Você é Guarda de Seu Irmão

04 –  VOCÊ É GUARDA DE SEU IRMÃO

             “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e derribando a parede de separação que estava no meio. Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um só homem, fazendo a paz. E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Vide

Efésios 2:13-16).
            Um jovem procedente do oriente médio estava preenchendo um formulário de inscrição em uma universidade norte-americana, e, ao chegar ao item que inquiria sobre a “raça”, escreveu, “humana”, Ele poderia escrever “branca” ou “caucásica”, porém não o fez, porque como poderia aceitar uma classificação de seres humanos, segundo a qual ficaria separado dos povos de cor do mundo, com os quais sentia uma grande afinidade.
            A reação deste jovem árabe ao que ele considerava “racismo norte-americano”, é típico de um mundo que está despertando para o que chamamos de relações raciais, relações humanas ou relações de grupos.  Assim como o negro nos Estados Unidos recusa “permanecer em seu lugar”, por ser um lugar de cidadania de segunda classe; de igual modo, o resto dos povos de cor do mundo, rebelam-se contra o jugo do colonialismo da raça branca. Os povos de cor do mundo, nos dias de hoje, como os demais povos no decurso da história da raça humana, querem ser livres. Existe no cristianismo uma mensagem para as raças em mútua contenda, nesta hora crítica?
            Antes de tratar de responder a esta pergunta é necessário definir os termos, embora esta definição seja incompleta e limitada. Os termos usados com maior freqüência, relacionados com este tema, tais como: “raça, prejulgamento, discriminação, segregação, integração, são palavras que não exprimem, atualmente, um conceito claro e definido que sirva para a troca de idéias, porque
atrapalham por possuir distintos significados para quem as empregam”. Devemos fazer um esforço para entender melhor, o significado destes termos tão usados.
            Nenhuma palavra do vocabulário moderno está tão cheia de conotações relacionadas com as idéias de lealdade, animosidade, ódio, amor e temor, como a palavra “raça”.. Esta palavra é de origem obscura, porém é usada comumente para rotular um grupo de pessoas que possuem, em comum, certas características físicas facilmente observadas, e hereditárias. Deve ser distinta da palavra “racismo”, a qual “é o dogma de um grupo étnico estar condenado pela natureza a uma inferioridade congênita, enquanto que outro grupo está determinado a uma superioridade congênita”. ARNOLD TOYNBEE disse que o sentimento moderno ocidental sobre a raça, ou seja o racismo, data dos últimos 25 anos do século XV.
Nessa época os europeus começaram uma era prolongada de colonização e exploração das gentes de cor do mundo, e, para tanto, precisavam do apoio psicológico de uma doutrina como a idéia que é fornecida pelo racismo.
É o racismo e não a raça que fere a democracia. O racismo entroniza a maldade, rejeita a religião revelada, e procura escapar do cristianismo.
            “Prejulgamento racial” é um termo que se refere ao ato de prejulgar a uma pessoa, favorável ou desfavoravelmente, baseado nas características físicas externas. GORDON ALLPORT nos dá a seguinte definição cuidadosamente elaborada, a qual consideramos essencialmente adequada. “O prejulgamento étnico é uma atitude antipática baseada em uma imperfeita e inflexível generalização. Se pode sentir ou se pode expressar. Pode estar dirigido contra um grupo ou contra um indivíduo por fazer parte desse grupo”.
            “Segregação racial” é um termo que se refere ao isolamento, voluntário ou involuntário, entre os grupos raciais. Em uma sociedade segregada existe uma tendência para a formação de uma estrutura, baseada em castas, e dominada por
costumes, modalidade e tabus, que dominam quase todos os aspectos das relações entre um grupo que está em maioria e outro que está em minoria.
O “bom” membro do grupo minoritário é o que se adapta, na opinião do grupo majoritário, à norma correntemente aceita, norma que é determinada e mantida pelo grupo em maioria.
            O termo “desagregação” se refere a abolição da segregação. Esta abolição pode ser efetuada pela força da lei, ou pela força da opinião pública, ou pela combinação das duas.
            A desagregação, geralmente implica na eliminação das barreiras legais que estavam conservando as raças oficialmente separadas, com o que se chegou a estabelecer um sistema de cartas. A “integração” inclui não somente o aspecto negativo da desagregação legal, como também o aspecto positivo da aceitação
Mútua e voluntária, individual e coletiva, dos grupos entre si como companheiros iguais.
            Passando por esta definição inadequada destes termos, vamos considerar o problema fundamental das relações humanas. E no caso dos cristãos esta consideração deve ser feita não sob a luz da psicologia, sociologia ou ciências econômicas ou políticas, mas à luz dos princípios cristãos de fé e conduta.
            Quando Deus perguntou a Caim, “Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? (Gênesis 4:9). Deus não aceitou uma imediata, direta e específica resposta a esta pergunta; porém Sua reação claramente manifestou que Ele considera a cada ser humano como guarda de seu irmão. Deus criou o homem com uma característica social, de modo que o homem não vive para si exclusivamente, nem sequer morre para SI MESMO. Por isso Deus disse a Adão: “Não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18).
O cristão não tem outro remédio que se sentir responsável pelo seu próximo.
QUE DIZEM AS SAGRADAS ESCRITURAS?
            A mensagem cristã no tocante ao racismo é baseada na Bíblia. O que é que a Bíblia diz que possa ajudar aos cristãos que desejam pensar, falar e agir, com referência às relações raciais, de um modo que agrade a Deus e honre o nome de cristão?
            A palavra “raça” com a conotação que tem hoje em dia não aparece na Bíblia. Se em que a Palavra de Deus não se ocupa do problema racial como tal, apresenta certos princípios fundamentais e completamente claros que podem orientar o cristão, na área das relações raciais.
            A Bíblia ensina que os homens de todas as nações constituem uma só família humana, e que em Adão têm uma origem comum. Este pensamento foi manifestado pelo apóstolo Paulo em seu sermão na cidade de Atenas, ,ao afirmar que Deus “…de um só fez toda a geração de homens” (Atos 17:26). A ciência, em linhas gerais, está de acordo com esta afirmação bíblica sobre a imensa multidão de bilhões de seres humanos, rodos descendem de um  só casal.
Mediante o ato criador de Deus a raça humana foi moldada em uma unidade que nem a história, nem a geografia, nem sequer a degradação humana com seu extremado egoísmo, puderam destruir.
            A Bíblia ensina que o homem foi criado à imagem de Deus. “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gênesis 1:27). Um sinal da depravação humana, encontramos na atitude obstinada do ser humano, de desconhecer esta verdade fundamental, de que o homem foi criado à imagem de Deus, com o propósito de impedir que o homem  possa ter comunicação com Ele. A imagem de Deus não consiste em que o homem seja branco ou negro, que seja ilustrado ou supersticioso, que seja intelectual ou ignorante, que seja escravo ou livre, que seja democrata ou comunista: basta que seja homem. O homem é de infinito valor, precisamente por ter sido criado à imagem de Deus. E este fato do valor infinito do homem. Por ser homem, é o que destrói o mito que os nazistas alemães proclamavam, a superioridade dos ranços sobre os negros que fundamenta o Ku Kluz Kan, ou a superioridade dos negros, proclamada pelos “Muçulmanos Negros”.
            A Bíblia ensina que Jesus Cristo entregou a sua vida para redimir o ser humano, não importando sua raça,tribo, nação ou língua. “Porque de tal maneira Deus amou o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Esse mesmo conceito da universalidade da salvação em Cristo, observa-se também nestas palavras pronunciadas por Jesus depois de ressuscitar, declarando “que se pregasse em seu nome para o arrependimento” e o perdão de pecados em todas as nações”
(Lucas 24:47). Encontramos este mesmo pensamento em outra expressão de alcance universal: “Vamos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que
fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hebreus 2:9).
            Nos dias de hoje todo mundo necessita conhecer esta mensagem da Palavra de Deus, porém os cristãos, devem voltar a estudá-la com as mentes abertas, com a idéia de aplicá-la nas relações modernas entre as raças. Há somente uma diferença fundamental entre as criaturas humanas; a barreira que existe entre os que amam a Deus e os que O rejeitam. As barreiras constituídas pelo sexo, nacionalidade, idioma, cultura, classes sociais e raça, todas desaparecem sob a influência do glorioso evangelho de Jesus Cristo.
            A Bíblia ensina também que o poder do Evangelho é adequado para capacitar os cristãos a fim de que possam vencer os prejulgamentos raciais por mui profundos que sejam. O apóstolo Pedro estava bem compenetrado do sentimento de superioridade que os judeus adotavam diante dos gentios, aos quais consideravam como “cães”. Entretanto, chegou ao ponto de poder dizer, sob a influência do cristianismo: “E disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um varão judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo. E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:28,34).
A lição que Pedro aprendeu, e que Jonas havia estudado muito antes, é a lição que cada cristão deveria aprender. O prejulgamento é algo mui poderoso, sendo como é, uma força vital e vibrante na vida dos crentes que experimentaram a magnífica transformação que o ovo Testamento chama conversão.
O prejulgamento é poderoso, mas o evangelho é mais poderoso.
            A Bíblia ensina também que Deus não faz acepção de pessoas, coisa que o Senhor Jesus Cristo deixou bem claro, especialmente com os samaritanos.
Mesmo quando eles eram um povo de sangue misto, desprezado pelos judeus, da mesma maneira como muitos brancos desprezam as pessoas de cor, nos dias de hoje, em várias partes do mundo.Os judeus que viajavam entre a Galiléia e a Judéia, tinham o costume de rodear pela região da Peréia para não passar por Samaria. Porém, nesta ocasião em que Jesus precisava fazer esta viagem, o apóstolo João indica: “E era-lhe necessário passar por Samaria” (João 4:4).
Em uma das principais parábolas de Jesus, o herói é um  Samaritano (Lucas 10:25-37). E quando Jesus curou dez leprosos, e um só voltou para agradecer, Jesus destacou o fato de que ele era um samaritano (Lucas 17:11-19). Além disso, quando Jesus, depois da ressurreição, deu uma tarefa especial aos seus discípulos, incluiu Samaria como um dos lugares onde deveriam pregar o evangelho (Atos 1:8). É evidente que as Sagradas Escrituras ensinam claramente que Deus não faz acepção de pessoas (Romanos 2:11; Efésios 6:9; I Pedro 1:17). Os cristãos são exortados para não fazer acepção de pessoas: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas” (Tiago 2:1). E aos cristãos de hoje faríamos bem lembrá-los que: “Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (I Samuel 16:7).
            São estas algumas das principais passagens bíblicas que os cristãos modernos devem ter em mente, se desejam fazer um estudo justo e humano do problema racial. Entretanto, é muito importante que o cristão saiba não somente o que a Bíblia ensina sobre este problema, como também aquilo que a Bíblia não fala sobre o mesmo.
            Por exemplo, ouve-se dizer que Deus amaldiçoou a Cam e aos seus descendentes, tornando-os negros, e designando-lhes um lugar de inferioridade na sociedade humana, condenando-os a servidão. Uma leitura cuidadosa de Gênesis 9:18-27 nos mostra claramente que: (1) Deus não amaldiçoou ninguém;
(2) Noé foi quem pronunciou a maldição quando despertou depois de haver-se embriagado com vinho; (3) foi a Canaã em realidade, a quem Noé amaldiçoou, e n ao a Cam; (4) não existe nenhuma indicação de que Deus tenha aprovado o ato de Noé, de forma alguma; e (5) não
            Na passagem bíblica de Josué 9:23 referindo-se a “quem corta a lenha e tire água” é o pronunciamento de Josué contra os gabaonitas, habitantes de uma cidade de Canaã que, astuciosamente, enganaram os israelitas, induzindo-os a fazer a paz com eles. Estes gabaonitas racialmente devem ser classificados como caucásicos, como os judeus; e por isso, nesta passagem não há nenhuma referência racial aplicável aos negros, como alguns brancos de hoje crêem achar.
            Em outra passagem, Atos 17:26, que às vezes é usada para defender a segregação, diz: “E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação”. Embora não se refere às raças, mas às n ações, á poucas pessoas que usam o texto deste versículo, para defender a segregação nos Estados Unidos, e não consideram o dever dos europeus de regressar a Europa, deixando estas terras da América aos índios, aos quais Deus originariamente lhes concedeu este continente como sua habitação.
            A Bíblia não registra nenhuma justificativa para a idéia de superioridade ou inferioridade racial. Pelo contrário, registra princípios que destroem o racismo na mente e no coração dos homens.
Jesus Cristo fez um sumário da lei e dos profetas nestas palavras tão apropriadas:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e do todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo semelhante a este. é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37-39). Um amor inteligente, generoso e abnegado que nos leva a fazer o bem ao
próximo, é a resposta contra o prejulgamento e o racismo.
A BASE DO RACISMO
            O problema racial tem um alcance internacional, com  origens distintas nos diversos países do mundo; e por essa razão sua base é mito complexa.
Um exame da alguns dos fatores que entram n a criação do problema racial, pode servir de ajuda aos cristãos que desejam saber como poderão cumprir, corretamente, o seu dever de ser guarda de seus irmãos.
1)ESCRAVIDÃO – É evidente que se não fosse pela instituição da escravidão,    sobre a qual uma boa parte da civilização ocidental está baseada, p problema racial não haveria assumido as vastas proporções que tem em nossos dias.
     O capitão JOHN SMITH, de Jamestown, Virgínia, escreveu em seu diário             em 1619, que um barco de guerra holandês, desembarcou naquela cidade a vinte negros. Deste pequeno começo do tráfico de escravos, houve um crescimento, até atingir grandes proporções, logo que ELI WHITNEY inventou a máquina que retirava as sementes do algodão. Em nossos dias, um de cada dez cidadãos norte-americanos é descendente desses escravos. Embora, certamente, que a escravidão foi abolida nos Estados Unidos, há mais de cem anos, também é certo que os seus efeitos ainda permanecem nas manifestações psicológicas,  de tal maneira que se cumpre o que o profeta Jeremias havia dito: “Naqueles dias nunca mais dirão: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram” (Jeremias 31:29).
2) O CREDO DO RACISMO – Mesmo depois da abolição da escravidão. Surgiu
                                                 um credo ou dogma afirmando que “o negro é
    negro, e nada mais”. Até mesmo a opinião de que o negro não tem alma, não
    esteja tão difundida    como antes esteve, contudo, há muitos brancos que
    olham o negro como um ser humano diferente do que eles são. Nisto, vemos
    outro dos tristes aspectos do problema racial moderno.
3) PROVINCIALISMO – Outro dos aspectos do mesmo problema é a assombrosa
    persistência de quase todos os seres humanos, de considerar a seu grupo
    como superior aos demais, como eloqüentemente, manifestou-se o escritor
     FRANK P. GRAHAM, no seguinte parágrafo: “Em épocas da história primitiva,
    antiga e subseqüente, o que era diferente era olhado como estranho, e o
    estranho era considerado perigoso. Para os gregos o mundo estava composto
    de gregos e bárbaros, e para os israelitas, de judeus e gentios. O filósofo grego
       ARISTÓTELES considerava a inteligência dos povos que viviam ao norte da
       Grécia, como inferior. Mais tarde, o grande orador romano, CÍCERO, olhava
       os gregos como incapazes e charlatães, aos sírios como capazes de ser
       escravos somente; os britânicos eram “incapazes de aprender, eram dema-
       siadamente estúpidos para serem escravos, e por isso os atenienses não
       poderiam tê-los em suas casas”; os habitantes da península ibérica eram,
       segundo ele. bárbaros e selvagens. Mil anos depois um residente da mesma
       península, um erudito muçulmano da universidade de Toledo, chamado SAÍD,
       disse que as raças ao norte dos Pirineus eram de um temperamento frio, que
       nunca chegavam à maturidade, que eram altos e de cor branca, porém
       careciam de inteligência mais desenvolvida”.No final do século XVIII o impe-
       rador da China recusou a receber um embaixador do rei da Inglaterra              ,      alegando que se tratava de bárbaros estrangeiros, que em nada podiam
       contribuir em favor da civilização superior do “Império Celeste”. E, a meados
       do século XX, outras gentes, como produto de seu orgulho nacional e tota-
       litário, afirmam a paternidade, devido aos seus muitos inventos científicos e
       a superioridade de seu sistema econômico e modo de vida.
       É evidente que temos nos distanciado, em mito, dessa maneira antiga de
       pensar.
4)    A SUPREMACIA  BRANCA – A persistente doutrina da supremacia da raça
                                                       branca é outro dos aspectos do problema que
       encaramos em nossos dias. Apesar de os homens de ciência, em quase com-
       pleta unanimidade, afirmarem que não há diferenças inerentes entre as raças
       que possam dividi-las entre superiores e inferiores, a opinião nazista de que
       existem raças inferiores que devem servir às superiores, todavia permanece.
       Na realidade “o que Hitler fez ao afirmar a superioridade da raça germânica,
       foi revelar em toda sua crueza o terrível erro, egoísta e quase paranóico, que
       a cultura da Europa ocidental olhava como a principal premissa.
       Essa doutrina é transmitida de geração a geração, mantendo-se viva devido a
       diversas necessidades psicológicas e limitados recursos espirituais, de modo
       que, em uma hora de crise, um demagogo como HITLER aparece para fixar
       este orgulhoso preconceito, em sua malvada atitude que provocou o exter-
       mínio de seis milhões de judeus pelos super-homens arianos.
5)   A MISTURA DAS RAÇAS – Na mente de muitos brancos existe um indefinido
       pavor sobre o fato da troca no “estatus quo” racial haveria de sumir do povo,
       numa inevitável mistura de raças. Porém, a realidade, é que através da histó-
       ria sempre houve essa miscelânea, quando povos de diferentes origens,
       proximidade. As mulheres gentias Rahabe e Ruth, acham-se na linhagem
       genealógica de Jesus Cristo. Muitos norte-americanos, leais e destacados,
       são descendentes dos índios peles-vermelhas. O mesmo nome anglo-ameri-
       cano revela a mistura de diversos povos unidos na história humana. Estima-
       se que mais de 80% dos negros norte-americanos têm algo de sangue de
       brancos. Em conseqüência, os cristãos têm o dever de ajudar a gente de cor
       para conseguir os direitos da plena cidadania. É de se esperar, também, que
       os cristãos de ambas as raças, ensinem aos seus filhos para buscar compa-
       nheiros adequados para o casamento, com aqueles que tenham maior afini-
       dade possível “no Senhor”.
6)      FATORES GERAIS – Sob a impressão do problema racial, sem dúvida,
surgem outros tantos fatores na atualidade, os quais envolvem uma grave
situação. Há a permanente busca interpretativa da Bíblia, que constitui um
meio para se obter vitais sugestões e convites para um maior campo de
investigações. As marcadas diferenças físicas entre as pessoas de dife-
rentes raças formam uma barreira que se define claramente.
          O problema da segregação contribuiu para aprofundar mais o dilema,
pois cada um dos grupos raciais estava preocupado com a sua própria
condição humana e se debatia uma situação transcendental. Esta crise tomou um aspecto singular nos Estados Unidos; tanto que em 17 de maio de 1954, a Corte Suprema falou, declarando que a manutenção da segregação nas Escolas Públicas era um fato nitidamente inconstitucional,
concorrendo assim, claramente, à muralha existente entre os princípios constitucionais consagrados na Lei e na prática a se efetuar na integração
social.
7)      A CRISE RACIAL ATUAL – A primeira coisa a ser dita é que esta crise é
mundial. Em algumas partes existem demandas judiciais com o propósito de abolir a segregação nas escolas, nas praias e nos parques públicos.
Tem havido protestos públicos, uns pacíficos e outros violentos, ao contrário do que se observa nos restaurantes públicos, a prática da segregação. Há organizações com o propósito de promover o progresso das pessoas de cor, e outras organizações que procuram manter a segregação racial. Esta crise tem aumentado nas nações jovens do mundo, e, especialmente, nas novas nações da África. Observa-se nos títulos da primeira página dos diários que o desdobramento de quaisquer incidentes de lutas raciais, ocupa interesse destacado da propaganda comunista, que tão habilmente procura manipular estes conflitos raciais, a fim de favorecer seus sinistros propósitos. Nota-se na votação dentro do seio das Nações Unidas, onde os povos de cor do mundo representam, com seu voto, uma frente unida contra as nações brancas.
          Em segundo lugar, a crise racial atual era inevitável. Deus criou o homem livre e este ideal está estampado em cada ser humano, no físico, econômico e racial. Qualquer sistema de relações humanas que desconheça este princípio fundamental expressado no desejo de ser livre, cedo ou tarde, haverá de enfrentar a oposição dos que sofrem a opressão.
Além disso, a doutrina cristã referente ao valor do ser humano, encarna uma idéia revolucionária, e quando a gente de cor toma conhecimento desta doutrina, mediante o ensinamento dos missionários cristãos, ou por algum outro meio, eles sentem uma ânsia incontrolável de aplicar o que tem aprendido. Igualmente, o conceito de que todos os seres humanos nascem livres e com igualdade de direitos, forma uma parte da herança democrática, torna-se uma imensa atração para a gente de cor. Supõe-se que as pessoas que recebem a influência deste conceito, o aplicam não somente à minoria branca, como também a todas as gentes do mundo.
            Observemos, também, que a crise racial atual não significa o fim do mundo.
A história humana tem sido abalada por conflitos entre tribos, grupos, nações e raças; e é de se esperar que continua enquanto o mundo continue sendo como é.
Pelo contrário, se a democracia encarna um ideal de valor permanente para o bem da raça humana,  pode-se aguardar que esse ideal sobreviva, preservado por homens idealistas, irremediavelmente. Segue-se que, se o  cristianismo proclama uma verdade que afeta as relações entre os homens e Deus, e as mútuas relações entre os próprios homens, nesse caso a mensagem cristã não se perderá nos conflitos raciais de nossos dias. Cremos, também, que Deus não permitirá, indiferente aos problemas raciais contemporâneos. Se os cristãos de hoje recusam aceitar e proclamar a mensagem de Deus nestas questões tão vitais, nesse caso Deus certamente levantará filhos a Abraão “destas pedras” (Mateus 3:9).que hão de viver, falar e trabalhar como Deus deseja.
A CURA PARA ESTA CRISE
            É evidente que através do mundo está sendo observada uma diminuição gradual desta crise. Os cristãos não podem ser leais à alta vocação de Deus em Cristo Jesus e ficar atrás de César, na obrigação de dar a Deus o que é de Deus, nos problemas raciais. Se assim fizessem, provocariam um mal irreparável ao cristianismo.
            Os cristãos têm muitos motivos para se ocupar deste problema com uma atitude redentora. E devem fazê-lo em vista de que é evidentemente claro que Deus fez a todos os povos de uma só origem, e que Cristo veio ao mundo para elevar a humanidade inteira a um mesmo nível de redenção. Os cristãos devem fazê-lo em vista de que é evidentemente claro que Deus fez a todos os povos de uma só origem, e que Cristo veio ao mundo para elevar a humanidade inteira a um mesmo nível de redenção. Os cristãos devem fazê-lo, assim mesmo, devido à obra missionária no mundo, pois a atitude dos cristãos para com o problema racial nos países onde as missões têm origem, repercute diretamente sobre a obra que os missionários levam a cabo nos campos missionários.
            O que é que podem fazer os cristãos em favor das boas relações raciais?
Os cristãos cônscios de sua responsabilidade para com a solução dos problemas raciais podem fazer muitas coisas de maneira construtiva. Podem estuda os problemas cuidadosamente com a idéia de encontrar uma solução cristã que honre ao Senhor Jesus. Podem alcançar a compreensão que o que as gentes de outra raça buscam tão somente igualdade de oportunidades e educação, trabalho e dignidade pessoal. Podem considerar que a doutrina da superioridade atual não é usada na Palavra de Deus.
            Se algum cristão descobre que em seu coração existe preconceito pode apresentar este problema ante o Senhor, e solicitar Sua ajuda para superá-lo. Quando uma pessoa reconhece francamente o pecado do preconceito e o confessa sinceramente a Deus, pode estar certa de que Deus, que “é fiel e justo para perdoar nossos pecados, e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9), há de purificá-la desse pecado. Nenhum cristão tem o direito de olhar com desprezo a nenhuma pessoa ,pela qual Cristo morreu.
            Os crentes podem evitar o uso de palavras e ilustrações ofensivas às pessoas de outra raça, como também de piadas e histórias que não favorecem sua personalidade, tudo que influi para criar na mente de muitas pessoas não dadas ao exame minucioso destes problemas, sentimentos e atitudes preconceituosas. Palavras ofensivas, usadas intencional ou descuidadamente, não devem fazer parte do vocabulário de uma pessoa redimida por Cristo, e que sabe que Jesus morreu para salvar a todos os seres humanos, sem levar em conta sua raça. Por outro lado, não há lugar no sentimento cristão para a atitude de paternalismo, afetada pelo amor próprio, que diz que é justo que o negro ou o indígena “ocupe seu lugar”, porém, ao mesmo tempo constitui-se em juiz para determinar o lugar que ele deve ocupar, e que resulta ser um lugar de inferioridade
e servilismo, próprio de um cidadão de classe inferior. Deus, que não faz acepção de pessoas, não designou esse posto de inferioridade a nenhum negro nos Estados Unidos, a nenhum branco na África, e a nenhum  oriental na Califórnia, a nenhum  índio na América latina e a nenhum membro da raça caucásica no longínquo oriente.
            Para o cristão que sinceramente deseja destacar-se pela fé e pela conduta, existem três recomendações: 1) A primeira relaciona-se com um livro, um que se eleva entre outros bons livros, o livro inspirado por Deus, a Bíblia. Este livro arremessa uma luz maravilhosa sobre a área obscura que tem estado tempo demasiado, segregada da luz do evangelho. E sobre este ponto a Bíblia aparece,
Uma vez mais, como “útil para ensinar, para converter, para corrigir, para instruir na justiça” (II Timóteo 3:16).
            2) A segunda recomendação se refere a uma pessoa. E não se refere a nenhuma pessoa humana que haja tomado parte ativa no melhoramento das relações raciais. Esta pessoa é Jesus Cristo, quem com Seu exemplo, preceito, vida, morte e ressurreição, demonstrou seu imperecível amor para com a humanidade.
            3) A terceira recomendação se refere a um poder e fortaleza. E aqui tão pouco estamos pensando no poder da democracia que proclama que todos os homens nascem livres e têm igualdade de direitos perante a lei. E, por certo, não se refere ao poder do comunismo que proclama um grande interesse em favor do homem comum. Estamos pensando no poder do Espírito Santo que purifica o coração, corrige a língua, guia a mão e dirige a mente livrando-a do preconceito e aproximando-a a mente e ao espírito de Jesus Cristo.
            O cristão tem que escolhe entre dois inconvenientes: ou se odiado pelos ignorantes se fala em favor da solução cristã no que tange às relações raciais, ou se desprezado pelos sábios se permanece calado.
Tem que escolher entre sofrer as perseguições do inferno, se adota a solução cristã, ou ser rejeitado do céu se não defende “o mais importante da lei” neste assunto. A atuação do cristão, referente às relações raciais, nestes tempos difíceis não é fácil, porém é mui necessária e de imenso valor. Ser cristão afeta todas as manifestações e relações da vida. É inconcebível que sobre um problema tão significativo como o das relações raciais, Cristo não houvesse dito nada.
            Através de muitos séculos os problemas raciais que afligem a humanidade, vêm se formando, e solucioná-los não é coisa fácil. Porém, com a ajuda de Deus, os cristãos sinceros poderão encontrar as respostas necessárias, se decididamente desejam conhecer e obedece à vontade de Deus.
 
EBENÉZER!!!
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

 Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã
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