Os Limites da Liberdade Cristã

 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo

 
 
 

OS LIMITES DA LIBERDADE CRISTÃ

 

Leitura bíblica: I Coríntios 10:23-33 e Romanos 14:1-12

 

“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convém; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (I Coríntios 10:23 e Romanos 14:12).

 

            É bem mais fácil falar e defender a liberdade cristã, do que exercê-la com sabedoria. Ao expressar a idéia de “limites”, fica claro que liberdade sem limites, cedo, se deteriora em libertinagem; ou leva à prática de excessos no exercício da liberdade; ou quem sabe, defender a liberdade sem limites, o que pode levar-nos a anarquia. Você tem liberdade para fazer, ou para deixar de fazer; no primeiro caso, você é livre; e só é obrigado a fazer, ou para deixar de fazer por força de Lei; não raro, deixamos de fazer por questão de consciência, e por saber que pode haver conseqüências no mau uso da liberdade.

            Mesmo as coisas lícitas têm limites de local, horários, intensidade, e números toleráveis de decibéis.

 

I – O ENSINO DE PAULO SOBRE O ASSUNTO É

SIMPLES, DIRETO E CLARO:

 

            Os limites são inteligentes, humanos e relacionais. Alguns princípios a serem observados para o exercício da liberdade:

 

1º) Você é livre para fazer ou deixar de fazer, o que for lícito, bom e agradável.

 

2º) Se for conveniente, edificante, benéfico e que promova a paz;

 

3º)  Deve buscar o bem do outro e criar unidade, alegria e paz no lar, na Igreja e na sociedade.

 

II – DIFERENTES NÍVEIS E DIMENSÕES DE LIBERDADE

 

            Filosoficamente, liberdade é a faculdade de que o ser humano tem de escolher dentre as várias possibilidades de realizar um ato. Perguntar sempre: É bom? É edificante? Promoverá a paz? Criará boa vontade e melhores amizades,

Entre todos os envolvidos? Traz resultados positivos para a Igreja de Deus? Caso contrário é melhor evitar e/ou deixar de fazer.

            O exercício da liberdade deve obedecer aos limites da lei civil, da lei moral e da lei da consciência: “Uma coisa é certa, “não é seguro agir contra a própria consciência”.

            Quanto mais você abraça a verdade e o bem, tanto mais livre você será; ou seja, mais você se sentirá valorizado como ser humano. Esta é a razão de ser das leis em geral e dos mandamentos de Deus, em particular. Eles são avenidas de Deus para o nosso bem, para o bem do próximo, e equilíbrio respeitoso das relações humanas.

 

III – O DIREITO À LIBERDADE HUMANA NA VIDA SOCIAL, TERMINA, QUANDO INTERFERE COM OS DIREITOS DE OUTREM OU QUANDO PÕE A PRÓPRIA LIBERDADE EM RISCO: EXCESSO DE LIBERDADE MATA A LIBERDADE!

 

            Você e eu somos livres para fazer o que é bom, não o quisermos; nem tudo o que é lícito é ético.

            As leis existem para garantir a liberdade de cada um, preservando o equilíbrio social: a liberdade de expressão do pensamento; de imprensa; de opinião; de religião; de culto e de liturgia, precisam ser garantidas, desde que não prejudiquem o seu semelhante e que respeitem a natureza. Quanto mais responsável a pessoa é, mais livre ela se torna; o contrário também é verdade. Quanto mais irresponsável, menos livre, vai perdendo privilégio, até perder a própria liberdade.

            Liberdade de culto é a capacidade e o direito que tem o ser humano e as sociedades de confessar e praticar o seu Credo, sem prejudicar os outros; antes respeitando à vida e à dignidade de cada praticante.

            Liberdade de pensamento, de consciência e de foro íntimo: é o que de mais sagrado existe, na liberdade.

            Liberdade de expressão do pensamento pela escrita, som e imagem.

            Liberdade de imprensa é o direito de imprimir, publicar e distribuir livros, revistas, jornais, boletins: expressar o seu pensamento, sem censura prévia ou classificatória. Cada um é responsável pelo que pensa, fala ou escreve e publica. É livre a manifestação do pensamento. Agora, “quem fala o que quer, ouve o que não quer”. Sabedoria popular.

            É válido lembrar aqui os ideais da Revolução Francesa de 1793. LIBERDADE, IGUALIDADE E FRATERNIDADE. Ideiais esses, adotados por muitas democracias e que precisam ser por todos adotados e respeitados.

 

            IV – A LIBERDADE CRISTÃ EM ROMANOS 14 E i CORÍNTIOS 10:

 

Em Romanos o eixo hermenêutico é a responsabilidade de cada qual, e o cuidado do Senhor com os Seus súditos.

Qual deve ser a atitude do cristão justificado pela graça mediante a fé, para com os fracos? Acolher e respeitar.

            Corrigir dentro da Bíblia, com admoestação de amor sem moralismo hipócrita. A coexistência dos dois grupos: os fortes e os fracos na fé deve-se a alguns fatores em comum:

1º) Os membros de ambas as facções: fracos e fortes na fé, eram crentes  genuí-

      nos. Leia Romanos 14:1-4,6, 10 e 13;

2º) O curioso é que cada grupo criticava o outro (Romanos 14:3,4,13);

3º) Cada grupo terá que prestar contas de si mesmo a Deus (Romanos 14:12).

4º) Pontos acerca dos quais os dois grupos divergiam;

     a) Comer ou não comer carnes que, eventualmente, poderiam ter sido sacrifi-

         cadas a ídolos;

     b) A observância ou não do dia de descanso, no “shabat” ou outro dia;

5º) é notável a postura pastoral de Paulo;

a)    Acolhei ao que é débil na fé; não para discutir opiniões;

b)    Cada um de vós tenha opinião definida no seu coração: é fácil criticar. É preciso tolerar e orar uns pelos outros;

c)    O pastor Paulo admoesta a não desprezar um ao outro; e pergunta: Quem és tu que julgas o servo alheio? Pelo seu Senhor está em pé ou cai. Mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster!”

d)    Paulo admoesta a congregação inteira a buscar as coisas pertinentes à paz, à fé e à pureza, com vistas a edificação mútua (Romanos 14:19;  e 15:2 e 3).

 


V – A LIBERDADE CRISTÃ É FRUTO DA NOSSA

LIBERDADE EM CRISTO

 

            Somos livres para viver amar e servir a Deus e ao próximo. O editorial de hoje tem consonância com o do Domingo 6:11; 2011, “A Ética da liberdade e na Liberdade” com que Cristo nos libertou.

a)    Somos livres para buscar o em do outro, e não os nossos próprios interesses;

b)    Evitamos as picuinhas (coisas pequeninas) quanto a alimentos e a diferenciação entre dia e dias.

c)    Respeitamos a consciência do nosso irmão, e não queremos causar escândalos, é só não exageremos nas pressões: “Tudo o que é demais, sobra!”

d)    Em um banquete oferecido por incrédulos, comei de tudo sem perguntar a origem: comeu de tudo, mas não comei tudo! Na viagem missionária que o Presbítero Peter e eu, fizemos ao Rio Grande do Norte e Ceará, no Projeto “Rumo ao Sertão”, juntos com o Ver. Marcos Severo, comemos bem umas “três galinhadas” e “até uma buchada diz Bode”, e foi tudo muito gostoso: O carinho, e a hospitalidade do povo nordestino, são notáveis!

e)    Participei “com ações de graças”, dei Graças a Deus, e tudo nos fez muito bem.

 

CONCLUSÕES E APLICAÇÕES PRÁTICAS

 

1º) Façamos tudo para a Glória de Deus;

2º) Procuremos não causar tropeço, e, sim, abençoar sempre. Faça o mesmo, meu irmão e minha irmã!

3º) Procuremos, em tudo, ser agradáveis a Deus e polidos com os nossos irmãos: que povo bem, alegre e hospitaleiro! Voltamos, uma vez mais, encantados com o nordestino, em geral; e com o sertanejo, em particular.

4º) Buscamos alcançar o coração do nordestino com o amor de Cristo.

 

Desculpe-me ser tão pessoais e intimistas. Em oração e com muita liberdade!

 

Rev. Guilhermino Cunha

 

Pastor da Igreja
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