O Batismo Cristão

7- O BATISMO CRISTÃO

 

 

 

Mateus 16:16 “Quem crer e for batizado será salvo”

 

Ler: Batismo de João – Marcos 1:2-8

 

Batismo no sofrimento de Cristo – Marcos 10:35-40

 

Efésios rebatizados – Atos 19:1-6

 

Batismo de Paulo – Atos 9:10-20

 

Três mil batizados – Atos 2:37-41

 

Batismo do carcereiro – Atos 16:27-34

 

Batismo e revestimento – Gálatas 3:27-39

 

No sentido devocional, leia o Salmo 105:1-7

 

 

 

            A igreja Presbiteriana não confere ao rito batismal nenhuma virtude regeneradora. Aceita-o como sinal da graça de Deus recebida pela mediação de Jesus Cristo e instrumentalidade do Espírito Santo. Aplica-o como ato de iniciação no reino do Cordeiro, a Igreja Visível, estabelecendo nítida e definitiva separação histórica, moral e espiritual entre o povo escolhido de Deus e o resto do mundo.

 

 

 

A INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA ROMANA

 

 

 

            Para a Igreja Católica, o batismo possui, em si mesmo e pela mediação do sacerdote, poder regenerador, perdoador. Eis porque o chamam de “Sacramento da Regeneração”. Por ele, segundo esta Igreja, são perdoados o pecado original e o pessoal, bem como anuladas as penas conseqüentes merecidas, arbitradas por Deus.

 

            Algumas Igrejas evangélicas seguem de perto o catolicismo, neste particular, ao conferirem mérito regenerador e purificador ao batismo.

 

É a versão protestante do dogma batismal do “ex opere operato” e a ressurreição da velha tese católica da “única Igreja verdadeira”, a proprietária exclusiva do “múnus” salvador e ministradora concessionária dos elementos salvadores.

 

            Não é o batismo desta ou daquela Igreja, nesta ou naquela forma, que salva. É Jesus Cristo. Não procuramos o batismo para ser salvos; procuramo-lo porque fomos salvos. Afirmar, pois, que o indivíduo somente herdará o céu pelo batismo particular de determinada Igreja é consignar a essa Igreja atributos e prerrogativas que pertencem a Jesus Cristo irrevogavelmente: é, por outro lado, cair na doutrina católica da “única igreja verdadeira” que salva; é enveredar pelo perigoso caminho herético da “regeneração sacramentalista”; é negar finalmente, a suficiência do sacrifício vicário de Cristo pela salvação pela fé; é, em suma, implantar nos arraiais evangélicos os velhos e superados dogmas católicos, destruídos pela tese da Reforma: Salvação somente pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo comunicada aos pecadores pelo Espírito Santo.

 

Conteúdo Terminológico

 

 – Afirmam os imersionistas que a imersão é a única forma bíblica e verdadeira do batismo.A Bíblia, entretanto, lhes nega fundamento irrefutável para esta posição radical. Chegaram a essa conclusão por inferências lógicas, racionais, hauridas de um grego – o clássico – jamais usado nos documentos neotestamentários, escritos em grego popular – o coinê -. O clássico, além de estar fora do Novo Testamento, desautoriza a “definitivas deduções imersionistas. O verbo “bapto”, com seu intensivo “baptizo”, usado com conotações da “coinê”, dão origem à palavra portuguesa “batismo”. “Bapto” ocorre somente quatro vezes no Novo Testamento (Lucas 16:24; João 13:26; Apocalipse 19:13), mas em nenhum lugar com idéia absoluta de imersão. Vejamos: Em Lucas, significa “molhas a ponta do dedo”. Em João, aparece duas vezes com o significado de “molhado”, referindo-se ao pedaço de pão que seria dado a Judas. Em Apocalipse, surge com seu significado original de “tingir”: “Está vestido com um manto “tinto” (bebammenon) de sangue”. Em nenhum dos casos “bapto” referiu-se ao sacramento batismal; em lugar nenhum trouxe a idéia clara de imersão. Em Apocalipse nem sequer está ligado à água. Aliás, jamais a água esteve presente como parte inerente e substancial do conteúdo de “bapto”. Este verbo, portanto, não diz nada aos imersionistas.

 

            “BAPTO” é tomado, nas Escrituras, em contextos cerimoniais e teológicos com o sentido de “purificar”, e fazê-lo por aspersão. Vejam um texto antigo, Números 19:13-19, onde batizar é purificar por aspersão. Que o termo significa aspergir, prova-p Hebreus 9:10. Que tenha o sentido de purificar, o que os judeus faziam por aspersão, atesta-o Marcos 7:3,4, onde o verbo aparece com o sentido de lavar e aspergir no original.

 

            No grego do Novo Testamento, temos dois vocábulos designativos do rito Batismal não encontrados na Septuaginta e na literatura clássica.

 

Foram criados e conotados para comunicarem a nova conceituação terminalógica e teológica do rito batismal. Para um fato novo uma palavra nova.

 

O primeiro é “ho baptismós”. Encontra-se somente três vezes no Novo Testamento, em Marcos 7:4 e em Hebreus 6:2, significando, respectivamente, lavagens cerimoniais e abluções, “vários batismos”, e baptismo!

 

Nada, mas absolutamente nada de imersão neste termo. O segundo é “to baptisma”, freqüente no Novo Testamento, constituindo-se o “terminus technicus” especialmente cunhado para designar o sacramento do batismo.

 

Em parte alguma, este “neologismo” neotestamentário significa obrigatória e necessariamente imersão. Está ausente dele essa idéia.

 

ASPERSÃO – Não somos “aspersionistas”. Não fazemos da forma batismal um dogma estrutural de nossa igreja e de nossa fé. Batizamos por aspersão, mas não acusamos de pagãos os batizados por imersão. Ao contrário, aceitamo-los como irmãos, dando-lhes assento à Mesa do Senhor, recebendo-os em nossa comunidade sem rebatismo. Para nós, o fundamento da Igreja é Cristo e a base de sua existência a fé. Nada pode superar esta interação Cristo – fé – Igreja.

 

            Entendemos que a aspersão tem mais fundamento bíblico que a imersão, além de ser mais funcional e higiênica, mormente quando a imersão é praticada em tanques, uma inovação antibíblica, não só por sua inexistência nas Escrituras mas, sobretudo, porque as purificações em Israel não eram feitas em águas estagnadas, paradas, mortas, mas em águas vivas, correntes (Levítico 14:5,6,51,52; 15:13; Números 19:17,18). E a água tornava-se viva quando aspergida, derramada.

 

            Jesus transformou água em vinho nos vasos de purificação. Vasos, não tanques (João 2:6), pois as purificações cerimoniais eram simbólicas, jamais literalistas, feitas ou aspersão ou afusão.

 

            O derramamento vicário do sangue do Cordeiro, de que é símbolo o derramamento da água batismal; o autor da Carta aos Hebreus chama de “batismo!” (diaphocoi baptismoi”) literalmente; Vários batismos.

 

Se o sangue de Cristo é derramado para purificação de pecados (Hebreus 9:22) e não se diz que a purificação é feita pela imersão no sangue do Cordeiro.

 

Também o Espírito Santo é derramado em cumprimento à profecia de João Batista: “Ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mateus 3:11). E Paulo consagra essa forma batismal pelo Espírito Santo com este magistral ensinamento a Tito: “Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tito 3:4-6).

 

            Tudo foi derramado: A água, o sangue, o Espírito Santo (Atos 2:17,18,32,33; Tito 3:5,6; Hebreus 9:22; Lucas 22:20). Conclui-se que a aspersão é muito, muitíssimo mais rica em conteúdo histórico, litúrgico, cerimonial, doutrinário e teológico que a imersão.

 

O BATISMO DE JOÃO  – O batismo cristão não é sucedâneo perfeito do de João, posto que diferente em natureza e propósito, embora ambos tenham sua gênese no cerimonialismo judaico das purificações. João pregava no deserto sem comunidade local, sem templos, sem batistérios; se batismo não incluía o batizado em qualquer Igreja, não era precedido por formal profissão de fé cristã, não continha a idéia de ressurreição, e era provido de um caráter temporário (leia Mateus 3:11). Tanto isto é um fato, que seus discípulos foram rebatizados na Igreja, por não receberem o Espírito Santo (leia Atos 19:1-5).

 

O precursor do Messias, pelo que sabemos, por meio dos textos alusivos ao assunto, não batizou em nome da Trindade. Logo, seu batismo não pode ser invocado como comprovante do batismo cristão e nem o Jordão pintado nos muros batisteriais como invocação da imersão. No batismo cristão, o rio Jordão ficou fora, por ser um rio eminentemente judaico, e as águas gentílicas, ao contrário do que aconteceu com Naamã, são tão sagradas, no novo povo de Deus, como as de Israel.

 

A FORMA DO BATISMO – Batizar não significa somente imergir e nem mais imergir que aspergir.

 

a) Textos onde a imersão não pode ser encontrada: Lucas 11:38; Marcos 7:4; I Coríntios 10:2 e Hebreus 9:10;

 

b) Os vários batismos referidos em Hebreus 90:10 eram feitos por aspersão conforme Hebreus 9:13,20,21; Êxodo 24:8; Levítico 1:5; 8:19; 14;7,16,51; Números 8:7; 18:17; 19:4; 13:20,21 conforme Lucas 11:37-41 e Marcos 7:1-13.

 

c) Paulo foi batizado em pé, logo não pode ser por imersão (Atos 22:16 e 9:18).

 

d) Os três mil batizados no dia de Pentecostes não o foram por imersão. Não havia rio na cidade. Os reservatórios eram de água potável destinada ao consumo e, por questões óbvias, não seriam cedidas para o “mergulho batismal”, mesmo porque os batizadores não eram bem recebidos pela população.

 

e) Cornélio, certamente, foi batizado por aspersão, pois a água foi trazida até ele, não o batizando levado às águas (Atos 10:47).

 

f) O carcereiro de Filipos não foi imergido. Não consta que descesse às águas. Ele não podia retirar-se da cadeia, pela natureza da sua função, deixando os prisioneiros livres para empreenderem a fuga (Atos 16:20).

 

Não é difícil provar a aspersão; o ônus mais pesado é a prova da imersão,  Imersão, uma inovação bastante improvável.

 

IMERGIR E SEPULTAR – Os imersionistas teimam em fazer do verbo imergir sinônimo de sepultar, uma aberração semântica. Citam, eufóricos, Romanos 6:4 “Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos em novidade de vida”. Mas aqui, batizar significa “sepultar”, não “mergulhar”.

 

A terra não envolveu o corpo de Cristo como a água envolve o imerso. Nem terra havia na sepultura do Nazareno. Ora cavada na rocha, com espaço amplo (Marcos 16:5), podendo abrigar várias pessoas. Jesus não foi imerso, mas colocado num túmulo onde entraram de uma só vez, Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé e, em lá chegando, viram um anjo assentado ao lado direito do ,local em que estivera o corpo de Jesus (Marcos 16:1,5). Estas mulheres entraram e saíram: foram batizadas?

 

            Sepultura é sepultura; imersão é imersão. Como, para os imersionistas, batizar é sempre e unicamente imergir, quando este termo aparece com a conotação de sepultar, aí, milagre da filosofia, sepultado passa a ser sinônimo de imerso. É a lógica dos aprioristas.

 

TÓPICOS PARA AVALIAÇÃO

 

1. Qual a diferença de interpretação do batismo entre a nossa igreja Presbiteriana e a Igreja Católica Romana?

 

2.  Qual a atitude da Igreja Presbiteriana para com o batismo por imersão?

 

3.  Mencione as razões que fazem da aspersão o modo mais aceitável de batismo.

 

4 . Por que não pode o batismo de João Batista ser invocado como comprovante do batismo cristão?

 

5.      Mencione exemplos de batismos que não podem ter sido por imersão.

 

 

 

Glossário

 

 

 

“Múnus”                                      – Tarefa, encargo

 

Vicário                                         – Em lugar de outro, propiciatório

 

Inerente                                      – Inseparável, qualidade própria de alguém ou de alguma coisa.

 

Conceituação                              – Definição, ajuizamento

 

“Terminus Technicus”             – Termo técnico

 

Neologismo                                – Palavra nova

 

Aprioristas                                  – Pessoa que raciocina com apriorismo

 

Apriorismo                                 – Raciocínio, a priori, por hipótese, sem se considerarem os fatos reais.

 

 

 

Esta foi uma aula da Escola Dominical (Trimestre- Júlio, Agosto-Setembro de 1979- Curso Popular.

 

 

 

 

 

 

 

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