espírito e com poder, “andou fazendo o bem” (tos 10:38). Além disso, Lucas afirma que Jesus baseava seus ensinos em suas obras de amor, quando disse: “Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar” (Atos 1:1).
            O amor não é uma coisa aparte de si mesmo, na qual alguém pode pensar, pode apalpar, pode crer. É simplesmente parte de si mesmo; algo que nós mesmos fazemos. Tertuliano claramente indica que os cristãos primitivos eram fazedores de em, nas seguintes palavras: “Pessoas de pouca preparação, artesãos, mulheres idosas que se não podiam argumentar em favor da bondade de nossa doutrina, podiam com seus atos exibir os benefícios que se originam da verdade que eles aceitavam”. Recordemos que esta afirmativa foi feita por um célebre advogado, habituado a observar a conduta humana. Tem sido levantada, às vezes, uma crítica dirigida contra os “bonachões”. É necessário lembrar, entretanto, que as outras alternativas para se fazer o bem, é fazer o mal ou não fazer nada. Fica evidenciado que o desejo de Deus é que façamos o bem, tendo como base o amor cristão.
            Se é verdade que o cristão não chamado a se deleitar com a companhia de qualquer pecador que encontre na rua, no entanto está capacitado por meio de Cristo para buscar o bem e demonstrar amor a qualquer pessoa no mundo necessitada, e na medida em que alguém ame a si mesmo.
Fazer isto é parte do que entendemos como é a vida cristã. Certamente, o caminho do Senhor é um caminho de santidade e um caminho de amor.
 
PODE-SE OLHAR A CONDUTA CRISTÃ COMO ALGO ANTIQUADO?
 
            Levando-se em conta as imperfeições na conduta cristã nos dias de hoje, é imperativo que nos dediquemos a um novo esforço que nos conduza a uma posição cristã mais real. A ética implica na aplicação da verdade cristã aos assuntos da vida diária. Consciente ou inconscientemente o mundo tem rejeitado ou ignorado aquilo que a ética cristã exige.
            Focalizemos um olhar nas causas desta atitude de mirar como coisa antiquada as exigências da ética. (1) Muitos cristãos evangélicos repeliram tão radicalmente a doutrina da salvação pelas obras, que chegaram  ao extremo de repelir também a doutrina bíblica de que as boas obras constituem um produto ou evidência da salvação. (2) Além disso, temos reagido com tanta violência contra a posição extremada de alguns dirigentes do movimento conhecido como “evangelho social”, que temos condenado não somente os seus erros, como também suas instituições legítimas. (3) Temos participado de um casamento de
conveniência entre a nossa prestigiosa posição social, e os males sociais, políticos, econômicos e raciais, dos quais em parte somos culpados. (4) Temos destacado uma ou outra regra moral, e temos ridicularizado outras normas básicas da conduta ética. (5) Temos manifestado uma contínua e malvada vontade para enfrentar os problemas éticos reais de nossos dias, em nossa pregação, em nosso ensino e em nossa vida diária.
            Quem são os que querem silenciar a voz e manietar aos modernos profetas de Deus que assinalam os grandes problemas sociais e terríveis males morais de nossa geração? É o antipático religioso que caçoa dos “bonachões” e de todo o em que levam a cabo. É o anarquista moral que prefere as folhas da carne, as cebolas e os alhos dos egípcios, as codornizes e ao maná do céu.
É o descrente absoluto, ético, a quem muito pouco importa que o mundo para o qual enviamos os missionários, lhes perguntem: “Porque acreditam que o cristianismo poderá fazer por nosso país, o que não conseguiu fazer pelo vosso?”
E ao fazer esta pergunta, saem muito bem o que acontece em nosso país, pois as agências de informações encarregam-se da publicação.
            Vamos recordar que esta conduta cristã que Deus nos exige observar, tem aspectos negativos. É de se esperar que os cristãos de hoje em dia, não percam de vista estes aspectos negativos. As proibições de Deus, contidas nos Dez Mandamentos, bem poderiam inquietar a algumas pessoas superficiais.
É muito melhor, entretanto, contradizer a estas pessoas que contradizer a Deus.
            Entretanto, o impacto principal da moral cristã é de caráter positivo.
A moral cristã, como já temos visto, relacionada com o amor cristão, é algo que nós fazemos. Para o cristão adotar uma boa conduta é “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça,e ames a beneficência, e Andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8; conforme I João 1:7). O comportar-se bem significa viver a vida cristã em sua totalidade, reconhecendo e observando a soberania de Cristo.
Significa tomar a cruz da abnegação pessoal diariamente, em obediência ao governo de seu reino (Lucas 9:23). O levar a cruz diariamente e nos submetermos a Cristo, é a prova principal de que somos seus discípulos. Nossa dificuldade presente, parece ser que sabemos muito a respeito da cruz, porém não sabemos
como carregá-la. Desejamos claramente estabelecer que a lei primária da vida cristã não é autopreservação, mas autoimolação.
            O levar a  cruz envolve o tropeço e a controvérsia. Dante disse que os neutros são apelidos tanto no céu como no inferno. E nos indecisos membros da igreja de Laodicéia, disse-lhes o Senhor: “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente; Quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno. E não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Apocalipse 3:15,26).
            A virtude na vida cristã nunca pode ser, como dissera John Milton, um ser fugitivo ou enclausurado, senão um guerreiro que caminha para enfrentar o inimigo, e somente assim se declara como tal, em um mundo incrédulo e imoral.
            Estabelecemos o propósito, para tanto, de levar a cabo a tarefa de igualar a fé cristã com a conduta cristã. Não nos preocupamos em encontrar resposta para os problemas da terceira década do século XX., pois esse tempo já passou, nem nos sucumbir a frustração de que os problemas atuais são superiores às nossas forças. Nem nos afaste o vão temor de que talvez Deus não possa fazer nada para deter estes males que nos acossam. Não levantemos bezerros de ouro (ver Êxodo 32:4) de entre os charlatães que nos rodeiam, neuróticos, super-patriotas e demagogos, que teimam em aparecer prometendo livrar-nos dos perigos que nos rodeiam. A extravagância de suas promessas é superada somente pela incompetência de cumpri-las.
            Não continuemos a nos deter em assuntos que exigem uma solução cristã, nem vamos nomear uma comissão que demora para tomar uma decisão e termina
por não fazer nada. Recusemo-nos a continuar com a murmuração que apresenta uma mensagem desatinada. Não andemos em conselho, nem nos metemos no caminho, nem nos sentamos na roda dos soberbos, que se apóiam em seus méritos pessoais, mais do que na graça de Deus. Não sejamos eticamente gigantes fofos que se adaptam a este mundo louco.
Que não se diga que nós buscamos mais a nossa comodidade pessoal do que cumprir nossos deveres cristãos. Não preguemos uma versão tão aguada do evangelho que irá confundir a fé, e confundir o crente e confortar o incrédulo.
Não sejamos guias cegos que conhecem todas as línguas menos a que é falada hoje.
CONCLUSÃO
 
            A prova que determina se alguém é cristão não é a ortodoxia de sua doutrina, senão a qualidade de sua vida cristã. A piedade que se professa de boca não é substituto da pureza pessoal: “Aquele que diz que está na luz, e aborrece a seu irmão, até agora está em trevas” (I João 2:9). “Se dissermos que temos comunhão com ele, e andamos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade” (I João 1:6). Se alguém diz que crê, porém a sua conduta não é correta, engana a si mesmo e a verdade de Deus não está nele.
            É completamente inútil por uma etiqueta na lapela se a sua vida não lhe corresponder. O mundo não precisa de guias que digam: “Esse é o caminho; andem por ele”. Necessita, sim, de pessoas crentes em Deus e de conduta irrepreensível, que digam: “Este é o caminho. Venha, andemos juntos por ele”.
            A vida cristã, fundamentalmente, não é  nem programas, nem organizações, nem comissões; é mais uma relação que conduz a uma maneira de viver: é fé e conduta.
——xxx——
 
Tiago 1:5 “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá liberalmente, e não lança em rosto, e ser-lhe-á dado”.
            “Ensina-nos que a liberdade não somente deve ser amada, mas também vivida. Liberdade é cousa preciosa demais para ser enterrada nos livros. Custa demais, para ser armazenada. Faze-nos compreender que a liberdade não é o direito de fazermos o que desejamos, mas a oportunidade de gostarmos de fazer-nos o que é justo”.
 
Esta é mias uma oferta da Escola Dominical da Igreja Presbiteriana da Ilha do Governador, cujo Pastor, na época, foi o Reverendo Jonas Machado.
EBENESER !!!!!
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana
Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo
Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

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